quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Setembro Amarelo - Suicídio - Falar é a melhor solução


   

  O mês de setembro se iniciou e com ele veio a proposta do Setembro Amarelo, que trata o tema suicídio. Tema ainda pouco discutido e pensado em suas diferentes perspectivas. Os dados indicativos da OMS (Organização Mundial de Saúde) nos mostra um aumento de casos de suicídio nas últimas 5 décadas em todos os países, faixas etárias e contextos socioeconômicos; números que revelam um ranking entre as 10 principais causas de morte no mundo. O Brasil é o oitavo país em número absoluto de suicídios. Isso faz com que o suicídio seja olhado e pensado como uma questão de saúde pública.
      Vivemos em uma sociedade onde as concepções de morte sofreram mudanças ao longo dos anos, busca-se afastamento, busca-se esconder, não falar, encobrir, pois a morte é vista como um tabu e como um “fracasso”. Busca-se a qualquer custo impedir que ela aconteça, portanto, quando nos deparamos com alguém que “voluntariamente” tira a própria vida, torna-se ainda mais restrita a discussão e o pensar sobre.

Dentre os comportamentos suicidas estão aqueles que:
 * Ameaçam tirar a própria vida;
Tentam tirar a sua própria vida e não efetivam e;
*Tentam tirar a própria vida e tem um desfecho fatal.

    Penso que seja importante contribuir para o levantamento de alguns mitos sobre o fenômeno suicídio, a começar pela frase de senso comum: “Quem fala não faz” ou “É porque a pessoa quer somente chamar a atenção” ou ainda “ Não devemos falar sobre suicídio pois, isso pode aumentar o risco”.
 É sabido que um número expressivo de pessoas que cometeram o suicídio deram indícios de pensamentos recorrentes em tirar a própria vida; deram sinais sobre suas ideias de se matar frequentemente para profissionais da saúde. Falar sobre o suicídio, ao contrário do que muitas pessoas pensam não é um fator de risco, mas pode sim aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.
       Segundo a Dra. Blanca Werlang, em entrevista concedida no Debate Online, é bastante complexo e difícil compreender  porque um determinado indivíduo decide cometer suicídio, sendo que outras pessoas que passam por situação similar não o fazem. Sabe-se que há fatores emocionais, psiquiátricos, religiosos e socioculturais que nos ajudam a compreender a situação de vida, o sofrimento que essa pessoa carrega, e por isso busca a morte. É possível dizer que por vezes a pessoa quer cessar o sofrimento e eliminar a dor provocada, no entanto, a forma com que busca a “solução”, tem como um método que é fatal - levando a morte.
      Ainda citado pela Dra. Blanca, a prevenção do comportamento suicida deve começar na família; pois a morte é um assunto interdito no meio familiar, é um assunto escondido das crianças por acreditarem que os filhos pequenos não terão recursos psíquicos para encarar a situação. Também é importante um trabalho através de programas psicoeducativos nas escolas já nos anos iniciais, para trabalhar questões de valorização da vida. É fundamental treinamentos para equipes da área da educação, da saúde, dentre outros profissionais, além da comunidade, voluntários (igrejas, ONGs, ) para que estejam preparados para saber identificar e intervir no comportamento suicida, para isso é importante trabalhar em rede (as áreas devem conversar entre si).
      A prevenção do suicídio é um grande desafio não apenas para a Psicologia, como também para toda a sociedade, pelo conteúdo social, econômico e político envolvido neste fenômeno.


 Para saber mais sobre o tema suicídio, acesse as referências citadas abaixo:

Referências:

 Cartilha - Suicídio: informando para prevenir / Associação Brasileira de Psiquiatria, Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. – Brasília: CFM/ABP, 2014. Disponível em: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14. Acesso em: 28/07/2015

 Debate Online - Suicídio: uma questão de saúde pública e um desafio para a Psicologia clínica . Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=epjhgKhOu9g. Acesso em 28/07/2015.

 O Suicídio e os Desafios para a Psicologia / Conselho Federal de Psicologia. - Brasília: CFP, 2013. Disponível em: http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/12/Suicidio-FINAL-revisao61.pdf. Acesso em: 28/07/2015

Tatuagem de ponto e vírgula é a nova febre, mas ela tem um significado; descubra! Isabella Otto.


Colaborou Patrícia dos Santos
Psicóloga do Plano Boa Vida
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br

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