quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Luto - Sobrevivendo as perdas

                Perder alguém significativo nos tira o chão, nos abre um enorme buraco, nos esvazia a alma. Por vezes até nossas crenças nos deixam sem amparo, ficamos órfãos. A dura realidade da morte se impõe, percebemos que tudo tem um fim, que por mais que tenhamos buscado negar ou  distanciar, somos tocados pela dor arrebatadora da perda. E o tamanho da dor vai depender do quanto investimos nessa relação, do que essa perda significa em todas as dimensões (psicológica, social,  existencial, espiritual, etc.). O tempo, que inicialmente mais parece um inimigo, é essencial para que ocorram as mudanças, as transformações de dentro e de fora na vida de quem fica. Eis o processo do luto; que essencialmente demanda de tempo.
            Cronologicamente passam-se os dias, meses,  ano; no entanto, o tempo emocional e interno, não acompanha o do relógio e do calendário. Cada pessoa passa pelo processo do luto de maneira diferente e o tempo para a elaboração também é diferente. A possibilidade de expressar as emoções e os sentimentos evocados pela morte de alguém querido é de extrema importância. 
            Não seja duro consigo mesmo, não tente negar a ferida que se abriu e a dor que esteja sentindo, a ferida precisa ser limpa, assim como as coisas que se deixou de dizer e de fazer a quem se foi, devem ser substituídas pela certeza de que nenhum de nós é 100% perfeito nas nossas relações. Assim como a ferida que se fecha e deixa suas marcas, a morte de alguém que amamos se transforma durante o processo do luto numa cicatriz, que está lá, mas agora já não causa dor, - damos a ela o nome de memórias, de saudade.



In Memoriam a minha querida avó materna Maria Angelina de Simas. 

2 comentários:

  1. Parabéns Patricia, suas colocações e seus textos sempre tão marcantes e ao mesmo tempo tão suaves. Nos fazer pensar de uma forma mais tranquila sobre a morte, do quanto somos impotentes frente à ela, mas que no seu acontecimento podemos enxergá-la de uma maneira mais branda e aceitá-la com menos sofrimento. Abraços.

    ResponderExcluir
  2. Obrigada pelas palavras Alexandra. Abraços.

    ResponderExcluir