quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O luto ao receber um diagnóstico de doença


Na vida, estamos preparados sempre para o melhor, seja para viajar, ter filhos, casar ou passar num concurso público.
Por quê ?
Porque somos educados a sempre ganhar, a sempre ser o melhor, vencer.
E quando a vida nos da uma rasteira e surge o diagnóstico de doença em nós ou em algum familiar, o que esperar do futuro ? O que planejar ? Para onde ir ?
Diante disso, abaixo consta um depoimento de uma jovem que atualmente tem 28 anos e que há quase 5 anos recém casada, recebeu o diagnóstico de uma doença.


           "Ao receber um diagnóstico de doença é algo inexplicável, acho que cada um age de uma forma, mas as dúvidas e confusões de sentimentos são bem parecidas. Lembro-me que antes de receber o diagnóstico concreto, fiz exames que sugeriram várias doenças graves. Foram dois dias até ir a uma especialista que daria um basta em tantas dúvidas. Nesses dias foram muitas opiniões e uma delas veio de um familiar muito próximo que trabalha na área da saúde, que diretamente expressou que todas as possibilidades do meu diagnóstico eram ruim e levavam a morte.
A dor no peito era tanta que minhas lágrimas já haviam secado e eu não tinha mais o que fazer a não ser esperar. Nesse momento aprendi que não devemos dar muita importância para pessoas pessimistas, precisamos focar no melhor, ter paciência por mais doloroso que seja. Quando chegou o dia da consulta, não tive ainda minhas dúvidas sanadas, foi necessária uma biópsia para ter algo mais concreto e não suposições.
            Depois de uma semana veio o diagnóstico final, quando abri e li “Linfoma Maligno de Não-Hodgkin”, meu chão caiu, sabia que se tratava de Câncer e unindo a palavra Maligna era como um pesadelo. Um turbilhão de coisas passou pela minha cabeça, uma delas foi porque eu casei? Agora vou acabar com a vida dele. Fazia alguns meses de casada quando descobri. Porque comigo? Depois pensava, mas não posso me fazer essa pergunta, porque eu queria isso para alguém? Eu não tinha coragem de questionar a Deus, mas recorri a ele para tentar entender.Foi tudo muito confuso e rápido. As lágrimas vinham incontroláveis e até chegar o dia da consulta elas continuaram por mais dois dias. Foi como um refrigério quando a médica disse que minhas chances eram enormes devido a minha idade, e que não era por estar escrito Maligno que eu iria morrer
         Rodeada de pessoas boas que estiveram comigo todo tempo fui aos poucos me acalmando e deixando as coisas acontecerem. O tema é sobre um tipo de luto que sofremos quando recebemos um diagnóstico ruim. Posso dizer que sim sofremos um luto muito grande, não fomos feitos para lidar com a possibilidade de morte prematura. A dor é insuportável e não tem como controlar. Percebemos como somos pequenos e que não está nas nossas mãos a nossa vida não podemos controlar nosso destino. Tive que confiar a minha vida primeiramente a Deus, mas também a profissionais desconhecidos, não sabia o que esperar, quais as reações e dores que eu iria lidar. Além da dor física a dor psicológica surge a todo o momento. Será que vou conseguir? Devo desistir? Completando quase 5 anos ainda é difícil relembrar todos os momentos que passei e decisões que tive que tomar. A única certeza que tenho e que posso passar para as pessoas que recebem todos os dias diagnósticos de doença é que a FÉ é fundamental nesse momento. É preciso crer na cura e no impossível para que tenhamos força para lutar até o fim".
Por E. S. K.


       Gostaríamos de agradecer a esta moça pelo lindo depoimento e parabenizá-la por lutar tanto e por muitas vezes ser o nosso exemplo de superação.
O objetivo desse artigo foi de levar uma palavra de fé e esperança para todas as pessoas que estão passando por este momento.


Depoimento escrito por E. S. K.
Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa vida

Um comentário:

  1. "A fé em Deus nos faz crer no incrível, ver o invisível e acreditar no impossível". A fé não é aquela figura do deus, mais sim a força interior que move montanhas, que nos faz levantar todos os dias, que nos faz estar vivos aqui.

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