quarta-feira, 29 de junho de 2016

Colaboradoras do Boa Vida participaram do LELU+20:Chronos e Kairós na Jornada sobre luto-PUC-São Paulo

Nos dias 24 e 25 de Junho a psicóloga Patrícia dos Santos e a assistente social Tássia Hostin de Deus, profissionais que atuam com famílias enlutadas no plano Boa Vida, participaram da Jornada LELu + 20 (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto) na PUC em São Paulo - SP.


Foi uma experiência incrível participar desta jornada, onde profissionais das áreas de psicologia, direito, medicina, serviço social, filosofia e administração de cemitério, trouxeram reflexões a respeito do tema morte e luto em diferentes perspectivas.


O encontro com renomados profissionais que são referência em desenvolvimento de pesquisa, projetos e qualificação contínua de outros profissionais que atuam com demandas de perda e luto, além de oferecer o suporte para pessoas que vivenciam esse processo é algo muito valoroso e motivador.

Dra.Maria Helena Pereira Franco, fundadora e coordenadora do LELu, co-fundadora do Instituto 4 Estações, foi homenageada com honras mais que merecidas por toda a construção de um espaço para discutir sobre o tema, ajudar as pessoas e os profissionais.


Dra.Luciana Mazorra, Dra.Gabriela Casellato e Dra.Valéria Tinoco também co-fundadoras do Instituto 4 Estações e participantes da trajetória do Lelu estiveram presentes na jornada.
Nomes internacionais como Dr.Colin Murray Parkes, Connor, e Dr.Kenneth J. Doka estiveram presentes através de entrevista concedida por videoconferência a Dra. Maria Helena.

A Psicóloga Gláucia Rezende Tavares (autora do livro Do Luto Á Luta), membro e fundadora da Rede API-Apoio a Perdas Irreparáveis de BH Minas Gerais e Teresa Gouvea Psicóloga especialista em Luto pelo 4 Estações e criadora do blog Laços e Luto também participaram da jornada.


Fotos da Jornada:




Tássia, Dra.Gláucia e Patrícia:


                                                   Patrícia, Dra.Luciana e Tássia:




  Patrícia, Dra.Maria Helena e Tássia:




                                                    Patrícia, Dra.Gabriela e Tássia:







Colaboraram Patrícia dos Santos e Tássia Hostin de Deus -
E-mail: servicosocial@boavida.com.br

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Você vive em mim, eu vivo em você !


A jornalista Renata Piza escreve um relato amoroso e corajoso sobre a morte súbita do marido Daniel Piza, aos 41 anos, e conta como demorou para descobrir a expressão "Ubuntu" - eu vivo em você, você vive em mim", o estalo e conforto que precisava para, como ela diz, "dobrar de tamanho" e seguir com ele dentro de si.

O meu ex-marido, provavelmente a pessoa mais brilhante que conheci, foi demitido algumas vezes, o que sempre me pareceu suspeito. Não entendia como alguém tão bom, tão inteligente, tão bom caráter pudesse ter sido preterido por algum chefe. Pensava, intimamente, se era a personalidade forte dele, se talvez fosse “culpa” dele. Tola eu. Ele ria. De verdade não se importava e me dizia que muita gente é demitida simplesmente porque tem chefes ruins, não porque é um profissional ruim.

Faz 4 anos, 3 meses e 9 dias (data em que escrevo esse texto) que o meu marido se transformou em ex sem que eu pudesse palpitar a respeito. Onde foi que eu assinei?! Eu nunca concordei. Coisa estranha virar ex dessa maneira, sem briga, sem discussão, sem juiz, sem caneta.





Daniel e Renata Piza

Até bem pouco tempo atrás eu relutava com a palavra. Ex? Será que isso ai tá certo? Não nos separamos, não nos divorciamos e mesmo quando comecei a namorar outra pessoa, me sentia meio Dona Flor, meio traíra. Mas meu analista foi decisivo: “a morte é a maior das separações, Renata. Lembra do até que a morte os separe?”.

Daniel, meu ex, como meu analista quis me convencer a enxergar, não era só o meu marido. Era o pai dos meus filhos. Meu amigo. Um pouco meu pai também, já que meu pai morreu quando eu tinha 19 anos. Meu conselheiro, coaching de vida, coaching profissional – embora detestasse essas nomenclaturas. Era o cara mais gente boa da Terra. Bom de verdade, sabe? Em tudo o que fazia era bom, porque essa era uma condição tão impregnada em seu coração, que era impossível ser diferente.

Mas ele não era “apenas” bom. Era íntegro, inteiro, gostassem ou não gostassem dele. Não era o tipo de gente que faz concessões pra agradar aqui ou acolá. Era conhecido por alguns como Dani le rouge, por conta de seus cabelos, mas muito mais por conta da sua postura. Muitos o chamavam de Piza, também. Eu? Chéri, porque nunca vi alguém ser de verdade tão querido na vida. Tão parceiro.

Quando ele morreu, subitamente em 30 de dezembro de 2011, passei algum tempo fora de mim, como se estivesse morta também – só que presa aqui. Como se minha alma tivesse partido e não avisado meu corpo. Queria acordar desse roteiro grotesco que eu não tinha escrito – e tinha certeza de que ele também não. Lembro de chorar muito, comer o mínimo, cortar o cabelo, cortar a pele, brigar com Deus. Um Deus, confesso, de quem não era nem tão íntima, que fui conhecendo depois, tudo a seu tempo, imagino.

Lembro de flashes. O barulho dele caindo no chão do banheiro. A luz se apagando da sua retina. A respiração silenciada. O cobertor de zebra, que enrolei nele para tentar esquentá-lo. Estava tão frio. Estávamos na serra, mas obviamente, o frio era de outra natureza. Lembro das horas infinitas até a funerária chegar. Lembro de ir ver o caixão e de achar o terno que colocaram nele tão feio, tão injusto… A gente se apega a pequenos detalhes.

Lembro da Bia, amiga-irmã, que no meio desse horror à la Conrad, conseguiu se sustentar sobre as pernas e acalmar as crianças. Lembro da Micky, que deixou os filhos e o marido, e passou o 31 de dezembro comigo no cemitério, tão generosa, tão humana. Lembro da minha mãe e do marido dela. Do Renato, irmão do Dani, que também não saiu de lá. Éramos 5 pessoas entre uma dimensão e outra qualquer, esperando o dia raiar e os outros chegarem para fazermos o enterro, esses rituais todos que parecem expandir o sofrimento.

Lembro de olhar para a mão do Daniel e perceber que ela estava na mesma posição que ele costumava deixá-la em vida. Quase surreal. Lembro do Fred, de joelhos na grama, na hora do enterro, numa visão tão doída, que parecia a minha refletida no espelho. Lembro de voltar pra casa, com duas crianças, sem emprego (estávamos de mudança de país e tinha pedido demissão) e sem a menor ideia de como levantaria da cama no dia seguinte. De como diria para o meu pulmão “ei, amigo, continue respirando”.

Mas existe um mecanicismo na vida, Newton estava certo. Por mais que você não queira, o ar entra e sai; o sangue circula, o coração continua batendo; as pálpebras abrem; os pássaros, desaforados, insistem em cantar. Um amigo aparece, uma chefe boa te oferece o emprego de volta (gratidão, Lenita e Dulce), o rosto dos seus filhos te lembram que eles precisam de você, mesmo que você não saiba como ajudá-los, como dizer que tudo vai ficar bem.

Por muito tempo não fica, menti um pouco pra eles, mas não vou mentir pra você. Por muito tempo, talvez pra sempre, você sinta que violentaram a sua alma, que tiraram uma parte sua. Nas minhas divagações, aliás, pensava em barganhar com Deus. Leva uma perna, um braço, deixa o Daniel. Tola eu.

Aceitar a morte é provavelmente a única garantia que temos da vida, e justamente a mais difícil. É dizer o óbvio: não controlamos nada, não existe sempre justiça ou, pelo menos, não conseguimos ver a figura completa. Por que alguém saudável, com três filhos, uma mulher apaixonada, um emprego incrível, tantos amigos, tantos leitores, tanta, tanta vida tem que morrer aos 41 anos?

Não tem. Não morreu, não está embaixo da terra. A energia, a força, a compaixão e quem sabe um pouco da inteligência e do coração de leão do Daniel estão comigo, estão com nosso filhos, estão em seus livros – leia, são bons, eu garanto. Um sopro de lucidez nesses tempos tão incertos.

Demorou um pouco, alguns anos, para eu descobrir o que significava a expressão Ubuntu – eu vivo em você e você vive em mim. Foi o Lourenço que me contou, um desses amigos que surgem de repente e que, embora nem sejam tão próximos assim, são tipo anjos, espalhando a palavra certa na hora certa. Ubuntu foi um estalo e o conforto de que tanto precisava.

Depois disso, como diria o escritor Valter Hugo Mãe, eu dobrei de tamanho, porque de alguma maneira, ainda que nunca mais inteira, carrego o Dani comigo, sua força, guerreiro do Norte, sua altivez, seu olhar doce, igualzinho ao do Bernardo.

E agora, se perco o emprego ou algo que parecia valioso sai de cena, posso praticamente ver ele sorrindo dentro de mim e me lembrando que às vezes é só um chefe ruim, um amigo desleal ou uma injustiça qualquer, um bug do sistema. Mas que a melhor resposta é levantar da cama e sacudir a poeira. Como ele dizia: “viver bem é a melhor vingança“. Sempre.

Por Renata Piza

Referência em:
http://vamosfalarsobreoluto.com.br/2016/03/21/voce-vive-em-mim-eu-vivo-em-voce/

Acesso em: 10/06/2016

Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

Eu sou: tanatopraxista !

Saiba como é a rotina dos profissionais que cuidam da aparência dos que foram 'dessa para a melhor'



Nome: Fausto da Silva Filho 

Idade: 55 anos
Tempo de profissão: 10 anos 
Formação: telecomunicações
O que faz: Prepara o corpo para o velório; cuida tanto da estética quanto da preservação 

O tanatopraxista cuida da boa aparência dos que já se foram. Para isso, o procedimento é quase cirúrgico. A diferença é que sua sala fica, normalmente, numa casa funerária. Apesar de não ser médico, esse profissional passa por um curso onde aprende anatomia e técnicas de instrumentação médica. “A gente precisa saber, ao menos, pegar uma veia”, conta Fausto da Silva Filho, 55, tanatopraxista há 10 anos.

Ex-técnico em telecomunicação, Silva nunca havia considerado a profissão, até que uma das empresas para as quais prestava serviço, um cemitério, ofereceu uma vaga. “Fiz curso de reconstrução facial e necromaquiagem. A tanatopraxia não existia. Surgiu só há 10 anos”, conta. Silva diz que nunca teve medo, mas que é preciso ter preparo psicológico.

O processo demora de duas a quatro horas e tem duas fases: na primeira, o sangue é substituído por um fluido de conservação (à base de formol), usando uma bomba de injeção. Na segunda, retiram-se outras substâncias, como fezes e gases, com uma bomba de aspiração e injeta-se um fluido que mantém o corpo conservado para o funeral e, depois, ajuda na decomposição.

Por último, o corpo é limpo com sabão neutro, o profissional cuida das unhas e do cabelo, faz a barba e hidratação na pele. Então, vem a necromaquiagem, que deve ser a mais básica possível: “Só um pó e um batom”, diz. Para Silva, a maior satisfação é a gratidão. “Familiares já vieram me abraçar por ter cuidado tão bem de seu ente querido.”

Cuidando do além da vida

Sem inchaço: A técnica é capaz de reduzir de 50% a 80% o inchaço causado naturalmente pelo falecimento do corpo.

Custos: Silva afirma que hoje o serviço se popularizou, mas antes era restrito às classes sociais mais altas. Em média, pode custar de R$ 500 a R$ 1.000.

Demanda: Silva também conta que todo dia tem trabalho. "Faço pelo menos 2 ou 3 procedimentos por dia, mas já cheguei a atender até 10 pessoas num dia", diz.

Corado: O fluido injetado pode variar de cor, para "corrigir" o tom da pele do falecido:"Quando uma pessoa morre de infarto, por exemplo, o corpo fica com um tom de roxo".

Por Thais Sant'Ana

Referência:
Disponível em:  

http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/10/tanatopraxista.html

Acesso em 07/06/2016

Colaborou Tássia Hostin de Deus -
Coordenadora do Serviço Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

terça-feira, 7 de junho de 2016

Nova Capela Mortuária na Vila Itoupava

No último dia 04 de junho Tássia Hostin de Deus - Assistente Social representou o Boa Vida num culto ecumênico devido a abertura da nova Capela Mortuária na Vila Itoupava (nome da mesma ainda não foi definido).
Localizada ao lado do Cemitério da Vila Itoupava, na Rua Erwin Manske, a estrutura conta com um local de velório, banheiros coletivos externos e copa.

"O Boa Vida sempre que possível, está inserido em projetos da comunidade. Seja devido a experiência no assunto do luto, trâmites burocráticos, ou simplesmente por acreditar que a força da comunidade é muito maior do que se imagina. O Boa Vida patrocinou alguns itens que compõe a capela e parabeniza a diretoria, empresários e a comunidade no geral pela iniciativa em ter uma capela própria para fazer os velório da região onde serão atendidas pessoas de qualquer religião".
Relatou Tássia H. de Deus.

Fotos externas da capela:



Fotos internas:






Colaborou Tássia Hostin de Deus - Assistente Social Boa Vida

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Qualidade medida em afeto ! Por Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida


Diferencial  competitivo no setor funerário:
Pessoas que enxergam pessoas




        Vivenciar a perda de alguém querido é uma experiência do qual nos provoca profundo entorpecimento, desorganiza, desloca. Já pensou se em um dos momentos mais difíceis da sua vida, ou seja, no dia em que a morte se fizer presente através da partida do seu ente querido; você pudesse além de contar com pessoas próximas de sua família ou amigos, contar ainda com uma equipe capacitada para lhe orientar, acolher, respeitar seu momento que, além de doloroso é também de muitas dúvidas e incertezas?

Dia após dia, percebo que a inovação no setor funerário vem dando espaço para algo que vai muito além de serviços prestados com qualidade (que aliás é o mínimo que a família espera), envolve o ser humano nas suas dimensões. Inovar neste setor requer ter como parte de sua equipe pessoas que enxergam pessoas, que inspiram segurança, que obtém as informações necessárias e as transmitem, favorecem a família uma escuta atenta as necessidades da mesma; que por vezes parece não estar muito claro nem mesmo para a própria família, já que a perda lhes “tira o chão”.

Outra forma de inovação é a inserção de profissionais de psicologia no setor funerário, o que demonstra antecipadamente ao cliente a preocupação com demandas emocionais advindas de perdas, e do ajustamento necessário à elaboração do luto. Oferece suporte e acolhimento necessários para aqueles que não encontram espaço tanto na sociedade quando no âmbito familiar para expressar o quão difícil é lidar com a morte, com a ausência e invisibilidade de quem partiu. Oferece um meio seguro para a expressão de sentimentos e auxilia na construção de um novo modo de seguir adiante, sem esquecer de tudo o que ainda vive e viverá daquele(a) que não estará mais acessível ao nossos olhos.

Internamente, o psicólogo capacita a equipe para esse atendimento delicado da família em crise pela morte de um dos seus, acolhe o profissional funerário que muitas vezes também é impactado pela causa (morte violenta), pessoa (criança, jovem por exemplo).

A qualidade dos serviços que é também medida em afeto é percebida constantemente por nós profissionais que diariamente recebemos elogios, abraços, carinho e palavras de gratidão de nossos clientes. E sabe porque? Por fazer exatamente aquilo que nos propomos a fazer... com amor, carinho, dedicação e com o coração. No final das contas a gratidão é nossa !!!!!!!






Escrito por Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida - CRP 12/10686
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br