sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Pais órfãos: O casal e a perda de um filho




Temos um destino em comum: nascer e
morrer; sofrer e poder ser feliz...
(Edgar Morin)


Nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos. Nos apropriamos desse pensamento ainda pequenos; o que nos leva a “acreditar” que a morte é algo distante, que sempre haverá tempo para um abraço, para um beijo, para um “eu te amo”, para um “adeus”; nos leva a negar a finitude de nós mesmos e dos que queremos tão bem, aqueles do qual construímos vínculos afetivos e “incorporamos” ao nosso viver.
Perder alguém que se ama é doloroso...isso é fato! Acredita-se que de todos os lutos, o mais difícil é aquele onde a ordem natural se inverte, ou seja, os pais que perdem um filho.  A morte de um filho provoca um luto profundo porque os pais veêm nos filhos sua extensão, sua continuação, vislumbram um futuro; os pais sentem culpa por não poderem evitar, por não poderem proteger seus filhos de todos os “perigos”, já que como pais, “sua tarefa é proteger”.
Há quem diga que quando a morte é por uma doença prolongada, os pais “se preparam” para a perda, o que em uma morte súbita não ocorre pois são acometidos pela dura surpresa. Em minha vivência no atendimento á famílias enlutadas, percebo que independente de a morte ocorrer de maneira súbita ou lenta, a dor da perda de um filho não nos permite ter essa segurança para tal afirmação. E se perguntássemos aos pais sobre a perda não notaríamos diferença. Vivemos em uma cultura onde a morte é negada, um tabu, então esses pais se preparam para o que exatamente? Não há dor maior ou menor, o que existe é dor e ponto. Dói o corpo, dói a alma!
A nós, familiares, amigos ou profissionais o que nos resta é respeitar e acolher. Não podemos como profissionais ter a pretensão de afastar a dor, ao contrário, nós permitimos que os pensamentos e emoções sejam expressos de maneira genuína, sem julgamentos, sem cobranças para que sejam fortes num momento de tristeza. Na maioria dos casos, o processo de luto ocorre de maneira natural ou normal e chega-se a uma resolução saudável. No entanto, existem casos onde o processo não é satisfatório, onde a pessoa enlutada permanece em determinadas fases do ciclo do luto, evoluindo para o luto patológico.
É importante mencionar, que a morte de um filho provoca reações e comportamentos distintos entre os pais. Por vezes a comunicação do casal fica prejudicada pela maneira com que cada um vivencia o processo de luto. Enquanto um precisará falar e recordar o outro irá preferir o silêncio; o homem por vezes busca voltar a sua rotina e ao trabalho o mais rápido possível, para a mulher essa volta pode ser mais difícil e morosa, nessas diferenças pode-se ter a falsa ideia de que o o homem está sofrendo menos pela perda, o casal se distancia, podendo até ocorrer o divórcio pela dificuldade que o casal apresenta em compreender e respeitar a singularidade de cada um.
Procurar ajuda para vivenciar e passar por todo esse processo do luto torna-se indispensável. Essa ajuda pode vir inicialmente de amigos, familiares, através da fé, de algum credo religioso, ou ainda a ajuda de um profissional psicólogo.

"A dor do luto não deve ser negada e sim, superada. 
Superar não é esquecer, significa aceitar e continuar a viver"!





Colaborou Patrícia dos Santos – Psicóloga SSO Boa Vida, Especialista em Gestão de Pessoas, Formação em Tanatologia.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A importância do planejamento no dia a dia !

Planejar-se para que ?
          Planejar é criar passo a passo seja de uma viagem, seja o início do filho na escola, um novo trabalho, ou até mesmo o fim da vida.
A vida é uma caixinha de surpresas, hoje estamos vivos, com saúde, trabalhando e realizando outras atividades, mas num piscar de olhos o que era certo e pacato, torna-se incerto e totalmente desgovernado.
          Houve um tempo em que se acreditava que a morte chegava para aquelas pessoas mais velhas, enfermas, acamadas. Entretanto, atualmente corremos riscos o tempo todo e com o aumento de carros, motos e da população, estamos suscetíveis a fatalidade a qualquer momento.
Embora o pensamento das pessoas esteja mudando, ainda há uma parcela da sociedade que não gosta de falar sobre a morte e esse assunto é desviado ou colocado “debaixo do tapete”.
           Além de toda a parte burocrática que a família tem que fazer quando ocorre o falecimento do ente querido, tem ainda que lidar com a emoção e a dor de tê-lo perdido.
Os planos funerais servem para o planejamento familiar, pois na maioria das vezes, a pessoa faz o plano não para “chamar a morte” ou para utilizá-lo logo, ela faz como uma prevenção, assim como o seguro de carro que a pessoa faz para ter uma segurança se acontecer um acidente ou falha mecânica, ela não faz para “querer bater” ou o “carro estragar”.
Existe alguns serviços que ao longo da vida adquirimos para trazer um conforto para a nossa família, e esta por sua vez é o bem mais precioso que temos.
O objetivo principal do Boa Vida é a assistência ao funeral completa, dentre isso, o cliente possui uma série de vantagens que pode utilizar em vida. Como o próprio nome já diz “Boa Vida”, o cliente recebe uma carteirinha que pode utilizar na rede credenciada e receber descontos especiais (esta rede credenciada tem dentistas, clínicas de fisioterapia e exames laboratoriais *) e a vasta abrangência da rede, oferece um leque de profissionais que pode atender o cliente e toda sua família que faz parte do Boa Vida.
Além dos descontos na rede credenciada, o cliente tem direito ao empréstimo de material de recuperação, bengala, andador, muleta, cadeiras de rodas e de banho durante 3 meses de forma gratuita.
           O Boa Vida completou 15 anos e a todo momento investe em mais benefícios para que o cliente tenha segurança e tranquilidade para enfrentar o momento mais difícil que é o falecimento do ente querido.
E como falamos no início desse texto, a vida é uma caixinha de surpresa e independente de idade credo e cor, para morrer “basta estar vivo”.

Ligue e faça já o seu plano
3222 9999!!!

http://www.boavida.com.br/planos/
* http://www.boavida.com.br/parceiros/

Abaixo folder sobre o Boa  Vida:






Colaborou Tássia Hostin – Coordenadora do Serviço Social Boa Vida – Especialista em Gerontologia – Formação em Tanatologia
Blumenau - Santa Catarina.
E-mail:tassia.hostin@boavida.com.br

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Todo filho é pai da morte de seu pai !!!

Iniciamos as nossas postagens do blog deste ano, com um texto impactante que a colaboradora  Bárbara do Boa Vida nos enviou. Este texto fala sobre a relação de amor e cuidado, do filho para com o pai !
Desejamos a todos, boa leitura !!!



Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.
É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.
É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.
É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela - tudo é corredor, tudo é longe.
É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.
E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.
Todo filho é pai da morte de seu pai.
Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.
E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.
Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.
Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.
A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.
Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.
       A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.
Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.
Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados. Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?
      Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.
E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.
Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.
No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:
— Deixa que eu ajudo.
Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.
Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.
Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.
      Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.
Embalou o pai de um lado para o outro.
Aninhou o pai.
Acalmou o pai.
E apenas dizia, sussurrado:
— Estou aqui, estou aqui, pai!
         O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Por Fabrício Carpinejar.





Referência:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2013/10/fabricio-carpinejar-todo-filho-e-pai-da-morte-de-seu-pai-4290444.html