quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Reações diante da perda do ente querido ...

          
Começamos a nossa história mencionando a situação da tragédia de Santa Maria no Rio Grande do Sul, que está e estará por alguns dias, ou meses “na boca da população” como a pior tragédia dos últimos anos na região Sul do país.
Por que a população está chocada? Por que tanta tristeza e sofrimento para quem perde e para quem de longe acompanha os noticiários?
          Algumas respostas até podemos encontrar, mas outras não teremos como. Pois estamos falando de pessoas jovens, cheios de vida, estudantes de várias universidades, entre elas, federais, estaduais e públicas, jovens naturais de Santa Maria ou que saíram de casa, da casa dos pais, de sua cidade, com o objetivo de estudar... enfim, suas histórias, seus objetivos e a forma como aconteceu o falecimento, é que nos deixam tão assustados.
Embora, mesmo que dolorido, é natural os filhos enterrarem os pais, mas o que aconteceu foi ao contrário, os pais agora ficaram órfãos de filhos e muitos deles tiveram que enterrar seus filhos ou até mesmo seu único filho. São famílias devastadas pela tristeza, dor da perda e a saudade que com o tempo aumentará.
         E o que fazer com estes pais, estes irmãos, estes amigos que estão enfrentando a dor da perda?
Cada pessoa terá reações diferentes diante da perda e não existe receita mágica para todos os casos.
O importante é deixar o enlutado desabafar, colocar a sua angústia e tristeza para fora. Se para ele o melhor é chorar, que chore. Se para o outro o melhor é gritar, que grite e se for melhor ficar em silêncio, que fique.
         Um amigo pode dar um abraço ao enlutado e perguntar: posso ajudar em algo? O outro pode orientar na parte burocrática de registro de óbito, seguro de vida, entre outros. Outro pode ser o motorista da família enlutada. O importante é que o enlutado não abafe ou camufle a dor da perda através de calmantes ou sedativos. Porém, se a pessoa tem orientação médica de fazer uso da medicação antes do falecimento do ente querido, deve continuar usando. É errôneo numa família, o esposo e a esposa agirem como se não tivesse ocorrido nada, de não tocarem no assunto, para ambos se “mostrarem fortes” um para o outro. Mas, como ser forte neste momento tão difícil? Realmente impossível cobrar que o enlutado seja forte, tenha fé que tudo isso vai passar. Para uma elaboração do luto saudável, é necessário tocar no assunto, tocar na ferida e deixar a pessoa falar, seja falar das características da pessoa que faleceu, ou falar dos sonhos dela, enfim, como já mencionamos o importante para o enlutado é ter uma rede de apoio, seja familiar, amigos, profissionais que compreendam esta dor e saibam como dar espaço para o enlutado passar por esta fase.
E como posso saber quando a pessoa está numa situação de luto normal?
Segundo Kübler Ross (1996) há reações que são normais diante da perda de uma ente querido, reações estas como:
  • Negação – o enlutado não acredita que isso seja verdade, que aconteceu com ele a perda do ente querido;
  • Raiva – o enlutado sente raiva e revolta, até mesmo de Deus, fica agitado com ansiedade;
  • Barganha – o enlutado deixa claro que se a pessoa voltar, ele mudará, que as coisas serão melhores do que eram. É a moeda de troca, se ele(a) voltar, farei tudo diferente;
  • Depressão – o enlutado prefere ficar sozinho, relata que não merecia isso e nas datas comemorativas esta é uma reação que aparece mais veementemente;
  • E por último é o estágio da aceitação, ou seja, a ficha caiu e a pessoa sabe que ele(a) não voltará, que a saudade vai existir e que para o seu próprio bem e da sua família a vida terá que continuar. O sentimento de perda nunca desaparecerá por completo, mas deve ser administrado de forma que seja possível continuar, seguir em frente.
Veja o vídeo que mostra de forma simples, os 5 estágios do luto: 



        Há de salientar, que existe o luto patológico ou o complicado e que os familiares e pessoas próximas devem ficar atentos. As reações são muito mais intensas, por exemplo: há mais de 1 ano o enlutado visita todos os dias o cemitério, ou não desfez o quarto da pessoa que faleceu, ou ainda não voltou a sua rotina normal de atividades e se isolou da sociedade. Sente reações físicas e emocionais muito fortes. Muitas pessoas vão se perceber com um luto complicado, somente quando novamente passar pelo momento da perda de outro ente querido.
          Hoje há vários especialistas em terapias do luto, estes profissionais são capacitados para atender e orientar pessoas que encontram-se num processo de luto complicado. Podem ser psicólogos, terapeutas ou pessoas que possuem alguma formação específica em processo de luto. Se você perceber que seu conhecido, amigo ou familiar tem alguma atitude que transpareça luto complicado, oriente ele a procurar ajuda profissional.
         O Boa Vida dispõe de Psicóloga com formação em tanatologia e também Assistente Social com formação em tanatologia.
Para saber mais informações sobre o acolhimento pós óbito realizado pela psicóloga do Boa Vida, escreva para: psicologia@boavida.com.br.


Patrícia dos Santos
Psicóloga - CRP 12/10686
Graduanda em Gestão de Pessoas
Formação em Tanatologia pela Rede Nacional de Tanatologia


Tássia Hostin
Assistente Social - CRESS 4237
Pós Graduada em Gerontologia
Formação em Tanatologia pela Rede Nacional de Tanatologia


Referência:

KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer: o que os doentes têm para ensinar aos médicos, enfermeiras, religiosos e aos seus próprios parentes. São Paulo, Martins Fontes, 1996.

Escrito por Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social - Revisado por: Andreia Mafra e Edna da Silva.

2 comentários:

  1. Acredito que essa informação seja válida para podermos de alguma forma ajudar ao próximo. Pois diante de um fato como esse, ficamos sem saber ao certo como agir, e acabamos muitas vezes piorando essa situação. Abordagem de explicação muito didática e de fácil compreensão, parabéns pela atitude!!!

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  2. Tudo na nossa vida é um aprendizado, e o luto, por pior que seja, não deixa de ser um grande aprendizado, uma forma de crescimento pessoal e emocional. Pode parecer medíocre da minha parte falar isso, mais tudo na nossa vida tem um porquê de acontecer e devemos encarar o luto assim também. Não só devemos, mais precisamos disso para continuar vivendo!

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