segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Doação a Capela Mortuária da Comunidade do Cemitério da Itoupava Rega I

No dia 12 de agosto Sr.Valdemar da Silva- Motorista do Boa Vida e Tássia Hostin de Deus - Coordenadora do Serviço Social  realizaram a doação de 20 cadeiras para nova Capela Mortuária da Comunidade do Cemitério da Itoupava Rega I
A capela mortuária localiza-se na Rua Erwin Manske, sem n. no bairro Vila Itoupava em Blumenau.

Fotos:

Tássia e Sr.Marcos (tesoureiro da comunidade):


Sr.Valdemar e Sr.Marcos:



Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Rir para não chorar...

O humor tem sido uma ferramenta poderosa para lidar com a morte do meu pai, traz ele para perto e me conecta com o melhor dele e da vida que se segue.




“Ela já nasceu rindo”. Cresci ouvindo meus pais falarem isso e, de fato, segui sorrindo vida a frente. A risada e as histórias engraçadas se tornaram a minha marca registrada e, por muito tempo, acreditei ter a alegria como dom. Quando meu pai morreu, dois anos e pouco atrás, passei pelo período mais difícil da minha vida e me surpreendi ao ver que essa alegria permanecia ali, firme e forte, mesmo no auge da minha tristeza. Uma energia que transcendia o meu estado emocional, mas que estava ligada ao meu estado de espírito, à forma bem humorada como eu vejo a vida, que mesmo com suas falhas e imperfeições, para mim, sempre vale uma boa risada.

Me dei conta de que mais do que graça, eu tinha senso de humor. E, desde então, ele tem sido um importante aliado para lidar com a morte do meu pai, tocar a minha vida e o coração de todos aqueles que compartilham essa jornada comigo.

Escolhi três situações nas quais o humor me ajudou para dividir aqui:

1. Tirar o bode da sala e trazer meu pai naturalmente para a conversa.

Logo que perdi meu pai percebi que para falar sobre ele com as pessoas em geral, sem arrancar lágrimas ou gerar constrangimento, era preciso sempre uma pitada de humor. “Nossa o papai amava isso, mas quando ele resolvia cozinhar era uma desgraça, lembram quando ele fez salada de espinafre cru e serviu? E quando ele esquentou a térmica de café no fogão, Jesus!” Com colocações como essa, eu arrancava risadas cheias de saudade e surgiam automaticamente outras lembranças e comentários sobre ele. A minha impressão é que quando tem humor, as pessoas desarmam, é como se ele acessasse um outro campo do cérebro – e na verdade acessa, mas isso é assunto para outro post – e as pessoas conseguem lidar melhor e entrar em contato com o assunto.

2. Ampliar os pensamentos e não afastar.

Antes de dormir é inevitável pensar no meu pai, mas no início, os pensamentos vinham sempre cheios de dor, saudade e imagens relacionadas à morte dele em si (o hospital, a notícia, o velório, etc…). Então, eu me propus um desafio: toda noite eu deveria relembrar uma situação engraçada que vivi com ele. Era como mágica, rapidamente os pensamentos ruins se afastavam, meu coração se acalmava e eu até dava uma risadinha. Quando eu pensava em momentos simplesmente felizes o efeito era outro: as lágrimas surgiam, o coração acelerava e despedaçava. Hoje já consigo pensar em outras situações (não engraçadas), mas o humor foi fundamental para fazer essa passagem.

3. Transformar uma data difícil em uma celebração da vida.

Foi justamente essa ocasião que me inspirou a escrever esse texto. Minha família se reúne nos aniversários do meu pai, de chegada e partida, e é sempre um momento MUITO DIFÍCIL. A intenção é agradecer pelo tempo que vivemos juntos, mas a tensão é grande, e a tristeza é tamanha que eu acabo sempre em uma crise de choro daquelas. Esse ano decidi usar a minha varinha mágica do humor, mesmo me achando um pouco louca pedi para cada um escolher uma história engraçada que tinha vivido com ele para contar no dia. Frisei bem “não é homenagem ou mensagem bonita, é coisa engraçada.” Foi surpreendente. As pessoas já chegaram com uma energia totalmente diferente, comentando como tinha sido bom ter passado a semana toda pensando nele e revivendo esses momentos. A noite então já começou com um astral bom e inaugurei a brincadeira com as 2 que tinha levado. As 6 histórias que foram pensadas para lá logo se tornaram 20, passamos horas entre risadas, lembranças e muita gratidão. Foi uma noite especial e pela primeira vez, nessas datas, dormi tranquila e acordei feliz. Assim como todos os outros que estavam lá, que me ligaram no dia seguinte para contar exatamente isso.



Já disse Sigmund Freud em seu livro sobre os chistes: “O humor é um meio de obter prazer, apesar dos afetos dolorosos que interferem com ele; atua como um substitutivo para a liberação destes afetos, coloca-se no lugar deles […]”.

Meu pai era um cara sério, mas tinha o humor em sua essência e acreditava que uma “pessoa alegre e descontraída vive bem melhor” como ele mesmo escreve para mim nesse diário de quando eu tinha apenas 6 anos:






 Por Amanda Thomaz 13/06/2016

Referência:

http://vamosfalarsobreoluto.com.br/2016/06/13/rir-para-nao-chorar/

Acesso em 24/08/2016

Colaborou Tássia Hostin de Deus
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Como as redes sociais estão mudando nossa maneira de lidar com a morte





Eu me lembro bem da noite em que eu e meus familiares nos reunimos em volta da minha tia Jackie, mantida viva por aparelhos no hospital, e acompanhamos sua partida.
Observar aquele fenômeno foi algo estranho. Ali estava ela, nosso ente querido. Falamos com ela, seguramos sua mão, e olhamos o "zigzag" verde se mover cada vez mais lentamente no monitor. E no instante seguinte, ela não estava mais ali.
Enquanto isso, outras máquinas a mantinham viva: um servidor em algum lugar distante, capaz de armazenar os pensamentos, as lembranças e os relacionamentos de tia Jackie. De certa forma, ela continua entre nós. No Facebook.
Apesar de ser óbvio que as pessoas não sobrevivem à falência de seus corpos, no mundo da tecnologia digital elas têm esse “superpoder”. A maneira como os outros se relacionam com ela pode continuar – e de fato, continua – online.
Mas como a nossa presença contínua no espaço digital está mudando a maneira como lidamos com a morte?

‘Cemitério cada vez maior’

O número de mortos no Facebook está subindo rapidamente. Em 2012, apenas oito anos depois de seu lançamento, 30 milhões de usuários com uma conta no site tinham morrido.
E essa quantidade vem aumentando. A revista científica Jurimetrics, editada pela Universidade do Arizona, estima que mais de 8 mil usuários morram por dia.
Em algum momento, vai haver mais usuários mortos do que vivos no Facebook. Trata-se de um cemitério digital cada vez maior e irrefreável.


Muitos perfis do Facebook anunciam que seus donos morreram e eles passam a ter um “memorial”. A pessoa deixa de aparecer em áreas públicas como “Pessoas que você talvez conheça” e lembretes de aniversário.
Mas nem todos os falecidos ganham um memorial virtual. Kerry, um dos meus companheiros de casa na época da faculdade, se suicidou há alguns anos. Sua viúva, familiares e amigos regularmente postam mensagens e imagens na página dele, fazendo com que Kerry ele apareça na minha página inicial.
Nem Kerry nem minha tia Jackie tiveram suas mortes reconhecidas pelo Facebook ou pelos usuários que involuntariamente caíram em seus perfis. Suas identidades digitais continuam existindo.

Legado digital

As redes sociais nos ensinaram sobre a força do momento presente – conectar-se aqui e agora com pessoas em todo o mundo para falar do que está acontecendo – de cerimônias de premiações e programas de televisão a jogos de futebol e notícias.
Mas talvez tenha chegado a hora de pensarmos no que virá depois de tudo isso: o nosso legado.
Até pouco tempo atrás, apenas pessoas de destaque tinham o “direito” de deixar um legado. O mundo digital mudou isso. Agora, segundo um recente estudo do GlobalWebIndex, cada um de nós passa mais de 12 horas por semana escrevendo nossa autobiografia nas redes sociais.
Meus netos poderão saber mais sobre a minha mãe quando puderem estudar seu perfil no Facebook (partindo do pressuposto de que a rede social não vai fechar). Em vez de se informarem sobre os grandes acontecimentos da vida da bisavó, eles poderão conhecer os detalhes insignificantes de sua rotina: memes que a fizeram rir, fotos virais que ela compartilhou, os lugares que frequentou. E, claro, haverá inúmeras imagens dela e de suas pessoas queridas.
É como se nossos registros nas redes sociais fossem uma espécie de alma digital.


Avatar eterno
Nos últimos anos, várias empresas de tecnologia vêm experimentando com essa ideia. O site Eterni.me, lançado em 2014, promete criar uma versão digital de “você” que sobreviverá após a sua morte. “Você poderá viver para sempre como um avatar digital, e, no futuro, as pessoas vão poder interagir com as suas memórias, histórias e ideias, conversando com você”, diz o site.
Se iniciativas como essa derem certo, não só os meus netos poderão saber mais sobre a vida da minha mãe como também poderão interagir com o avatar dela – terão uma bisavó digital.
Muitos futuristas preveem que é possível ir ainda mais longe. A empreendedora Martine Rothblatt, autora do livro Virtually Human – The Promise and the Peril of Digital Immortality (“Virtualmente humano – a promessa e o perigo da imortalidade digital”, em tradução literal), encomendou um robô chamado Bina 48, que se parece fisicamente com sua esposa e contém uma base de dados de sua fala e sua memória.
Rothblatt prevê um futuro próximo em que os mortos podem ser reavivados por softwares de clonagem de mentes que permitem que avatares pensem, respondam e sejam praticamente iguais às pessoas clonadas.

Nova forma de luto
Tudo isso nos coloca diante de outra questão: como essas tecnologias mudam o luto?
Um dos livros mais populares sobre o assunto, Sobre a Morte e o Morrer, de Elisabeth Kubler-Ross, afirma que o luto é composto de cinco etapas: negação, raiva, barganha, depressão e ansiedade.
Desde seu lançamento, em 1969, especialistas questionaram e criticaram as principais ideias no texto, principalmente o conceito de que o luto pode ser superado pelo desapego.
Hoje em dia, muitos psicólogos ajudam o enlutado a perceber que seus entes queridos continuam com ele, de alguma maneira, mesmo depois de sua morte. O relacionamento muda, mas não deixa de existir.
Ainda assim, parte do processo de luto envolve a necessidade de superar a perda e seguir em frente. Mas aí está o perigo do nosso mundo digital: as informações online não nos ajudam a esquecer.
Não é possível superar a perda com a presença online desses milhões de usuários que já morreram.
Até agora ainda não existe uma boa solução para o problema dos dados “mortos” e fantasmas digitais. A única esperança é que a memória da internet comece a se apagar em algum momento.


Brandon Ambrosino
Da BBC Future

Referência: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160316_vert_fut_facebook_mortos_ml


Colaborou Tássia Hostin de Deus -
Coordenadora do Serviço Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Doação para Capela Mortuária da Comunidade Santa Clara no Fidélis

Na tarde de ontem Tássia Hostin de Deus - Coordenadora do Serviço Social e Sr.Valdemar da Silva- Motorista do Boa Vida realizaram a doação de uma geladeira e 20 cadeiras para nova Capela Mortuária da Comunidade Santa Clara no Fidélis.
A capela mortuária localiza-se na Rua Godofredo Rangel, sem n. no bairro Fidélis em Blumenau.

Fotos:

Sr.Valdemar e Tássia:








Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social Boa vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Dicas das 9 coisas que você nunca deve dizer para quem perdeu alguém




Você convive com alguém que perdeu uma pessoa querida e não sabe o que fazer? 
Especialistas em luto falam sobre o que NÃO dizer e dão dicas preciosas para fugir das frases protocolares e trazer acolhimento.


Quando alguém morre, temos todos uma noção clara do que fazer: 
Vamos ao funeral, enviamos flores ou cartões de pêsames, fazemos visitas aos familiares. Passado o primeiro momento, o roteiro se torna menos claro e então passamos a improvisar, nem sempre com o resultado que imaginamos. 
Nesta matéria publicada pela revista americana Real Simple, especialistas em luto dão 9 dicas  sobre o que NÃO dizer (e as sugestões do que seria melhor em seu lugar ) para quem perdeu uma pessoa querida.


1- O que NÃO dizer: “Como você está?”
Quando você diz essa frase protocolar é como se você estivesse dizendo: “Por favor, diga que está bem, porque vou me sentir muito desconfortável se você disser que não está”. Por isso, diante dessa pergunta, a pessoa provavelmente responderá “estou bem” ou “estou ok” ao invés de realmente expressar os seus sentimentos.


Melhor dizer: “Deve ser realmente difícil para você neste momento”. Assim, você reconhece que a pessoa está passando por um momento doloroso. E não subestima seus sentimentos, dando a ela a chance de sofrer seu luto sem cobranças.





2- O que NÃO dizer: ‘Ele/ela está em um lugar melhor”- Neste momento tão perturbador, é melhor tomar cuidado antes de assumir que o enlutado tem ou não algum tipo de crença pós-morte. Esta frase pode desvalorizar a dor que a pessoa está sentindo. O ente querido se foi e não está mais ao seu lado: é isso que é o mais difícil sobre as perdas.

Melhor dizer: “Sinto pelo seu sofrimento”. Quem perdeu alguém que estava doente pode gostar que seu ente querido não sofra mais, mas isso não torna sua dor menor. Foque em quem está sofrendo naquele momento.

3- O que NÃO dizer: “Diga se há algo que eu possa fazer por você”. Receber muitas ofertas de ajuda pode ser opressor. E coloca sobre o enlutado a responsabilidade de escolher o que pedir a quem.

Melhor dizer: “Eu vou ajudar fazendo suas compras de supermercado, levando as crianças para a escola, trazendo o jantar hoje.. As pessoas tendem a aceitar ajudas específicas mais facilmente do que ofertas genéricas.

4- O que NÃO dizer : “Você ainda pode…” Se alguém perdeu um parceiro ou um filho, dizer que você ainda pode casar outra vez ou ter outro filho pretende fazer com que a pessoa veja algum horizonte melhor mais adiante. No entanto, o que a pessoa entende com essa frase é que a pessoa que se foi é substituível e isso toca em um dos seus maiores medos: o de pensar que um dia aquela pessoa amada que se foi não terá a mesma importância.

Melhor dizer: “Fale sobre o seu amor”. Ao invés de focar no futuro, permita que a pessoa compartilhe memórias do ente amado e seja um ouvinte ativo.

5- O que NÃO dizer: “Eu sei o que você está sentindo”. Embora todos nós em algum momento tenhamos uma experiência de perda, ela é sempre absolutamente pessoal. Você nunca sabe o que a pessoa enlutada está sentindo e sugerir isso pode fazê-la sentir que sua dor é subestimada.

Melhor dizer: “Eu posso imaginar o que você está sentindo”. É melhor dar ao enlutado a chance de dizer como ela de fato se sente do que falar por ela.

6- O que NÃO dizer: “Isto acontece com todos nós em algum momento”. Sim, a morte é parte da vida e vai nos atingir em determinado ponto. Mas essa frase apenas minimiza a dor da perda que a pessoa está sofrendo naquela hora e não ajuda em nada.

Melhor dizer: “Você deve sentir muita falta dele”. A perda de uma pessoa é a fonte da dor. Foque nela, ao invés de varrê-la para o lado como se ela fosse apenas um aspecto não negociável da nossa existência.

7- O que NÃO dizer: “Ele (ou ela) ia preferir que fosse assim”. A não ser que a pessoa que partiu tenha deixado instruções claras sobre como desejava o seu funeral, não há como saber as suas preferências. Falar pelo falecido pode gerar discussões desnecessárias entre amigos e familiare que tem diferentes pontos de vista sobre o que a pessoa que partiu realmente queria.

Melhor dizer: “Eu gostaria de homenageá-la assim”. Use suas próprias memórias sobre a pessoa e prefira falar do relacionamento entre vocês do que falar como a pessoa era de forma absoluta.

8- O que NÃO dizer: “Você está lidando com isto melhor do que eu esperava”. O enlutado pode estar apenas vestindo “uma cara feliz” e sua afirmação pode reforçar a ideia de que ele ou ela não deveriam estar sofrendo tanto pela perda da pessoa amada.

Melhor dizer: “Você não deve estar bem, mas isso é OK” De à pessoa a liberdade de se sentir como quiser – mesmo se já houver passado algum tempo desde a morte da pessoa amada, é reconfortante reconhecer que cada momento sem eles pode ser difícil.

9- O que NUNCA dizer: Nada
Muitas pessoas não dizem nada ao enlutado e nunca mencionam o nome da pessoa que morreu porque se sentem desconfortáveis.

Muito Melhor: “Lembra quando?” Uma das coisas que mais ajudam uma pessoa enlutada é dividir a memória de seu ente querido, mesmo quando você não faz parte de seu círculo mais íntimo. Ao falar algo que vivenciou com aquele que partiu você dá ao enlutado uma perspectiva sobre seu amado que ele não poderia ter de outra maneira. E isso é muito bom.

 Por Cynthia de Almeida 23/05/2016

Referência:

http://vamosfalarsobreoluto.com.br/post_helping_others/9-coisas-que-voce-nunca-deve-dizer-para-quem-perdeu-alguem/

Acesso em 08/08/2016.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Os rituais de despedida são uma colcha de afetos !

Qual a importância dos rituais que envolvem a morte? As tradições do velório, enterro ou cremação, assim como os ritos, religiosos ou não, que marcam a passagem do tempo da morte, variam de acordo com as crenças, mas todos carregam o mesmo significado: a despedida e a nossa declaração de afeto a quem se foi e aos seus entes queridos.

Os rituais de despedida de quem partiu são fundamentais para a elaboração do luto de quem ficou. Será a última vez em que veremos o corpo da pessoa querida e, talvez, a última chance de expressar publicamente o amor e respeito por aquela vida que se foi.

No entanto, é cada vez mais comum uma abordagem “prática” e “funcional” dos ritos finais. Na sociedade ocidental, as pessoas acreditam que podem chorar seus mortos com mais “discrição”, de forma privada, e tendem a subestimar o valor das cerimônias coletivas, como se “obrigar” amigos a comparecerem a funerais fosse um incômodo social no meio de uma rotina cada vez mais acelerada. O que está por trás da eliminação ou da redução dos tempos e das homenagens dos rituais é a própria negação da morte e de tudo o que a envolve. Antigamente, os mortos saíam pela porta da frente das casas e seguiam para o cemitério em cortejos que eram reverenciados nas ruas. No mundo moderno, isso seria inviável. Mas isso não justifica a abreviação dos ritos fúnebres. Somos uma sociedade que celebra a vida como se ela nunca fosse terminar e que não abre espaço para que a tristeza venha interromper seu ritmo. Nesse pensamento, um funeral atrapalha a agenda. Deve ser breve e, de preferência, indolor.


“Temos visto cada vez mais o que eu chamo de “funeral express”: menos de 24 horas entre o falecimento e o enterro ou cremação. O que a gente não percebe é que estamos abrindo mão de um tempo precioso para a despedida dos nossos mortos queridos”, diz a psicóloga Elaine Gomes dos Reis Alves, doutora no estudo de questões relativas à morte e ao luto.

Segundo a doutora Elaine, essa coisa do “morre hoje e enterra já”, é equivocada. “Costumo dizer que os rituais são uma despedida muito poderosa. É importante que se dê a ela o tempo necessário para que as pessoas amigas e conhecidas se manifestem, que recebam quem for, que ouçam o que tem a dizer”, diz a psicóloga. “O luto é uma dolorida confecção de uma colcha de retalhos afetivos e cada pessoa que comparece leva à família e amigos íntimos um retalho amoroso. Alguns trazem uma passagem próxima ou distante e nos contam como ele era no trabalho, outro diz que o encontrou no dia anterior, recordam as últimas conversas, as lembranças mais divertidas e caras. Cada amigo ou conhecido entrega um pedaço da história do falecido para a família e os íntimos em um velório . Essas pessoas enlutadas vão usar isso depois. Vão se lembrar de quem veio, do que disse, da passagem que lembrou.”conclui.

Mesmo que a família e o próprio falecido não tenham nenhuma crença religiosa em particular, (e não é preciso tê-la para se entender o sentido da vida e da nossa finitude) as homenagens dos amigos aquecem o coração do enlutado. Os rituais podem ser singelos e pagãos. Podem simplesmente reverenciar os lugares e as práticas que quem morreu mais amava, como uma festa na praia, o lançamento de barquinhos com lanternas, flores e mensagens de amor ao mar, ou mesmo uma reunião em casa para tocar suas músicas favoritas lembrar das suas histórias.

“Os rituais ajudam a organização física e psíquica em situações de perda e morte“, afirma a dra Maria Julia Kovács, professora e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte da USP. “Os rituais coletivos congregam as pessoas de uma comunidade e os familiares enlutados, oferecem um sentimento de pertencimento e acolhimento e ajudam na construção de significados em relação à perda. O importante é que os rituais possam fazer sentido para aqueles que estão vivendo a dor da perda e que incluam as crianças, sempre lembrando de informar e esclarecer a elas o que está acontecendo“, aconselha a especialista.

Todas as formas de relembrar e celebrar quem partiu ajudam a enfrentar a saudade. Uma parte de quem partiu permanece em nós e é essencial poder dividir com os outros o amor que ele cultivou em vida. Falar dos mortos, ouvir de outras pessoas suas lembranças nos ajuda a pensar em tudo o que aquela pessoa foi e representou em vida. E, principalmente nos ensina a preservar o melhor dela para sempre no nosso coração. 


Por Cynthia de Almeida 14/07/2016


Referência:


Texto na íntegra:

Disponível em: http://vamosfalarsobreoluto.com.br/post_helping_others/os-rituais-de-despedida-sao-uma-colcha-de-afetos/. Acesso em 02/08/2016.


Colaborou Patrícia dos Santos - 

Psicóloga do Boa Vida