sexta-feira, 26 de junho de 2015

Respeitando um momento de luto: 15 dicas para enlutados e para quem está a sua volta

Baseado na experiência da Dra.Marcela Alice Bianco (psicóloga) que já atendeu e atende pessoas enlutadas e na própria condição de enlutada, abaixo inserimos algumas dicas para quem está passando pelo processo de luto ou tem alguém próximo enlutado. 




1- Respeite o momento do Choque.

Todos nós, quando sofremos uma perda temos um momento de “choque” inicial. Essa reação acontece porque nosso Ego não é capaz de absorver a realidade da notícia e, por defesa, há uma paralisia das emoções e da capacidade de perceber o entorno. Em geral, essa reação pode durar minutos, horas ou dias e a pessoa tem a tendência a manter a vida interior rica de ilusões em relação ao ser que partiu. O choque pode desencadear um verdadeiro “apagão” de consciência ou reações corporais como tremores, desmaios, vômitos e diarreias. A pessoa também pode estar em choque quando apresenta reações aparentemente frias e indiferentes ao que está acontecendo. Respeite esse momento e se você estiver ao lado de alguém em choque acolha a pessoa enlutada, que aos poucos irá conseguir ir compreendendo a realidade.
2- Cada um tem seu tempo para encarar a realidade da perda.
É comum que pessoas enlutadas passem por uma fase de negação, demonstrando uma resistência à perda para evitar o desequilíbrio psíquico. Nestes casos, a expressão emocional pode ficar bloqueada, ou tenta-se negar a perda procurando esquecer o ocorrido ou evitando pensar no assunto. Também pode haver uma reação hiperativa, onde a pessoa age como se nada tivesse acontecido e busca se entreter no máximo de atividades possíveis para evitar entrar em contato com sua dor. Este tende a ser um período passageiro, mas preocupante quando se estende demais, sem o espaço para as demais reações naturais. O uso de substância psicoativas (calmantes, drogas e álcool) nesse momento pode ser outra tentativa de fuga encontrada. Assim, é preciso ficar atento a presença de tais reações, e buscar ajuda especializada quando sentir necessidade.
3- O luto traz uma avalanche de emoções.
Os mais diversos sentimentos podem advir de um luto! Tristeza, Raiva, Revolta, Alívio, Culpa, Medo, Impotência, Ansiedade… enfim, as mais profundas emoções podem ser despertadas. O luto é um processo doloroso e é preciso fazer um verdadeiro trabalho de superação. A expressividade emocional é fundamental para que a pessoa possa digerir a realidade da perda. Não evite o contato com seu sofrimento e procure as pessoas realmente disponíveis emocionalmente para contar sobre o que está sentindo. Seus sentimentos são legítimos e merecem ser respeitados e acolhidos.
4- É preciso chorar a sua dor.
Você não pode escolher não sofrer! O luto é uma experiência altamente dolorosa e que realmente abala qualquer estrutura. Bloquear, inibir ou adiar o seu luto não irá ajudar. Chorar, falar somente sobre o luto, limitar a sua vida a esse acontecimento por um tempo é natural e faz parte do processo de assimilação da realidade. Lembre-se que perder alguém é algo maior que o Ego consegue abarcar de uma vez e, por isso, precisa ser digerido lentamente.
5- Nunca estimule alguém a “sair” logo do seu luto.
Pedir ou estimular que uma pessoa enlutada se recupere rápido ou não expresse suas emoções é totalmente desaconselhável. Esta atitude, ao invés de ajudar, pode bloquear uma reação normal de luto e desencadear outros problemas, como a hiperatividade ou até mesmo processos depressivos e de adoecimento. Cada um tem seu tempo para superar o luto e tocar a vida em frente. Procure ser sensível a esse momento e acolher o enlutado encorajando-o a expressar seus sentimentos e a encontrar seus recursos emocionais para lidar com a perda.
6- Nos sentimos impotentes diante da dor de alguém.
Realmente quando o outro sofre uma perda somos relativamente impotentes frente ao que ele está sentindo. Não podemos apagar o que aconteceu e nem evitar a avalanche de reações e sentimentos que eclodem a partir do luto. Mas, estar ao lado da pessoa, manter-se presente, escutá-la e acolhê-la emocionalmente (respeitando as dicas anteriores) é algo que você pode fazer e que é de extrema importância neste momento.
7- Cada membro da família está vivendo um luto diferente.
Dentro das famílias cada um irá reagir de maneira individual a perda sofrida e pode acontecer de um familiar achar que o outro está indo muito rápido ou muito devagar com seu luto. Haverá aqueles que precisarão falar, contar histórias, assistir vídeos antigos, ver e rever fotos, passar dias em prantos. Mas, haverá também, aqueles que irão querer ficar calados, silenciosos em sua dor. Nenhuma reação é melhor que a outra. As cobranças, exigências e julgamentos dentro das famílias acontecem porque cada um de nós tem seus conceitos e crenças sobre como devemos nos comportar diante de uma situação. Porém, é preciso esclarecer que, a forma como cada um vive seu luto varia conforme suas características de personalidade, seus recursos de enfrentamento e suas defesas, sua história de vida, e do relacionamento e vínculo que possuía com o ente querido. Quando o vínculo era muito forte ou quando existia uma história de relacionamento conturbada e conflituosa que não se resolveu, pode ser mais difícil para o enlutado lidar com toda a situação. Por outro lado, quando não existia uma ligação afetiva entre a pessoa e o ser perdido pode ser que ela lide mais facilmente com a perda. São variações que precisamos estar atentos para perceber e assim, compreender para não julgar. Exercitar a empatia dentro da família é essencial para a resolução do luto de cada membro, bem como para a saúde do relacionamento familiar.
8- É preciso consolar a sua dor.
Superar um luto leva tempo e cada um tem o seu período para digerir sua perda. É natural que você sofra por um tempo, que tenha dificuldade para encarar a realidade, que sinta vontade de ficar isolado, que a vida perca o gosto por um tempo. Isso faz parte do processo. Mas, você não precisa passar por isso sozinho. Consolar sua dor com pessoas que você confia e se sente à vontade para partilhar este momento é um importante caminho para a superação. As pessoas que gostam de você estarão prontas para te amparar e ajudar nesse momento. Estarão ao seu lado para chorar e rir com você, para te ouvir e te falar palavras de conforto, para estar simplesmente ao seu lado quando você precisar se apoiar ou quando sentir que vai cair. Conte com elas!
9- Procure uma maneira para expressar o que você está sentindo.
Redigir cartas para o ente querido, escrever poesias, textos, compor músicas, expressar-se através da pintura, das artes plásticas, da dança ou qualquer outro recurso que lhe parecer viável é uma excelente via para expressar suas emoções sobre o luto. Recurso ricamente conhecido pelos artistas, a arte e a escrita nos ajudam a nomear, discriminar e expressar o que estamos sentindo, oferecendo um significado a nossa experiência, servindo de um verdadeiro bálsamo ao nosso sofrimento e impedindo que a dor fique registrada de maneira não compreensível em nossa mente.
10- Você não precisa ficar triste o tempo todo.
Uma das coisas que sempre ficam no imaginário social é que a pessoa enlutada deve estar triste e sofrendo. Isso funciona como prova de amor e de que ela é uma boa pessoa. Porém, essa crença é totalmente inadequada. O luto é um processo muito complexo, e é natural que, enquanto a pessoa elabora a sua perda sinta momentos de forte tristeza, mas também passe por momentos de alegria e distração. A pessoa pode se alegrar e rir ao lembrar dos bons momentos com o ser perdido, pode ficar feliz por estar com pessoas que ama e que continuam fazendo parte da sua vida. O momento da despedida também pode ser o do reencontro de familiares e amigos que há muito não se viam e que, nesse espaço, resgatam as histórias familiares, permeadas de boas lembranças. Além disso, a pessoa enlutada também precisará se distrair vez ou outra para “dar um tempo” para si mesma, descansar da sua dor e recuperar as forças. Permita-se sentir todos os sentimentos, mas não só os negativos. Deixar-se levar por bons sentimentos também te ajudarão a seguir em frente.
11- É preciso perdoar.
Quando alguém nos deixa, uma imensidão de sentimentos pode nos invadir. Entre eles a raiva, a revolta e a culpa podem dificultar a elaboração de um luto. Você pode ficar com raiva porque a pessoa te deixou, porque acha que, nem ela e nem você, mereciam isso, porque você ficou, ou porque acha que houve algum erro, que se evitado nada disso estaria acontecendo. Você pode culpar alguém, mundo, Deus, o ente querido ou a si mesmo. Todo sentimento é legitimo e precisa ser vivenciado, mas agarrar-se a ele não aliviará a sua dor. Então é preciso buscar o perdão, compreender que muitas coisas fogem ao seu controle e ao do outro também. Precisamos aceitar que somos vulneráveis e factíveis ao erro. Que a vida tem um curso que extrapola nosso desejo, nosso controle e nossa onipotência. Por isso, necessitamos buscar a compreensão e a compaixão para alcançar o perdão!
12- Vai chegar a hora de dar destino aos objetos do ser perdido.
Faz parte do processo de luto decidir o que será feito com os pertences do ente querido. Roupas, objetos, lembranças, tudo aquilo que era da pessoa precisa ganhar um destino. Você pode escolher doar, vender ou até distribuir alguns objetos mais significativos entre as pessoas que ele queria bem. Também pode escolher algum objeto guardar consigo como uma herança que ele te deixou. Porém precisa tomar cuidado para não se manter apegado às coisas materiais que pertenciam ao ente perdido. Manter quartos intactos, resistir em mexer ou não se desfazer dos objetos pode ser um sinal de dificuldade em processar a perda sofrida.
13- Receba sua herança.
Mais que os bens materiais, seu ente querido com certeza te deixou de herança uma enormidade de vivências, memórias e lições das quais você nunca irá se esquecer. Recebe esse tesouro e o guarde em seu coração para todos os momentos. Quando precisar de um conselho que somente esta pessoa te daria, converse com seu coração e lá encontra a resposta que Ele te daria. Busque em suas memórias seu abraço, seu afago, seu riso, sua história. Assim você irá perceber que dentro de ti Ele ainda vive e será guardado para sempre.
14- É possível encontrar um sentido para a perda.
Muitas pessoas acham que encontrar um sentido para a perda é simplesmente buscar uma justificativa para o ocorrido, mas na verdade é muito mais que isso. Percebemos que muitas pessoas que sofrem uma perda desenvolvem novos valores, se tornam mais espiritualizadas ou se engajam em novos papéis na sociedade. É comum vermos mães que perderam filhos em situação de violência se engajando em ONGs ou grupos de mães atuantes, por exemplo. Esses novos caminhos, não irão fazer com que a pessoa enlutada encontre um significado para a sua perda, mas poderão ajuda-las a dar um novo sentindo para a sua existência sem o ser perdido.
15- É preciso continuar vivendo.
Por mais dura que seja a realidade da perda, em algum momento você estará pronto para seguir em frente. Irá entender que não é possível voltar atrás e que existem outras coisas que você precisa viver, outras pessoas que precisam de você, outros vínculos para cuidar. Isso não significa que você irá esquecer a pessoa que perdeu. Tudo o que você viveu ao lado dela estará na sua memória para sempre e estará sempre vivo dentro de você. Você sentirá saudades, terá episódios de choro em menor intensidade e se sentirá mais leve. Isso é um bom sinal, não se culpe. Pense que a pessoa que se foi iria gostar que você continuasse vivendo e sonhando!
Espero que essas dicas possam ajudá-los nesse momento e caso sintam que não estão conseguindo seguir sozinhos, não hesitem em procurar ajuda especializada. Hoje existem vários grupos de suporte e acolhimento para enlutados e psicólogos especialistas no assunto e que estão prontos para auxiliá-lo nessa superação.





Por Marcela Alice Bianco
Disponível em: http://www.contioutra.com/respeitando-um-momento-de-luto-15-dicas-para-enlutados-e-para-quem-esta-a-sua-volta/
Acessado em 02/06/2015


Colaborou Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida.
E-mail:patricia.santos@boavida.com.br

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Como falar de morte com as crianças ?

A morte é a certeza mais misteriosa da vida. Essa contradição a torna tão difícil de ser compreendida, que dirá explicada às crianças. Entender como funciona a mente infantil ajuda a ensinar nossos filhos como lidar e conviver com esse tema.


Ziraldo
No playground do prédio, Nina brincava com o irmão quando viu os tios chegando. Aí veio seu avô. Ué, não tinha nenhum encontro da família, por que estavam todos ali? Pouco tempo depois pediram para que os dois subissem e foi no quarto dos pais que a mãe e o avô contaram o que acontecera. A avó havia morrido de repente e todos estavam muito tristes. Quando ela viu a mãe ir ao banheiro para chorar, a menina não teve dúvidas: “Mamãe, abre a porta para eu ficar com você. A vovó sempre dizia que a gente não deve chorar sozinho”.
Vilma, a mulher do cartunista Ziraldo e avó de Nina (que tinha 7 anos na época), morreu em 2000. Dois anos depois, a história dela com os netos se transformou em Menina Nina, Duas Razões para Não Chorar (Ed. Melhoramentos). São desse livro, que virou peça de teatro, as ilustrações desta reportagem. Ziraldo trata a morte de um jeito simples, como criança entende, singelo e bonito. Foi o jeito que o cartunista encontrou de confortar seus netos, filhos, e a si próprio fazendo uma homenagem à mulher com quem passou mais de 40 anos de sua vida: “Músicos fazem um réquiem, os rajás fazem palácios (como o Taj Mahal), os escritores fazem sonetos, eu escrevi sobre ela quando pude”, declarou em entrevista à CRESCER.
Foi a própria Nina que nos contou como foi saber da morte de sua avó. Ainda hoje, 11 anos depois, ela se emociona ao lembrar como foi duro para a mãe e o avô darem a notícia a ela e sofre por não ter mais a Vovó Vivi por perto. Falar de morte com crianças não é mesmo nada fácil. Como a gente pode tentar explicar uma coisa que não entende e que é tão dolorida? Dá uma tentação louca de que nossos filhos não precisem passar por isso, muito menos quando tão novos. Sim, isso já passou pela cabeça de qualquer um que tenha filhos, mas o melhor mesmo é que seja só um desejo utópico. Uma das coisas que todos os especialistas entrevistados para esta reportagem disseram é que, independentemente da idade do seu filho e da situação – se morreu um bicho de estimação, um parente próximo ou um conhecido distante –, não se deve mentir ou esconder o fato das crianças. “As crianças são só crianças, não bobas”, afirma Maria Helena Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Luto da PUC-SP.
É difícil dizer o que seu filho entende em cada idade. Diferentemente dos aspectos do desenvolvimento motor, o emocional é mais individual e depende também das experiências de vida de cada pessoa e família. Mas é certo que, mesmo tão cedo quanto aos dois anos, as crianças são capazes de perceber mudanças no clima e nas emoções da casa. Então seu filho vai perceber se você estiver triste, preocupado, ou agindo diferente. “Se os pais escondem da criança que um cachorro ou peixe do aquário morreu, dizendo que ele fugiu ou sumiu, e depois ela vê o bicho morto, ou mesmo ouve uma conversa sem querer, ocorre a quebra da confiança que ela tem em seus próprios pais”, explica Rita Callegari, psicóloga do hospital São Camilo (SP).
A gente também se engana quando acha que nossos filhos nunca ouviram falar em morte. Ela está nos livros infantis, nos filmes – os pais de Simba morrem em O Rei Leão, a Branca de Neve cai em sono eterno ao morder a maçã, os vilões são mortos pelos mocinhos no final –, nas notícias da TV, nas conversas das pessoas na rua. Também está naquele pernilongo que ela vê morto, nas flores que murcham no vaso.
A diferença é que, até por volta dos 6 anos, a criança não entende que a morte é irreversível. “Nessa fase ela não difere fantasia da realidade, acredita que, assim como nos desenhos animados, dá para se levantar depois que cai uma bigorna na sua cabeça”, ensina Julio Peres, psicólogo e autor do livro Trauma e Separação (Ed. Roca). Ele explica que é preciso deixar a criança “brincar de morto”, sem repreender. Isso, somado às pequenas mortes do dia a dia, dos insetos, plantas e pequenos animais, são um bom treino para entender a sequência da vida e facilita na hora de lidar com uma morte de alguém próximo.

Disponível em : http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI213981-10496,00.html

Acesso em 10/06/2015

Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.
Assistente Social CRESS 4237
E-mail:tassia.hostin@boavida.com.br

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Serviço Social do Boa Vida possui uma logomarca

O Serviço Social do Boa Vida está há 8 anos trabalhando com as famílias enlutadas.
O objetivo desse setor é orientar a família sobre quais os procedimentos necessários diante do falecimento do ente querido.

Nele atuam: Patrícia que é a psicóloga e Tássia que é a Assistente Social e Coordenadora do setor. Estas profissionais possuem experiência e formação específica em como lidar com a família enlutada.
O setor conta ainda com o apoio do Sr. Ademir, Sr.Dalmo e Sr.João que realizam assistência ao velório. Cada colaborador, realiza a assistência numa determinada área de cobertura. Durante a assistência, eles levam 3 cucas que complementam o kit café, em seguida analisam como está a assistência e marcam horário para que a família venha no pós-óbito conversar com a assistente social ou a psicóloga para realizar o registro de óbito, verificar situações gerais do plano, e em alguns casos seguro de vida.

Algumas famílias chegam no pós óbito abaladas devido o falecimento do ente querido, neste momento é colocado a disposição pelos profissionais do setor, o serviço de acolhimento realizado pela Patrícia, psicóloga.

Toda esta estrutura do plano, foi criada e pensada com muito respeito e carinho ao cliente.

E neste ano como forma muito especial, o setor ganhou uma linda logomarca:




Para Tássia Hostin a nova logamarca representa:

"A logo marca representa um coração que é o centro. No meu entendimento é a parte mais importante no corpo humano.
Além disso, esta nova logo representa o reconhecimento, respeito e confiança que a direção e o setor de marketing tem para com os colaboradores e o próprio setor do Serviço Social Boa Vida".

A novo logo para Patrícia dos Santos representa:


"O coração simbolicamente nos remete ao amor, ao cuidado, as emoções mais profundas.
Em meu conceito esta nova logomarca do Serviço Social do Boa Vida busca transmitir exatamente isso; todo o amor para com quem partiu, para os que ficaram, as emoções evocadas com a morte dos seus, dos nossos; e também a humanização e respeito pelo qual prezados tanto no atendimento às famílias que passam por um dos momentos mais difíceis da vida.
O símbolo se fecha em cores alegres e formam um coração, assim como o luto passará por um ciclo, por um processo e ao concluir esse ciclo será possível dar lugar ao novo que também necessitará de um novo colorido".


Por mais que o Boa Vida possui outros benefícios como descontos na rede de parceria e empréstimo de material de recuperação, é no falecimento do ente querido que a família vai perceber e constatar o quanto o Boa Vida foi útil e necessário nesse momento tão delicado.
E os colaboradores do Serviço Social, são os profissionais que atenderão a família e avaliarão com eles como foi todo este atendimento.

Lembre-se: No momento mais difícil da vida, conte com o Boa Vida .
Contrate já o seu plano Boa Vida, clique aqui
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Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.

Assistente Social CRESS 4237
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br 


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Mães que perderam filhos contam como convivem com a ausência ...

Abaixo contem reportagem realizada pela equipe do Jornal Zero Hora que conversou com mães que perderam seus filhos.
Difícil não se emocionar !

Uma dor que não passa: Liliane revisita lembranças da presença do filho do meio, Gustavo, assassinado há três anos. Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

O toque do telefone às 5h e a notícia que a ligação trouxe, numa mistura de choro e gritos, imprimiriam com força a divisão entre a vida transcorrida até aquele momento e a que seria possível depois. Ao pressionar o botão aceitando o chamado, Liliane Severo Cardona foi golpeada pela informação que ela própria teria de reproduzir, inúmeras vezes dali por diante, disseminando o choque entre os familiares na escuridão daquele amanhecer de abril. Sozinha no apartamento onde criara os três filhos, a representante comercial distinguiu como interlocutor o caçula. Incapaz de articular qualquer explicação ou detalhamento, Leonardo sacudiu a mãe ainda sonolenta:
– Mataram o Gustavo. 
Nos três anos decorridos desde o abalo, Liliane vem revisitando lembranças e circulando entre referências da presença constante do filho do meio, assassinado aos 30 anos, ao deixar a academia onde praticava musculação. O porta-retrato ao lado da cama, o vídeo de 37 segundos contendo o único registro restante da voz, a prancha de surfe exposta no quarto da mãe e o carro onde Gustavo foi alvejado reforçam, todos os dias, uma sensação recorrente entre aqueles que enfrentam a mais temida das perdas: filho nunca deixa de ser filho.
– Ele está sempre comigo – diz Liliane, 56 anos. 
Durante um mês, ZH procurou mulheres que aceitassem contar histórias semelhantes – a exemplo da jornalista paulistana Camila Goytacaz, que acaba de lançar Até Breve, José, livro em que narra a expectativa pela chegada e a súbita morte do bebê que viveu apenas 11 dias. Mães que enterraram filhos únicos e optaram por não ter outros, mães que voltaram a encarar o desafio de uma gestação após sepultar o primeiro filho, mães que perderam filhos depois de longos períodos de convalescença, mães que, como Liliane, flagraram-se no estupor da morte repentina.
Em entrevista, Camila Goytacaz explica: "Eu tinha de atravessar aquele deserto só meu"
Muitas delas se recusaram a dar entrevista, temendo ressuscitar, anos ou até décadas depois, aquela dor do princípio. 
– Ainda é muito difícil – confidenciou uma delas, que deu à luz um prematuro que não resistiu em 1986.
Liliane, Simone e Graziela aceitaram o convite, certas de que a experiência compartilhada pode ser alento para quem se vê imerso na mesma dor. A seguir, os relatos que provam que Gustavo, Sabrine e Alice continuam, seguem, são para sempre.

As roupas e os brinquedos ensacados

Graziela, a mãe de Alice 
(Foto: Carlos Macedo)

Três dias depois da morte de Alice, em novembro de 2003, Graziela Martins Rodrigues entrou no quarto da filha de três anos e começou a ensacar roupas e brinquedos. Não queria falar com ninguém, sentindo-se exaurida pela ladainha sem sentido de amigos e parentes: “Foi melhor assim”, “vocês são jovens, terão mais filhos”. Encheu duas sacolas grandes, levadas a um centro espírita para doações. A aflição acabou por invadir um sonho que teve em seguida – dormindo, enxergou a menina.
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– Daniel, a Alice está aqui! A Alice chegou! – avisava Graziela no enredo imaginário, em busca do marido. – Alice, não sai daí que vou te mostrar para o papai.


Emburrada, a menina parecia repreender a mãe pela urgência no esvaziamento de armários e gavetas. Surgiu sem cabelos no sonho, aparência resultante do período da quimioterapia para combater um neuroblastoma gravíssimo. 

– Você já desencarnou, não está mais aqui. A mamãe deu para quem estava precisando – argumentava a mãe, antes de acordar.

Como terapia, Graziela passou a se dedicar ao tricô e ao crochê. Confeccionava sapatos e casacos para crianças que jamais conheceu. No dia 19 de cada mês, em referência à data do falecimento, deixava as peças com as irmãs clarissas do Mosteiro de São Damião, onde tantas vezes rezou pela filha, ou na portaria do Hospital da Criança Santo Antônio, sem se identificar. 

A mãe continuou a abrir a janela do quarto de Alice todos os dias para o sol entrar. Nunca fechou a porta – tinha medo de não mais conseguir abri-la. Entrava, organizava as coisas que sobraram, escolhia novos objetos para dar. Pedia para não ser importunada:
– Se ligarem, não estou. 

A assinatura tatuada
Simone, a mãe de Sabrine(Foto: Carlos Macedo)

Simone Albuquerque Prestes levou oito anos para se desfazer das roupas de Sabrine. Encontrou justificativa para a demora enquanto separava as peças para, enfim, passá-las adiante: deu-se conta de que temia esquecer a filha, morta aos 12 anos, em 2001, em decorrência de uma leucemia. A diferença de 16 centímetros na altura não impediu que a mãe mantivesse, para uso próprio, um roupão para vestir sobre a camisola nos dias mais frios. Os pertences lotaram o carro que partiu a caminho da sede do Instituto do Câncer Infantil. Restou aquilo de que a menina mais gostava: uma jaqueta jeans, uma calça vermelha, um vestido rosa costurado pela avó. Para afastar as traças e prevenir que as roupas amarelassem, Simone as lavava com frequência.
Decidida a tatuar o nome de Sabrine no corpo, a mãe telefonou para um tatuador para checar a viabilidade do intento. 

– Quero escrever com a letra da pessoa – especificou.

– Traz ela até aqui que ela escreve – orientou o profissional.

– É que ela não está mais aqui – disse ela, desconfortável com a sensação de que choca os interlocutores toda vez que tem de revelar essa informação. 

Simone então procurou uma assinatura nos cadernos da menina, ampliando-a até o tamanho desejado. No traçado arredondado da ortografia da pré-adolescente, “Sabrine” está grafado na nuca, acompanhada da figura de uma borboleta. Em uma pesquisa na internet, Simone encontrou o sentido para a imagem que queria eternizar: a borboleta está associada à ideia de renascimento. 

O carro em que ele morreu
Gustavo, o filho de Liliane(Foto: Carlos Macedo)

O Focus azul ainda exibia, duas semanas depois do crime, parte das perfurações dos tiros disparados em direção a Gustavo Cardona na noite de 23 de abril de 2012. Na oficina mecânica, requisitaram-se os serviços básicos, o suficiente para que o carro pudesse rodar de Florianópolis, residência do gerente de lotérica assassinado, até Porto Alegre, onde a mãe, Liliane, enfrentaria um desgastante processo burocrático para revender o automóvel. O para-brisa estilhaçado tinha sido substituído, e a roda avariada no choque do veículo desgovernado contra o portão de um condomínio estava consertada. 

Liliane sentou no banco do carona, procurando cacos de vidros ou manchas que denunciassem a tragédia recente. Certa de que sentiria cheiro de sangue, surpreendeu-se com o perfume do odorizador de ambientes aplicado após a lavagem. Ela e o filho Leonardo, ao volante, partiram sem o retrovisor direito, ansiosos por dar fim a mais um dos dolorosos deveres posteriores à morte. Liliane chorou por todo o trajeto entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. 

– Leo, não corre, a gente não sabe se esse carro está 100% depois do que aconteceu – suplicava ao caçula.

Pararam em Araranguá para tomar o café que Gustavo costumava comprar quando os irmãos percorriam juntos o mesmo caminho. Na chegada, sem garagem disponível no prédio, Liliane deixou o automóvel, provisoriamente, no posto de gasolina ao lado. Em inúmeras manhãs, passou pelo estacionamento e observou o carro. Tinha a sensação de que Gustavo estava em casa.

Vendido para um ex-colega de empresa, o Focus ainda cruza os caminhos da mãe, três anos depois. No verão, foi deixado em uma oficina mecânica próxima ao trabalho da representante comercial para reparos. Ela reconheceu a carro, a mesma placa. Tudo igual. 

– A gente morre junto naquele dia. Ou você aceita, ou você aceita. É uma escada que a gente sobe, cada dia um degrau. Tem momentos em que você volta três, no outro dia você sobe dois. Atualmente eu não tenho voltado nem um nem dois, tenho subido um de cada vez.

Novos lençóis, mesmo berço
Alice, a filha de Graziela(Foto: reprodução, arquivo pessoal)

Apaixonada por café, Graziela estranhou o enjoo que o cheiro da bebida passou a provocar. Menos de um ano após a morte de Alice, a explicação pareceu evidente. 

– Acho que estou grávida. 

A suspeita não representou um susto. Desejosa de outra criança, a mãe em luto não teve dificuldade para decidir encarar uma nova gestação. Questionou o obstetra que acompanhou a gravidez de Alice para se certificar de que o perfil genético dos pais não tinha qualquer relação com o câncer que matou a menina. Feliz, passou a anunciar a novidade a familiares e amigos quando se completaram três meses. Muitos não esconderam o espanto:

– Ai, você não tem medo? 

Na sala de parto, quando o médico retirou o bebê da barriga da mãe e o aproximou para o primeiro contato com os pais, Graziela enxergou um pouco de Alice em Beatriz: era roliça, cabeluda. Em maio de 2005, a nova família entrou no mesmo apartamento da Avenida Protásio Alves. Bia foi acomodada no berço de Alice, com novos lençóis.
Graziela experimentou com Bia muito do que nunca conseguiu experimentar na breve infância da primogênita. Passatempos simples, como uma volta na Encol ou na Redenção e o empurrão que fazia a menina voar no balanço, eram um deleite. 

– Mamãe, por que tá me olhando? – questionava a pequena, intrigada com o deslumbramento. 

Na residência repleta de fotos, Bia cresceu absorvendo a ideia de que a garotinha “foi para o céu”. Por volta dos três anos, frequentando a escola, ela deixava transparecer, entre colegas e professores, a curiosidade pelo que via nos porta-retratos: 

– Sabia que eu tinha uma irmã que morreu de câncer? 

Chamados à instituição, os pais discutiram uma abordagem para o caso, e algumas imagens foram guardadas. Conforme os questionamentos que surgiam, o assunto continuou sendo tratado com naturalidade. 

– Muita gente se cura dessa doença. Gente grande e gente pequena – assegurou a mãe. 

Com a filha mais independente, Graziela voltou a estudar. Tornou-se professora de Educação Infantil. 

O pingente dourado
Sabrine, a filha de Simone(Foto: reprodução, arquivo pessoal)

A altura, o cabelo curtinho e escuro, a idade, o jeito – tudo naquela menina internada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre lembrava Sabrine. Como voluntária do Instituto do Câncer Infantil, Simone brincava com crianças na área de recreação, em uma tarde deste ano, quando a chegada da pré-adolescente lhe deu a sensação de que estava diante da filha outra vez, em um ambiente onde ambas conviveram por tanto tempo. Tímida, a garota sentou e ficou quieta. Simone arriscou um palpite: deveria ser uma paciente de diagnóstico recente. Tentou uma aproximação, pediu ajuda para ligar o videogame que entreteria o grupo.
– Qual é o seu nome? – arriscou. 
Quatorze anos depois da morte de Sabrine, Simone estuda Psicologia. Pretende se formar em 2018 e se especializar na área de oncologia. Está cadastrada como doadora de medula óssea há uma década, esperando pelo telefonema que anunciará a possibilidade de salvar alguém. Separada do pai da única filha desde a época do tratamento, ela teve outros relacionamentos e chegou a pensar em mais um bebê, mas acredita que não encontrou um parceiro à altura para um planejamento conjunto. 
Na casa onde mora com os pais, em Canoas, Simone posa para o fotógrafo da reportagem, que registra um close do pingente dourado em formato de menina que ela carrega no pescoço. A mãe de 43 anos segura a corrente com as duas mãos. Chama a atenção para um anel de ouro na mão esquerda: leva-o no meio do dedo, como a filha também gostava de usar. A joia tem a inscrição “Sabrine” na face externa. Mal se pode ler as letras, que estão desgastadas. Quer gravar o nome de novo, garante. 
– Meu sentimento é a falta de uma coisa que eu nunca vou ter – descreve. – Como poderia ser? Como teria sido?
A motoca cor-de-rosa
Pode-se ver Alice em diversos pontos do apartamento de Graziela e Daniel, que tiveram a terceira filha em 2013. No quarto das crianças, onde Cecília ocupa o berço e Beatriz a cama “grande” da irmã que jamais conheceram, há também brinquedos que foram redescobertos ao longo dos anos. Bia, 10 anos, gosta de uma caneta em formato de bailarina já sem tinta. Cecília, um ano e oito meses, aprende a se locomover na motoca cor-de-rosa em que o pai, por um cordão amarrado na frente, puxava a primogênita doente pelo estacionamento do hospital quando ela conseguia deixar o quarto por alguns instantes para brincar na rua. 

– Como é que seria eu, a Alice e a Ceci nesse quarto? – pergunta Beatriz para a mãe, vez ou outra, intrigada com a possibilidade de um cômodo daquele tamanho abrigar três ocupantes. 
Há poucos dias, Graziela encontrou um DVD com a identificação “Alice”. Resolveu assistir para relembrar o que continha. Era o batizado, celebrado em março de 2000. Logo percebeu, nos protagonistas da cerimônia na Catedral Metropolitana, o efeito dos 15 anos passados desde então – a cor do cabelo do marido, os quilos a menos que ela exibia, a aparência dos sogros, a bisa que não está mais aqui. 
– Meu Deus, como eu envelheci – surpreendeu-se a professora. 
Daniel chegou e encontrou a mulher diante da TV. Confrontado com a versão mais jovem de si mesmo, concluiu, também, estar velho. Graziela se achou bonita aos 25 anos. Beatriz, surpresa, juntou-se aos pais para conferir a gravação. Absorta em lembranças, a mãe elogiou os traços da primeira filha, numa época em que a família ainda desconhecia a nervosa rotina fixada por uma enfermidade grave. Encantou-se de novo com as bochechas do bebê de quase três meses em um vestidinho branco. 
– Ah, que saudade da minha filha.​

Por: Larissa Roso

Referência:
http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/05/maes-que-perderam-filhos-contam-como-convivem-com-a-ausencia-4766287.html

Colaborou: Tássia Hostin - Assistente Social CRESS 4237-
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida