sexta-feira, 4 de março de 2016

Você gosta de olhar as fotos de quem partiu?


            Como você se relaciona com as fotos das pessoas amadas que partiram? 
    Fizemos essa pergunta em nossa enquete do mês e a resposta mais clicada (45%) foi a alternativa “gosto, mas fico bastante emotivo… por isso não vejo tanto”. Soa familiar?




“Olhar uma foto pode ajudar você a se conectar com a presença interna da pessoa amada. Para algumas pessoas, no entanto, a imagem remete à falta e isso causa sofrimento, diz o psicólogo Carlos Carvalho. As diferentes reações são compreensíveis, como revelam as outras duas respostas da nossa enquete, por ordem de preferência: “sim adoro, vejo sempre” (42%) e “não, me deixa muito triste, prefiro evitar” (12%).

Resultado da enquete:

A partir desse resultado fomos tentar entender se alguma das atitudes seria mais benéfica no processo da elaboração do luto. O consenso é de que não existe um jeito que ajuda mais ou outro que ajuda menos. Existe, como na maioria das situações que envolvem o luto, a necessidade de respeito absoluto ao desejo de cada um. “Não tem certo ou errado” diz a psicóloga Elaine Gomes dos Reis Alves, do Laboratório de Estudos sobre a Morte da Universidade de São Paulo. “Mais importante do que entender se as fotos das pessoas queridas vão deixar o enlutado mais triste ou feliz, é respeitar a vontade de quem perdeu alguém vê-las ou não. É autorizá-las a fazer o que desejam. É tão natural que queiram vê-las para entrar em contato com a imagem de quem partiu quanto compreensível que se emocionem e prefiram, por algum tempo, evitá-las”, diz a Dra Elaine. No entanto, é fundamental, mesmo para aquele que prefere não olhar as fotos num primeiro momento, conservá-las, mantê-las à disposição para quando quiserem acessá-las. “O que faz bem,” diz a psicóloga, “é saber que pode tomar as próprias decisões. Hoje a pessoa não quer ver, mas em algum momento vai querer. As fotos ou filmes estarão lá para isso. O enlutado vive um momento, logo a após a morte da pessoa querida, muito fragilizado. Está muito vulnerável às opiniões alheias. A maior parte das pessoas com quem trabalhei em consultório que diziam querer descartar fotos e pertences o faziam, na maioria das vezes, por terem sido aconselhadas a isso por quem acredita que agindo dessa maneira vai amenizar o seu sofrimento.”

As fotos e filmes são importantes porque, além de registrarem imagem da pessoa querida, cumprem o maior desejo de todos que perderam alguém que amavam: não permitir que sejam esquecidas. “Uma das atitudes que tem ajudado em casos de perdas gestacionais tardias ou óbitos neonatais é deixar que os pais passem um tempo com o filho e se desejarem, fazer uma foto do bebê”, conta Dra. Elaine. “Até pouco tempo, no caso de bebês natimortos ou mortos no parto orientava-se os pais a nem verem os filhos. Isso felizmente mudou e hoje eles são incentivados a pegá-los no colo, vesti-los e passar um tempo com eles. Os pais que fazem uma foto desse momento relatam depois sentir um conforto a partir da imagem feita, enquanto os que não tem uma foto dizem que lamentam não ter um registro do filho”diz a psicóloga.


 Por Cynthia de Almeida 


Acesso em 02/03/2016


Colaborou Tássia Hostin - 
Assistente Social CRESS 4237
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

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