sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ciranda cirandinha, vamos todos cirandar... Morte também é assunto de criança, não devemos evitar




A morte de um ente querido provoca imensa dor na criança, falar sobre morte não significa criar ou aumentar a dor, ao contrário, pode aliviar a criança e facilitar-lhe a elaboração do luto.
A reação da criança diante da morte de um ente querido (pai, mãe, irmão ou outro), dependerá de sua criação até o momento da perda e também do relacionamento que ela tinha com a pessoa que morreu. Se a criança não for influenciada negativamente por fantasias e temores dos adultos sobre a morte, a vivenciará com certa naturalidade.
Quando ocorre a morte de um ente querido, a criança apresenta dúvidas em relação ao ocorrido e necessita conversar sobre o assunto. Leve em conta os seguintes cuidados ao falar:
         Escolha alguém próximo da criança, e que esteja em melhores condições emocionais para lhe dar a notícia.
         Coloque-a nos braços, acolha-a fisicamente neste momento.
         Evite detalhar a causa da morte, especialmente em caso de violência.
         Deixe-a a vontade para perguntar o que quiser sobre o assunto.
         Utilize a palavra morte e evite substituições como: “dormiu”, “viajou”, “partiu”, “foi embora”. Estas palavras podem confundir a criança que ainda leva tudo ao pé da letra.
            A criança também vive o luto de diferentes maneiras. O luto envolve um estado de tristeza, de diferentes reações cognitivas e comportamentais, dependendo do estágio de desenvolvimento em que a criança se encontra. Uma mistura de sentimentos e de sensações: raiva, medo, abandono, culpa.
            É comum a criança fantasiar que a pessoa que morreu a abandonou, e sinta raiva por isso, podendo tornar-se mais agressiva por um tempo. Algumas se sentem culpadas, imaginando que fizeram alguma coisa errada e, por isso, a pessoa morreu. Elas costumam arrumar soluções mágicas para evitar esta dor. Não é raro ouvirmos a criança dizer que vai para o céu buscar a pessoa que se foi.
            Geralmente, a criança passa a ter medo de perder outras pessoas que ama e fica mais apegada a elas; não quer se separar delas nem para ir à escola ou à casa de um amiguinho. Esse comportamento não é permanente, passará com o tempo, mas os familiares devem ter paciência e compreender o que está acontecendo.
Mas afinal, criança deve ir em velório?
            As crianças podem sim ir ao velório, desde que seja consultada a respeito disso. É importante que elas saibam o que acontece em um velório, portanto, diga o que ela vai encontrar lá...pessoas chorando porque estão tristes, que a pessoa que morreu não sente mais frio, nem dor e que não irá mais voltar depois que todos se despedirem dela, que estará deitada dentro de uma caixa de madeira – o caixão, que estará fria, mas que se quiser poderá tocá-la. Não obrigue a criança a ir ao velório, mas também não negue sua participação no ritual.

 Educar para a morte é prepará-las para a vida.




Referências: Livro – Tanatologia Temas Impertinentes - O Luto Infantil
www2.londrina.pr.gov.br – Morte também é assunto de criança - por Ana Lúcia Naletto

Escrito por:  Patrícia dos Santos – Psicóloga - Serviço Social Boa Vida – Formação em Perdas, luto e separação (Tanatologia).

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