segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Como conversar com crianças sobre luto, morte ...


         
 
Segundo a Dra. Rélim Angonese Hahn  - Psicóloga (CRP 07/11884), especialista em luto, psicoterapias breves e espiritualidade por menor que seja a criança, diante do falecimento do ente querido, ela percebe o que está acontecendo e é comum que ela sofra em silêncio, por receio de entristecer os familiares com a sua dor.
Por isso, facilite para que a criança vivencie as reações de luto no momento da perda, incluindo-a no compartilhar da família. Acredite na força interna que ela possui.

Como dar a notícia?

• Seja verdadeiro, fornecendo informações claras e sem exagero.
• Alguém que a criança confia deverá dar a notícia, dizendo que a pessoa morreu e que todos estão muito tristes com isso, escolhendo um local tranquilo e familiar da criança.
• Não tente proteger a criança, afirmando que a pessoa está dormindo ou viajando. Reforce que a pessoa não irá voltar, que ela não optou por morrer e que isso não significa que o mesmo acontecerá com os demais familiares.
• Ao dar a notícia, mantenha-se próximo da criança, confortando-a no momento e posteriormente, deixando-a sob os cuidados e apoio de um cuidador afetuoso, se você precisar ausentar-se.
• Abra a possibilidade de fazer perguntas e tê-las respondidas honestamente. Fale só o necessário e o que ela perguntar. Algumas respostas podem ser construídas em conjunto e com o tempo.
• Não se surpreenda com reações aparentemente sem emoção ou inapropriadas no momento da notícia. Reconheça as limitações e capacidades de uma criança de compreender o que está acontecendo.
• Permita que a criança experimente a dor em seu próprio ritmo.
• Combinem o que será dito em família para que todos falem a mesma linguagem.

As crianças devem participar do funeral?

É importante para a criança participar do funeral, mas precisa-se respeitar o desejo dela, assim como respeitar o tempo de permanência que ela tolerar e de preferência pouco tempo.
• Escolha momentos mais propícios, evitando levá-la na abertura da sala velatória e no fechamento da urna, para preservá-la do impacto frente a possíveis reações de desespero dos adultos.
• Prepare-a antes, explicitando as questões práticas de um velório e o que a criança irá encontrar.
• Preferencialmente, alguém que a criança confie deverá acompanhá-la, segurando-a no colo ou pela mão para que se sinta mais segura.
• Não a force a nada, como chegar perto da pessoa falecida, encostar ou beijá-la.
• Mantenha-se disponível para responder perguntas sobre velório, urna, enterro, etc.


Como lidar com crianças que sofreram essa experiência?

• Evite, sempre que possível, outras mudanças, como troca de residência, de escola, mudanças de planos e programações. Preserve a permanência da rotina da criança.
• Reafirme constantemente que ela é amada e que foi amada pela pessoa perdida.
• Dê especial atenção às lembranças e sentimentos da criança. Ofereça uma escuta continente, ou seja, um espaço para permitir à criança falar de suas possíveis culpas, revoltas, auxiliando-a para a organização de seus pensamentos.
• Limites são tranquilizadores e necessários para as crianças, mesmo para as que sofreram essa experiência, portanto, não as superprotejam.
• Não tente substituir a pessoa falecida, pois cada pessoa é única. Auxilie a criança a enfrentar e compreender a falta.
• Busque o auxílio de um psicólogo se perceber reações intensas e persistentes, como, por exemplo, um cuidado compulsivo com outras pessoas, forte autoacusação, euforia em demasia, acidentes constantes e queixas de problemas de saúde semelhantes ao da pessoa perdida, longo período de rejeição de alimentos e transtornos do sono.



Texto elaborado pela psicóloga clínica Rélim Angonese Hahn (CRP 07/11884), especialista em luto, psicoterapias breves e espiritualidade, por iniciativa e solicitação do CEEM FGV – Centro de Ensino Empresarial, instituição conveniada da Fundação Getulio Vargas. Contato: relim.hahn@gmail.com


Acesso em 14/09/2015. 

Colaborou Tássia Hostin –
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida

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