segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Porque trabalhar com famílias enlutadas?

         Bom, na verdade durante toda a minha graduação em Psicologia, eu nunca havia sequer pensado em trabalhar na área do luto, e até então, não havia perdido ninguém próximo o bastante para que pudesse sentir a dor da perda por morte.
Mas em 2010, surgiu o convite através de uma colega que havia trabalhado comigo em uma loja de departamento da cidade de Blumenau, para uma entrevista com a atual Assistente Social do Plano Boa Vida - Tássia Hostin e posteriormente com a Coordenadora - Cristiane Maciel.
Lembro como se fosse hoje, que durante minha entrevista, um dos pontos levantados foi a tristeza, o choro, a melancolia, e até a raiva que eu teria de “enfrentar” das pessoas que estaríam privadas do convívio com um de seus entes queridos através da  morte.
Lembro também que na época estava em pesquisa sobre temas para meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Posteriormente envolvida e apaixonada pelo que faço, fui levada a elaborar um TCC voltado para os profissionais que trabalham com o estágio último – a morte, sendo estes os agentes funerários.
            A motivação pelo desafio em atender as famílias, que precisam tratar de questões burocráticas em um momento tão difícil que é a morte de um dos seus, e estar de alguma maneira a disposição das pessoas que precisam compartilhar, se emocionar, chorar, e até mesmo questionar, foram  um dos principais motivos que me levaram a trabalhar no ramo funerário.
Venho aprendendo a cada dia com as famílias que atendo. Sem dúvida alguma, a percepção que hoje tenho de morte é diferente daquela que tinha há 1 ano e meio atrás.
No ano passado, no dia 21 de abril, fui tocada pela dor da perda de minha querida avó materna. Vivenciei o que é ter de contratar um funeral, registrar o óbito, decidir onde será o velório entre tantas outras questões, e ainda assim, expressar a tristeza por não ter mais alguém que amo muito.
A paixão pela profissão, a empatia para com os nossos associados e ainda assim se perceber como ser humano, com seus medos e anseios é o que faz com que consiga me dedicar e a de fato ajudar, orientar, ouvir e acolher as famílias no momento mais doloroso, onde aqueles que amamos estarão apenas em nossas lembranças, em nossa história, mas o corpo já não poderá mais ser tocado.
           A cada dia tenho a confirmação de que as pessoas procuram ajuda por não terem o apoio, conforto e compreensão que precisam no seu meio social e familiar. É aí que entra nosso papel, ouvir sem julgar, sem querer que o outro seja forte, e sim podendo, orientar, ouvir, acolher e em alguns casos intervir.
Poder colaborar para que as pessoas tenham atenção e respeito nos momentos difíceis traz ganhos incalculáveis ao profissional e a empresa recebe o reconhecimento da sociedade pelo  atendimento humanizado.
Aprendemos a cada dia, a cada atendimento... O tempo, as pessoas, a família, o amor, os amigos passam a ter novos significados. Aprendemos a dar importância a coisas que antes não eram prioridades, o imutável passa então a ser visto como transitório.

Este texto foi produzido por Patrícia dos Santos (Psicóloga CRP-12/10686–Formação em Tanatologia pela Rede Nacional de Tanatologia) e que trabalha no Boa Vida deste outubro de 2010.





2 comentários:

  1. Nossa quanto sentimento reunido em poucas linhas. Realmente nosso serviço de atendimento permite muito aprendizado e ganhos incalculáveis para o profissional que atende a família direta e indiretamente. O serviço social e a empresa em um todo estão fazendo um belo atendimento humanizado. Parabéns Equipe!

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  2. O trabalho do Serviço Social é fundamental para os associados, e o seu em especial, é admirável!
    A competência e a ética transparecem. Parabéns pelo trabalho que a equipe realiza.

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