segunda-feira, 29 de julho de 2013

Saudade : é o amor que fica !



Nós do Boa Vida e da Haas, trabalhamos realmente com a certeza da morte do outro, ou seja, com a morte concreta. Ao contrário de um hospital onde trabalham profissionais que atendem pessoas com a esperança e o desejo que sua saúde logo melhore. 
Nós temos algumas observações sobre a morte; e o que os profissionais que trabalham em hospitais pensam sobre ela?
Abaixo está um relato muito interessante, embora longo, mais muito emocionante, de um médico sobre atender uma criança em tratamento de câncer e posteriormente o que a morte representa:


Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos
de atuação profissional, com toda vivência e experiência
que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que
cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos
meus pacientes.

Dizem que a dor é quem ensina a gemer. 
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, 
pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes 
de ir muito mais além.

Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, 
e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram 
para nos confortar.

No início da minha vida profissional, senti-me atraído 
em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. 
Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. 
Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples 
e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.

Nós, médicos, somos treinados para nos sentirmos "deuses". 
Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência 
de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, 
que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e 
a tentar ir sempre mais além.

Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e 
prepotência, o que não é bom. 
Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, 
experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe 
e entendemos que não somos deuses.

Somos forçados a reconhecer nossos limites!
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, 
onde dei meus primeiros passos como profissional.

Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil,
e a me apaixonar pela oncopediatria. 
Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, 
particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes 
desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar 
ao ver o sofrimento destas crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, 
calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos. 
Hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos 
trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Mas, nunca vi meu anjo fraquejar. 
Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. 
Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! 
Mas via confiança e determinação.

Ela entregava o bracinho à enfermeira, e 
com uma lágrima nos olhos dizia:

- Faça tia, é preciso para eu ficar boa.
Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo 
sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. 
E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar 
sem vivenciar profunda emoção.
Meu anjo respondeu:-

-Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar 
com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. 
Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem 
seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que a morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama 
dos nossos pais, e, no outro dia acordamos no nosso quarto, 
em nossa própria cama não é?

(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam 
dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo, e então?- perguntei.
-Vou explicar o que acontece, continuou ela:
Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, 
para nossa cama, não é?

- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida!
Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. 
Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. 
Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que 
o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, 
fiquei parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.
Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, 
perguntei ao meu anjo:

- E o que a saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição
melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!

Um anjo passou por mim... 
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, 
do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo 
que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto 
relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

Meu anjinho já se foi, há longos anos. 
Mas deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, 
por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci.

Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser 
mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela 
a quem chamo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu. 
Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições 
que ensinastes, pela ajuda que me destes.

Que bom que existe saudades!
O amor que ficou é eterno!!!


(Rogério Brandão - Médico Oncologista clínico RC
Recife - Boa Vista D4500 Cremepe 5758)




Referência: http://www.codinomebeijaflor.com/mensagem_saudade_e_o_amor_que_fica.htm

Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.

terça-feira, 16 de julho de 2013

2 ª Palestra: Luto e agora ?

        Tássia e Patrícia participaram no dia 11 de julho da segunda palestra que teve como título: Luto e agora? que ocorreu no auditório do Crematório de Blumenau.
Como ministrante da palestra Dra.Viviane Giombelli especialista em psicodrama, explicou como ocorreu a sua identificação com a psicologia e com o tema luto. Em seguida os participantes foram divididos em grupos, onde cada integrante contou como ocorreu o falecimento do ente querido em sua vida.
Em seguida foi realizada uma roda de conversa com o grande grupo, no qual alguns participantes exemplificaram qual história que mais mexeu consigo no pequeno grupo.
A psicóloga mencionou que devemos falar hoje e fazer hoje algo por quem amamos, por quem adoramos por que "o amanhã" nem sempre existe.

Abaixo foto da Dra.Viviane  e dos participantes:



Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Material de Recuperação do Boa Vida

            Com o objetivo de auxiliar o cliente na recuperação da sua saúde, seja devido algum acidente ou doença o Boa Vida empresta gratuitamente durante 3 meses cadeira de rodas, de banho, muleta, bengala e andador a todos os clientes do Boa Vida.
Este diferencial é somente para o cliente Boa Vida. A pessoa pode tornar-se cliente hoje e já solicitar o empréstimo do material sem custo adicional.
           O controle de empréstimo, a revisão e a manutenção dos materiais são realizados pela Manuela - Colaboradora do Escritório do Boa Vida (matriz) e pelo Fernando  - Colaborador da Haas.
 O Boa Vida tem uma pequena cota e realiza algumas doações de materiais para instituições ou pessoas que precisam. Vale ressaltar que estas doações ocorrem em pequenas proporções e possui uma pequena cota.

No último dia 11 de julho o Boa Vida doou algumas muletas para a ABLUDEF - Associação Blumenauense de Deficientes Físicos.

Na foto (esq. para dir.) Sra.Maria Helena - Presidente da ABLUDEF, 
Manuela e Sr. Valdemar colaboradores do Boa Vida:



Também no dia 11 de julho o Boa Vida doou uma cadeira de banho para Fernanda que mora em Indaial.
Fernanda tem 10 anos, é deficiente física e precisa de cadeira de banho. Ela é neta da Sra.Lourdes que está na foto abaixo.
Na foto (esq. para dir.) Sra.Lourdes (representando Fernanda) e Sra.Catarina:






Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Entrevista na Rádio Clube

No último sábado as 8 horas Tássia Hostin- Coordenadora do Serviço Social  Boa Vida deu entrevista ao Sr.Geraldo no Programa "A hora do Cidadão" da Rádio Clube.
Tássia explanou sobre o Boa Vida, bem como qual o objetivo principal, quais os benefícios e as novidades para 2013. A entrevista durou cerca de 1h.

Abaixo foto da Tássia e do Sr.Geraldo em frente a Rádio Clube:


terça-feira, 9 de julho de 2013

1 ª Palestra: Luto e agora?

           Patrícia e Tássia participaram no dia 04 de julho de uma palestra que teve como título: Luto e agora? que ocorreu no auditório do Crematório de Blumenau.
Como ministrantes da palestra Dr.Aroldo Escudeiro - Psicólogo e Tanatólogo e Dra.Francieri B. S. Wostehoff - Psicóloga do Hospital Santo Antonio.
            Dr.Aroldo explanou o seu entendimento teórico relacionado ao luto. Já Dra.Francieri explicou como é o seu trabalho no hospital bem como sua visão de "como seria uma boa morte" e a visão sobre o luto.
Para as profissionais do Serviço Social do Boa Vida, é importante sempre se aperfeiçoar seja através de palestras, cursos entre outros.
Abaixo foto dos participantes da palestra:




Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.