terça-feira, 26 de janeiro de 2016

“Vai viver, cara”


O publicitário Paulo Camossa, 50, se viu diante da fragilidade da vida depois de perder a filha Amanda, na época com 18 anos. Sete anos depois, ele tem uma resposta clara sobre como conseguiu dar um novo sentido à própria existência: nunca rompendo com a memória e tentando viver com a mesma intensidade que Amanda viveu.

Na foto Paulo e a filha Amanda (In memory)




“Em nenhum momento achei que ela tivesse desaparecido. Aprendi a lidar com a dor enxergando a partida como algo natural, um pedaço da própria existência – a morte significa um novo jeito de existir. Nem sei com que frequência penso nela. Sei lá, todos os dias? Se eu escuto uma música que gostávamos de ouvir juntos, vou pensar em nós, claro, mas de um jeito diferente: ao invés de ‘eu queria que você estivesse aqui para ouvir isso’, penso ‘se você estivesse aqui, iria amar ouvir isso’. Ela aparece para mim das formas mais variadas, nas coisas que eu vejo, nas coisas que eu faço. Quando me perguntam se tenho filhos, sempre respondo: ‘Sim, uma filha. Ela não está mais aqui com a gente’.

Nossa história começou quando ela nasceu, dois anos depois do meu casamento – casei cedo, aos 22, mas logo me separei. Foram quatro anos até o dia em que ela foi morar comigo. E foi assim, desde então. Vivemos juntos desde os seus oito anos até o momento da sua partida.

Amanda sempre foi a minha prioridade. Tivemos uma relação muito forte, talvez até incomum entre um pai e uma filha, especialmente naquela época. Mesmo com a vida agitada da agência, cheia de coquetéis e viagens, sempre preferi ficar com ela. Nossas memórias estão vivas: lembro com clareza de datas, como do 7 setembro de 1998, quando ela aprendeu a andar de bicicleta no Ibirapuera; ou do dia 20 de dezembro de 2008, nosso último passeio a pé – assistimos Vicky Cristina Barcelona no Reserva Cultural e depois saímos caminhando pela Paulista de ponta a ponta. Eu tinha medo de esquecer das pequenas coisas, mas lembro de tudo, a toda hora: inclusive de que nunca ia dormir sem antes lhe dar um abraço de boa noite.

Aos 18 anos, ela tinha acabado de entrar na faculdade (a mesma que eu havia cursado) e estava, de certa forma, encaminhada, com estágios garantidos. E feliz. Até o dia em que voltou da aula, tomou sol (o porteiro do prédio me contou), falou com a Bel, a moça que trabalhava na nossa casa, e foi deitar. Eu estava no trabalho quando a mãe dela me ligou à tarde, preocupada, dizendo que ela não atendia o telefone. ‘Normal da idade, claro que está tudo bem’. Voltei para casa no horário de sempre e encontrei a porta do quarto fechada, com a luz da TV passando pela fresta inferior. Ela estava lá dormindo, linda. Fui dar um beijo nela e senti seu rosto frio. Chamei um vizinho médico, depois o SAMU. Tentamos trazê-la de volta, mas ela já havia partido. Desligou.

A causa oficial, segundo o laudo, foi um edema pulmonar agudo. Nunca tinha acontecido nada similar na família, mas não havia o que fazer – era preciso aceitar. Por sorte, toda a nossa história me confortava.

A energia boa das pessoas próximas me amparou. Como ela teve uma morte incomum, o funeral aconteceu dois dias depois e logo já me vi cercado de gente querida. Esse apoio me anestesiou. Tanto que, desde seu velório me tornei mais frequente nos velórios da vida, pois entendi o quanto é importante estar presente – mês passado, o pai de um amigo faleceu em Pirassununga num domingo, logo depois de eu ter retornado a São Paulo (Pirassununga é minha cidade natal). Parei tudo e voltei para a estrada.

Mas chega uma hora em que, depois de tanto amparo, as pessoas que nos cercam vão tocar suas vidas. E a gente fica, tentando encontrar um jeito de seguir. No meu caso, passei a trabalhar pela memória dela, dia após dia. Editei vários vídeos e coloquei todos no Youtube.


Também montei a playlist da sua vida – nós amávamos música, era parte fundamental do nosso relacionamento. E de uns tempos para cá escrevo nas redes sociais em seus dois aniversários (o de chegada e o de partida) coisas como ‘25 curiosidades aleatórias sobre a Amanda Camossa’ (duas: ela nunca misturava arroz e feijão e preferia misto frio a misto quente). Não concordo quando dizem que ela viveu pouco. Ela viveu muito por 18 anos, influenciou profundamente quem vivia ao redor. Ela é de uma intensidade incrível. Ela é – assim mesmo, no presente.

Outro dia trombei um amigo que não via há anos: ‘Pô, e como está a Amanda? Deve estar enorme, né?’. Dei um abraço forte nele: ‘Que bom que você se lembra dela! Mas ela não está mais aqui’. E ele: ‘Como assim, mano? O que aconteceu?’. O cara ficou desolado, achou que tinha dado um fora. Mas, poxa, não precisava: ‘Não te falei que fiquei imensamente feliz só pelo fato de você perguntar por ela?’.

Não sou cético e de fato não acredito que a vida é só o que temos aqui. Minha formação é católica e minha crença ligada ao Kardecismo. Porém, fé é algo que transpõe doutrinas. Prefiro não falar de religião porque essa ideia nos leva a seguir uma corrente só. A fé é um feeling, um sentimento, uma certeza de que existe algo além. No meu caso, de que a minha filha está comigo. Minha serenidade é 100% fé.

Já tive vários encontros com a Amanda. Há sonhos que são sonhos e há sonhos que não são sonhos. Algumas vezes, eu a sinto no vento. Claro que tenho saudade – e isso não é, necessariamente, ruim. Saudade é uma forma de presença: a gente só sente do que já foi bom. Às vezes, bem às vezes, sinto um aperto mais forte, dolorido. Mas passa. Sei que a nossa ligação vai muito além daqui.

A Amanda me fez parar para pensar em mim. Eu tinha um trabalho que adorava, mas havia uma inquietação: o que eu mais gostava de fazer era insignificante para a agência. Eu ficava feliz quando conseguia ajudar produtores de conteúdo a viabilizarem seus projetos – eu trabalhava com mídia, conhecia bem o mercado. E pensava: ‘se nada diferente acontecer comigo, ainda tenho uns 40 anos pela frente. Vou querer viver muito ou pouco?’. Até que a minha cabeça começou a se organizar para viver… muito. E decidi ser leve. Abandonei o carro e passei a caminhar exaustivamente pela cidade, do Ipiranga ao Carandiru. Reconquistei uma simplicidade que sempre esteve dentro de mim – mesmo quando publicitário, nunca gostei da bajulação –, mas que havia se apagado exatamente por eu nunca ter parado para me escutar.

Tirei um ano sabático, aprendi a mergulhar, a mixar música, a editar livro e fiquei um tempo em Boston dando um tapa no inglês. Todos esses cursos me ensinaram muito mais que suas próprias metodologias – o mergulho, por exemplo, é um curso ‘de cagadas’, em que você treina para se virar em situações que podem dar errado (mas no final dá tudo certo). Na mixagem entendi que coisas diferentes podem combinar entre si para criar uma outra coisa. E hoje faço exatamente isso: misturo sem medo conhecimentos aleatórios que adquiri ao longo da vida. Acabei de abrir minha própria empresa e alugo uma cadeira em um espaço de co-working ao lado de pessoas fantásticas, que me ensinam todos os dias. Tenho uma vida mais flexível, como sempre quis.

A ideia de viver muito – e bem – veio da Amanda. Foi ao entender a intensidade da sua existência que resolvi levar a minha na direção das coisas que me movem de verdade. É como se ela me dissesse todos os dias: ‘vai viver, cara’.”


Referência: 

http://vamosfalarsobreoluto.com.br/2016/01/09/vai-viver-cara/#.VpVrPnesSbY.facebook

Acesso em 21/01/2016.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A dor da perda de um pai ...Uma lição pra vida a partir da morte

Eu sei. Não é o melhor assunto pra abrir o ano: a morte. Mas ela me pegou no susto, no finalzinho de 2015. Meu pai. Não foi o pai de outra pessoa. Foi o meu. A dor é dilacerante, visceral, avassaladora, eu me sinto do avesso, em carne viva. Uma ferida profunda? Não, minha amiga. É muito maior que isso. Quem chama só de "ferida" não entende o que esta perda representa. Aliás, nada mais clichê mas absolutamente verdadeiro do que dizer que só quem passou por isso é capaz de entender. 

Meu pai? Cheio de vida, planos, sonhos. Com passagem já marcada para vir me visitar, com detalhes acertados para as próximas férias. Aquele que vibrava com tudo o que eu fazia. Mas tem tanta gente para ir antes dele! Nem doente ele estava pra ter aquele papo de "foi melhor assim pois ele estava sofrendo numa cama de hospital".

Mas eu não estou aqui pra me vangloriar por saber exatamente o tamanho dessa dor. Porque vamos combinar, eu e você que já enfrentamos isso, sabemos que é uma grande merda. A maior de todas. 

Quem pari um filho não esquece jamais a sensação de plenitude, de poder, de realização. Eu achei a explicação para a minha existência no mundo quando meus filhos nasceram. Mas perder alguém? Perder é o oposto disso,  é dar de cara com a ausência. É cair do alto de um precipicio porque você não encontra o chão. É se sentir absurdamente impotente.

Sempre fiquei intrigada de como uma pessoa consegue continuar vivendo a partir da perda de alguém muito importante. E eis me aqui, exatamente nesta situação. Só que apesar de dilacerada, eu não me sinto inconformada. A minha força vem de uma fé incrível. Porque existe em mim uma certeza absoluta: de que meu pai não morreu, ele foi morar com Deus. E quando for da vontade de Deus, eu vou encontrá-lo numa vida eterna. Cada um tem uma fé (ou não). E pra mim a certeza de onde meu pai está agora ajuda a me acalmar. Eu não consigo imaginar qual conforto e explicação pode ter alguém sem nenhuma fé. Respeito, mas eu tenho a impressão de que a dor se multiplica. 

Outra coisa que tem me servido demais é o carinho das pessoas que me querem bem e a preocupação de quem eu nem imaginava. O poder do afeto, manifestado de diferentes maneiras, é impressionante. 

E ainda que a saudade pareça uma facada no peito que tem me deixado sem ar, eu estou tentando matematicamente me explicar. O tamanho do amor pelo meu pai é diretamente proporcional ao tamanho dessa minha dor. Se eu não o amasse tanto, se ele não tivesse me amado tanto, não haveria tanto sofrimento. Simples assim.

E aí eu me dou conta que existem motivos para o meu coração ser grato, ainda que ele esteja aos pedaços. E, absurdamente, o meu contato com a morte me traz uma coisa boa agora: a necessidade de valorizar a vida. Eu não posso me esquecer do que o meu pai repetia sempre pra mim e que nessa hora faz tanto sentido: a gente precisa amar mais e esquecer as besteirinhas que nos impedem de sermos felizes, gratos e alegres. A gente perde tempo com tanta coisa insignificante! Por isso eu quero conseguir ter uma vida com significado, sem nada pendente, com saldos positivos e razões para me orgulhar. É o que eu sinceramente desejo pra sua vida também. Feliz 2016 pra todos nós.

Fabiana Santos é jornalista, casada, mãe de Felipe, de 11 anos, e de Alice, de 4 anos. Eles moram em Washington-DC. O pai dela morava no Rio de Janeiro. A distância nunca foi empecilho já que cada encontro era aproveitado sempre da melhor maneira.   






Referência:

http://tudosobreminhamae.com/universo-paralelo/2016/1/6/9e3amvnxaageahoo6xnukotm30r1y9

Acesso em 19/01/16 

Colaborou Tássia Hostin - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

OS 5 MAIORES ARREPENDIMENTO ANTES DE MORRER


E se você for morrer amanhã, de que se arrepende?

Baseada nessa pergunta, a enfermeira australiana Brownie Ware que cuidava de pacientes terminais, lançou-se a pesquisar com seus pacientes quais eram os maiores arrependimentos destes em suas últimas semanas de vida e os publicou em um livro intitulado, The Top Five Regrets of the Dying (Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer).


Os temas mais citados foram:

1.Gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim. As pessoas geralmente fazem pelos outros coisas que elas acreditam que é importante para os outros, mas a maior parte das vezes o outro não pediu isso. Aí querem um acerto de contas no final, e isso é tão sério que pode criar realmente um acerto de contas no final. Quando se deixa de fazer alguma coisa que é importante para você para fazer algo que é importante para outra pessoa, esse tempo não volta mais. Em função de agradar o outro, a maior parte das pessoas entrevistadas deixou de realizar mais da metade dos seus sonhos para agradar as outras pessoas. “A saúde traz uma liberdade que poucos percebem que possuem, até que a perdem”.

2. Gostaria de não ter trabalhado tanto. As pessoas que tiveram um trabalho que as enriqueceram, transformaram, que fizeram suas vidas melhores, do ponto de vista material ou como ser humano, essa cobrança raramente acontece, mas se o trabalho traduziu-se como peso, o arrependimento veio. Bronnie conta que esse desejo era comum a todos os homens que ela atendeu. Eles falam sobre sentir falta de ver as crianças crescendo ou da companhia de sua esposa. Isso não quer dizer que as mulheres não apresentem a mesma queixa – mas como a maior parte das pacientes da enfermeira são de uma geração mais antiga, nem todas precisavam trabalhar para sustentar a família.

3. Gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos . Essa é talvez a coisa mais bonita que acontece no fim da vida: Perde-se a capacidade de fingir sentimentos. “E se eu tivesse feito o que eu amava”? Por mais terrível que seja a pessoa, no fim da vida ela começa a manifestar o que tem de bom por dentro, e esse bom que ela tem por dentro é demonstrar afeto. De acordo com a enfermeira, alguns de seus pacientes até desenvolveram doenças por carregar esse rancor e esse ressentimento e nunca falar sobre o assunto.

4. Gostaria de ter mantido contato com meus amigos mais antigos. As relações que as pessoas pesquisadas tinham com seus amigos, na maioria eram mais honestas e verdadeiras do que as que tinham com a própria família. Afirmaram ter grande vontade de estar com os amigos nos momentos finais da vida, por saberem quão especiais eram esses momentos finais. “Todos sentem falta dos amigos quando estão morrendo”, afirma Bronnie.

5. Gostaria de ter sido mais feliz. Esse arrependimento é um resumo de todos os outros e surpreendentemente comum. Muitos só perceberam que a felicidade é uma escolha no final da vida. Hábitos, zona de conforto faz com que as pessoas fiquem engessadas, pois o medo da mudança é tão grande que faz as pessoas fingirem a vida toda para si e ao próximo que estavam contentes e satisfeitas, quando queriam aproveitar a vida de outra forma."O prazer é breve, o sofrimento é pequeno. O arrependimento é eterno e a glória não tem fim"(Francisco de Assis).

Se durante a leitura desse texto, despertaram aí alguns assuntos não resolvidos ou arquivados, termine a leitura, vá lá o quanto antes e faça o melhor que puder.





Referências:

Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer. Disponível em: http://www.administradores.com.br/mobile/artigos/carreira/os-cinco-maiores-arrependimentos-antes-de-morrer/87077/. Postado por Sandro Rafael em 11 de maio de 2015. Acesso em: 07/01/2016.

Os 5 arrependimentos mais comuns à beira da morte: Disponível em:



Colaborou Patrícia dos Santos - Psicóloga CRP 12/10686
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br


terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Bem vindo 2016 !!!!!

Iniciamos 2016 a todo vapor e nada mais justo do que começar o ano com uma reflexão motivacional e uma história linda contada pela apresentadora Ruana Homem do Espírito Santo.

Para refletir :


"Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente 
acreditam que o poder realizador reside no interior de cada
 ser humano, sempre que alguém descobre esse poder algo
 antes considerado impossível se torna realidade".
Albert Einstein


Depoimento de Ruana Homem, ao observar um Sr. entregando folders:

"Hoje andando pela avenida me deparei com um senhor de uniforme entregando panfletos pras pessoas. Mas o que me chamou mais atenção foi que, mais do que entregar pro povo na rua, ele passava os panfletinhos por debaixo das portas do comércio que já estava fechado.
Não sei se ele é o dono da empresa ou o entregador dos panfletos, não sei nem o tipo de negócio que ele divulgava, mas algo me tocou, sabe? Porque mais que um pedaço de papel anunciando alguma coisa, ele passava entregando pedaços de esperança. (...as portas estavam fechadas, a probabilidade de alguém se interessar em ler amanhã é pouca, mas ele tinha uma postura de quem acreditava no que estava fazendo.)
Acho que a vida conversa com a gente o tempo todo. Se formos capazes de escutar vamos ouvir milagres acontecendo a cada momento.
Em época que falar de "crise" já virou clichê, aquele senhor me mostrou que devemos acreditar e transformar a crise numa criação.
Ele nunca saberá que me inspirou.
Ele nunca saberá que naquele momento em que o vi se abaixar para passar seu anúncio pela porta um milagre acontecia.

Talvez o meu milagre de hoje foi perceber que somos donos da nossa esperança e que as vezes podemos passá-la por debaixo de uma porta.
Talvez o milagre daquele senhor seja receber um monte de ligação por conta dos seus panfletos. (E é o que eu realmente espero que aconteça - pois ele ACREDITA.)
E pra todos nós espero que cada dia das nossas vidas comece como os panfletinhos debaixo de portas fechadas: com esperança, trabalho e força de vontade".


‪#‎NadaDeCrise‬ ‪#‎TudoDeCRIE‬




Referência: 

https://www.facebook.com/ruana.homem?fref=ts

Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Assistente Social CRESS 4237
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br