sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

2017 está se despedindo de nós ...

Escrever para algumas pessoas é terapia, é libertador… Nós do Serviço Social do Boa Vida já escrevemos vários textos sobre o nosso trabalho, sobre o luto (segue links aqui: sobre planejamento - sobre pessoas que enxergam pessoas - sobre suicídio) entre outros tantos textos.
Para algumas pessoas colocar em forma de texto o sentimento, o que aprendeu faz com que a pessoa aprenda algo novo.
É disso que iremos falar neste final do ano sobre aprender.
Quem diria que trabalharíamos com famílias enlutadas? Que atenderíamos pessoas num ápice da pior dor do mundo?
Embora muitos atendimentos nos deixem fragilizados, às vezes tristes devido a situação do falecimento, poder ser “luz” para quem nos procura nos dá força para continuar a trabalhar nesse ramo.
Orientamos, resolvemos situações burocráticas para as famílias  e ouvimos muitas histórias de clientes. Histórias essas íntimas, delicadas, de amor, de alegria, algumas histórias tristes.
Como algumas famílias já nos falaram ‘levamos acalento, foco, direcionamento” para elas. Mas mal sabem elas o quanto aprendemos nesses 10 anos do Serviço Social do Boa Vida.
Todos os dias recebemos alguma lição de vida, da importância de dizer “eu te amo” enquanto nossos familiares estão vivos. Importância de ser feliz hoje. De realizar os nossos desejos hoje, de perdoar quem nos machucou hoje. De visitar uma amiga antiga hoje…
É uma reflexão diária trabalhar com a família enlutada...nós até podemos ser pessoas que orientam, mostra o caminho, mas cada família, cada história que ouvimos nos ensina o quanto a vida passa rápido e em segundos os planos mudam de direção e a vida vira de cabeça para baixo.
Nos ronda diariamente um sentimento de gratidão e carinho por todas as famílias que nós atendemos nesse ano de 2017.
Em suma, vai a dica: não deixe que a dor da perda chegue a você para aprender a ter atitude de mudar, para resolver situações, para dizer que ama alguém, para fazer o que gosta…
Reflita e veja se precisa resolver algo, e não deixe esse desejo somente no pensamento: TENHA ATITUDE.
Nós do Serviço Social desejamos um Natal repleto de  atitude, palavras intensas, abraços, beijos e união.
Que seu 2018 seja de paciência, otimismo e muito saúde.
Com carinho, gratidão e muito amor.
Tássia Hostin de Deus e demais integrantes do Serviço Social Boa Vida.



Integrantes do Serviço Social Boa Vida
João, Tássia, Davi, Patrícia e Ademir







Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Como lidar com saudades, perdas e luto nessa época do ano ?

Psicanalista faz alerta contra a “obrigatoriedade” de ser feliz: “vivemos numa era na qual rejeitamos a qualquer custo o sofrimento”, diz Eloisa Adler.
Com o ambiente maciçamente festivo de dezembro, é quase obrigatório estar esbanjando alegria. No entanto, as festas de fim de ano também podem significar tristeza e luto: um ente querido que se foi há pouco tempo, um casamento desfeito, a perda de um grande amor. A data pode até coincidir com o aniversário de um evento especialmente triste. Ou provocar um sentimento negativo por remeter a uma época mais feliz, de família reunida – sem divórcios, brigas ou mortes. Os motivos variam, assim como o gatilho para a sensação de dor ou desconforto: montar a árvore de Natal, a decoração e as músicas natalinas, um prato de rabanadas…
É quase como andar num campo minado, reconhece a psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler, membro do conselho consultivo pleno da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seção RJ: “quando há uma perda, que pode ser uma separação, ou uma morte, não há como negar que as primeiras datas são muito duras, porque a pessoa ainda está tateando em busca de ressignificações na nova configuração da sua vida”. Entretanto, ela ensina que esse luto, que não precisa necessariamente estar ligado à morte física, e sim a qualquer tipo de perda, não pode ser negado: “a gente acompanha a cicatrização de um ferimento no corpo e sabe que ela não se dá de um dia para o outro. O mesmo se aplica a uma ferida na alma. Décadas atrás, as pessoas se vestiam de preto e se recolhiam para demonstrar que estavam vivendo o processo de luto, mas parece que roubamos esse direito dos indivíduos na sociedade contemporânea”.




Eloisa propõe o que chama de um “acordo com o tempo”: “não devemos pensar tanto no tempo do calendário, o chamado cronos. Temos que aprender a viver também o kairós, que não é a dimensão do relógio, e sim o tempo subjetivo de cada um, do inconsciente. Dessa forma, os sentimentos encontram um ambiente mais fluido e palatável de apaziguamento, de acordo com o ritmo de cada um”. E faz um alerta contra a “obrigatoriedade” de ser feliz, ainda mais nesta época do ano: “essa ditadura da felicidade é nociva. Vivemos numa era na qual rejeitamos a qualquer custo o sofrimento. Quem não se encaixa no padrão acaba apelando para a farmacologia para estar ‘adequado’. É preciso repensar isso o quanto antes”.

Texto escrito por Mariza Tavares e publicado em G1  – 17 de dezembro de 2017.


Referência:

http://caminhosdapsicanalise.com.br/como-lidar-com-saudades-perdas-e-luto-nessa-epoca-do-ano/

Acesso em 19/12/2017

Colaborou Tássia H. de Deus
Assistente Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Porque trabalhar com famílias enlutadas?

         


                  Bom, na verdade durante toda a minha graduação em Psicologia, eu nunca havia sequer pensado em trabalhar na área do luto, e até então, não havia perdido ninguém próximo o bastante para que pudesse sentir a dor da perda por morte.

Mas em 2010, surgiu o convite através de uma colega que havia trabalhado comigo em uma loja de departamento da cidade de Blumenau, para uma entrevista com a atual Assistente Social do Plano Boa Vida - Tássia Hostin e posteriormente com a Coordenadora do Boa Vida na época.

Lembro como se fosse hoje, que durante minha entrevista, um dos pontos levantados foi a tristeza, o choro, a melancolia, e até a raiva que eu teria de “enfrentar” das pessoas que estaríam privadas do convívio com um de seus entes queridos através da  morte.

Lembro também que na época estava em pesquisa sobre temas para meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Posteriormente envolvida e apaixonada pelo que faço, fui levada a elaborar um TCC voltado para os profissionais que trabalham com o estágio último – a morte, sendo estes os agentes funerários.

            A motivação pelo desafio em atender as famílias, que precisam tratar de questões burocráticas em um momento tão difícil que é a morte de um dos seus, e estar de alguma maneira a disposição das pessoas que precisam compartilhar, se emocionar, chorar, e até mesmo questionar, foram  um dos principais motivos que me levaram a trabalhar no ramo funerário.

Venho aprendendo a cada dia com as famílias que atendo. Sem dúvida alguma, a percepção que hoje tenho de morte é diferente daquela que tinha antes de trabalhar nesse ramo.

No dia 21 de abril de 2011 (6 meses após entrar no Boa Vida), fui tocada pela dor da perda de minha querida avó materna. Vivenciei o que é ter de contratar um funeral, registrar o óbito, decidir onde será o velório entre tantas outras questões, e ainda assim, expressar a tristeza por não ter mais alguém que amo muito.

A paixão pela profissão, a empatia para com os nossos associados e ainda assim se perceber como ser humano, com seus medos e anseios é o que faz com que consiga me dedicar e a de fato ajudar, orientar, ouvir e acolher as famílias no momento mais doloroso, onde aqueles que amamos estarão apenas em nossas lembranças, em nossa história, mas o corpo já não poderá mais ser tocado.

           A cada dia tenho a confirmação de que as pessoas procuram ajuda por não terem o apoio, conforto e compreensão que precisam no seu meio social e familiar. É aí que entra nosso papel, ouvir sem julgar, sem querer que o outro seja forte, e sim podendo, orientar, ouvir, acolher e em alguns casos intervir.

Poder colaborar para que as pessoas tenham atenção e respeito nos momentos difíceis traz ganhos incalculáveis ao profissional e a empresa recebe o reconhecimento da sociedade pelo  atendimento humanizado.

Aprendemos a cada dia, a cada atendimento... 

O tempo, as pessoas, a família, o amor, os amigos passam a ter novos significados. Aprendemos a dar importância a coisas que antes não eram prioridades, o imutável passa então a ser visto como transitório.




Colaborou Patrícia dos Santos – Psicóloga do Boa Vida, Especialista em Gestão de Pessoas, Formação em Tanatologia, Formação em Terapia Cognitivo Comportamental.
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br







terça-feira, 14 de novembro de 2017

O que é o Boa Vida ?


                    O Boa Vida é um plano de assistência familiar que no momento do falecimento do ente querido, ouve, acolhe e orienta quais os procedimentos a serem tomados.
Muito mais do que uma empresa, o Boa Vida é uma família pois em vida o cliente pode utilizar a rede de parcerias com descontos variados e pode utilizar durante 3 meses gratuitos os materiais de recuperação.

                  O Boa Vida chegou em Blumenau em novembro de 1998, com o propósito de levar direcionamento a família no momento do falecimento.
É complicado falar que queremos amenizar a dor da família, pois por mais que é oferecido o melhor atendimento, a melhor atenção e carinho para a família enlutada, a maioria dos clientes queriam mesmo é seu ente querido ali, inteiro, saudável. A dor da perda é singular, forte, avassaladora e é realmente enfrentando-a que será possível criar uma nova rotina sem a presença do ente querido.
Através da nossa equipe multidisciplinar composta por colaboradores que realizam assessoria no velório, por motoristas que levam a família no cartório e pela assistente social e psicóloga o Boa Vida se consolida cada vez mais no mercado de assistência familiar do Vale do Itajaí. E os colaboradores citados acima, fazem parte do Serviço Social, setor esse que é o coração do Boa Vida!



Foto dos colaboradores do Serviço Social:





Foto da fachada do Boa Vida
Rua São Paulo, N. 561, Bairro: Victor Konder, 
Blumenau - Santa Catarina - Cep: 89012-001
Telefone: (47) 3222 9999




Logomarca do Serviço Social Boa Vida:




Colaborou Tássia H. de Deus - 
Assistente Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Patrícia dos Santos- Psicóloga, concedeu entrevista no Programa da Rádio Clube de Blumenau

No dia 01/11/2017 Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida foi ao Programa Show da Manhã na Rádio Clube Blumenau fornecer uma entrevista para a locutora Tamara.
Assuntos como finados, luto e o que fazer para ajudar uma pessoa enlutada foram abordados na entrevista.


Na foto abaixo:
 Locutora Tamara e Patrícia





Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

Finados 2017 - Boa Vida



Essa semana teremos o Dia de Finados e nós do Boa Vida preparamos uma conversa com Patrícia dos Santos, Psicóloga do plano.
Será uma série de 5 vídeos, nesse primeiro vídeo relata:
Qual é a importância do Dia de Finados?

Para ver o segundo, terceiro vídeo e acompanhar as notícias do Boa Vida, acesse o Facebook:



Acesse também www.arvorespelavida.org.br/finados2017 e faça a sua homenagem!
#finados2017


Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br


Senhora dos destinos ...



A poltrona preta no fim do corredor está vazia. Há uma calmaria incomum pela casa e uma inquietação profunda dentro do peito. Não há copos de leite tampados sobre a mesa da copa. Nem de café. Nenhuma cinza de cigarro suja o chão. Ninguém está ali para reclamar de bobagens. Nem pra debater com o fervor que uma boa discussão merece. O frio, agora, vai parecer menos intenso para tantos cobertores dobrados no armário. O sol do quintal não será refúgio. A batida forte no portão não provocará qualquer corrida à janela. Da rua, o olhar direcionado à sacada da casa agora é triste. Ninguém mais acena de lá com as mãos. E as primeiras notícias da manhã, descritas nos jornais recém-jogados pelo entregador, já não virão do mesmo portador.
Assim vão passando os dias... Apesar de parecem lentos, suas horas seguem impiedosas e mostram que já faz um mês. Vão passar dois, três e sabe-se lá quantos meses mais. O tempo não para nem espera as dores cessarem. Em alguns momentos, ele não é gentil o bastante para aguardar a tristeza transformar-se em saudade, como dizem por aí. Tampouco paciente. O tempo é como as pessoas, sempre correndo. Com ele, na mesma batida, seguem, então, novos e velhos hábitos. Reinvenções. E se adapte quem quiser, quem puder. Ou quem for forte.
A morte, senhora dos destinos, é certeira e certeza. Leva quem tem que levar. Dia desses foi meu velho pai. Amanhã, quem vai saber... A quem fica, além da ruptura dolorosa, ela oferece a chance de pensar e repensar sobre a vida. A danada te dá um soco na cara, te derruba no chão, te reduz de forma devastadora. Depois, delicadamente, pergunta se você está bem, se está amando o suficiente e como pretende seguir. Antes de sumir, lembra que irá voltar sem data marcada. E sempre deixa o alerta de que tudo passa rapidamente.
E ainda ali, sob o impacto da saudade, olhamos para a frente. Refletimos. Sobre a fé que em algum momento faltou e precisa ser renovada. Sobre as palavras boas que gostaria de dizer a alguém, mas não falou. Sobre o abraço que desejou dar e ainda está ao seu alcance. Sobre passar mais tempo com quem você ama e ver que não há programação melhor. Sobre trabalhar com mais leveza, pois não vai mudar o mundo.
As reflexões não param. Pensamos. Sobre deixar as coisas pequenas pra lá, porque perdem muito os que a elas se apegam. Sobre como colocar a raiva pra fora sem ferir ninguém. Sobre pedir desculpas e como o ato de perdoar alivia os tormentos da alma. Sobre os amigos que escolhemos e a lealdade que esperamos dessas pessoas consideradas especiais. Sobre isso, sobre aquilo... Refletimos sobre nós mesmos.
E sobre o fato de não sermos imortais. Eu, por exemplo, nunca quis acreditar que meu pai fosse partir. Também não imaginava o quanto sua presença implicava segurança, ainda que diante de tantas fragilidades. Ele me imprimia coragem. Dificuldades trouxeram crescimento. Sento-me agora na poltrona preta que está vaga. Uma tentativa de preencher o vazio no meu coração. Pela frente, o corredor por onde devo seguir. Um breve sorriso, lembranças e o desejo simples de que as pessoas vivam bem cada minuto.

Escrito por Renata Nunes.


Colaborou Tássia H. de Deus - 
Assistente Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A luta pelo entendimento (depoimento de uma mãe após perder seu filho)...

Esse depoimento foi escrito em 25 de outubro de 2012 por Paula Miranda - Cosmetóloga, Esteticista, Bioterapeuta e Make up Artist.
Esposa do lutador de MMA Vitor Miranda.
Em 2011 o filho deles Igor de apenas 4 anos teve um acidente em uma piscina nos EUA e faleceu.
Abaixo consta um relato emociante e como a terapia auxiliou a percorrer as fases dolorosas da perda de um filho.
Algum tempo após a perda do filho ela engravidou novamente e nasceu a Nina.
Atualmente está grávida de poucos meses de seu terceiro(a) filho(a).





O sentimento de perda é uma experiência que todos nós passamos pelo menos uma vez na vida. Mesmo comum, ainda sim é um processo difícil porque na maioria das vezes não sabemos como administrar a profusão de sentimentos.

“De um modo geral, o luto é uma reação vital, inerente à condição humana e representa a resposta à perda de algo ou de alguém. Este processo inclui um conjunto de sentimentos que levam mais ou menos tempo a serem resolvidos dependendo da pessoa ou da situação em particular e, que não devem ser apressados nem embotados com o uso de medicação.” Resumindo, é uma tristeza profunda em decorrência de uma perda.

O luto não cabe apenas em casos de morte, mas também quando há alteração em setores da vida em geral, como por exemplo: profissional (perda do emprego,  mudança de cargo), afetivo (término de namoro, fim de uma amizade), saúde (doença, acidente) etc.

Há mais ou menos dois anos perdi uma pessoa muito especial, que amava profundamente.  Embora mantivesse um discurso de entendimento, ainda assim não aceitava e vivia em negação constante, com o peso da saudade assombrando tudo que fazia.   Por me recusar a encarar a perda e pedir ajuda, vivia em processo de lembrar que “precisava esquecer a qualquer custo”, presa à dor, estática nas emoções.  O tempo passou a ter a função de algoz ao invés de aliado piorando meu estado pessoal e a vida no geral até que um dia, finalmente, procurei um profissional para entender porque minha vida estava daquele jeito.

Numa das sessões, ele explicou as  “5 Fases do Luto” e a necessidade de passar por cada uma.  Ao pesquisar sobre o assunto, descobri o que eram essas fases e quando alguém se nega a vivenciá-las,  sofre porque se agarra a uma situação que não existe mais e por isso, “fica” impedida de reconstruir sua vida. Sim, porque a perda é como se fosse um limite entre a vida que possuíamos antes e uma nova, diferente, sem o nosso objeto de amor perdido.


O processo de “fases do luto” foi um estudo desenvolvido pela psiquiatra americana Elizabeth Kubler-Ross, ao pesquisar os efeitos da perda e o período do luto. Ela ressalta que tal processo se aplica a qualquer alteração importante na rotina: a notícia de uma morte, de uma doença grave, a separação de um amor, até o envelhecimento para algumas pessoas. Em geral, o enlutado passa por 5 fases distintas. São elas:

1. Negação –  é uma reação de resistência ao choque e à profunda dor. A pessoa se sente atordoada ou emocionalmente adormecida, o discurso baseia-se em “não, eu não merecia isso”, “porque isto aconteceu?” ou “porque eu não evitei?” “Isto não pode estar acontecendo”.  É o início do luto, apego ao que se perdeu e uma tentativa de manter consigo, algumas vezes chega até ver ou ouvir a pessoa perdida. Aqui muitas coisas perdem o sentido, e até as tarefas mais simples são difíceis demais de serem realizadas. É a fase de maior sofrimento.

2. Raiva – acontece a reação, normalmente de revolta: “Como pode Deus (ou a vida, ou o destino) fazer isto comigo?”. Acontece um período de grande agitação e ansiedade pelo que foi perdido. Quem sofre não consegue relaxar ou concentrar-se e o sono é alterado, com possíveis noites insones e o corpo está de prontidão para se defender de qualquer outra possível decepção.  Nesse estágio, a raiva pode se voltar tanto para uma entidade superior como também contra qualquer pessoa pelo ocorrido, incluindo a si mesma, médicos e enfermeiros, amigos e familiares que não foram úteis, ou mesmo contra a pessoa(coisa) que perdeu.

3. Barganha – começa uma tentativa desesperada de negociação com a emoção ou com quem acha ser o culpado: “prometo ser uma pessoa melhor se ele voltar”,  “subirei as escadas da igreja de joelho”, “preciso de mais tempo para mudar”, “em outro hospital terei novo diagnóstico”.

Outro sentimento comum é a culpa: pensar em tudo que não foi feito ou dito e que poderia evitar. Simplesmente quem sofre não aceita que a perda está acima de qualquer controle. A culpa pode surgir inclusive, depois de sentir alívio pela morte de alguém que sabia sofrer, porque esse é o sentimento que serve como “culpado” nessa fase.

4. Depressão – “Não consigo passar por isto”, “minha família não merece sofrer assim”.  O foco principal são as datas comemorativas (aniversário, ano novo etc.), povoadas de fortes lembranças provocando crises de choro, momentos depressivos, e o estado de agitação referido na fase da raiva e barganha é geralmente seguido de períodos de grande tristeza, isolamento e silêncio.  Esta mudança súbita de emoções costuma preocupar as pessoas próximas, mas é um estágio essencial para a resolução do luto, pois o enlutado faz uma análise mais franca em tudo que aconteceu e escolhe enfrentar o fato para recomeçar a sua vida.

5. Aceitação – “Ok, não terei de volta, não há sentido em continuar nessa luta”.  Com o tempo, as fases são ultrapassadas gradativamente. A depressão chega ao fim e a mente busca novos assuntos. O sentimento de perda nunca desaparecerá por completo, mas sim administrado de forma que seja possível continuar, seguir em frente. A saudade é mais bem administrada, e o sobrevivente sabe que não terá o passado de volta, cabendo-lhe apenas retomar sua vida.

Entenda que chegar nesse estágio não implica em “esquecer”, mas sim administrar a perda, lembrar com carinho sem o peso da dor. Aceitar o processo não impedirá novas dores, mas apto a decidir qual será sua reação, controlando os impulsos, capaz de direcionar o pensamento para o futuro em vez do passado, ajustando-se à realidade da perda e pronto para desenvolver novos relacionamentos, mantendo uma atitude positiva perante a nova vida.


Se puder aconselhar alguém que está vivenciando isso: procure ajuda, informe-se, descubra em que período do luto se encontra para melhor entender o que está acontecendo e assim, aprender como a lidar com a perda e com a saudade.

Ainda hoje, a saudade assalta e dói. O que faço é administrar meus sentimentos, ciente de que essa perda jamais será reparada e  só me resta seguir da melhor maneira possível. Não me obrigo a esquecer, mas a lembrança não é mais um autoflagelo e sim, recordação de um bom momento vivido. Entendo que o tempo é meu aliado, transformando a revolta em aceitação e porque não dizer, força para recomeçar…

Recomeçar… De outro jeito, em outra vida, mas ainda assim recomeçar…


Igor, te amarei para todo sempre!

Mamãe e Papai

Escrito por Paula Miranda
Mídias sociais:



Referência:

Acesso em 17/10/2017


Colaborou Tássia H. de Deus - 
Assistente Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Alguns colaboradores do Serviço Social Boa Vida completaram 10 anos de empresa!

Os colaboradores do Serviço Social Boa Vida João C. Kloppel, Ademir Batschauer e Tássia H. de Deus receberam das mãos do Diretor Sr.Ronald Haas no último dia 22 de setembro uma placa com a homenagem e agradecimento pelos 10 anos de empresa.



Colaborou Tássia H. de Deus.
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Doação para Capela Mortuária da Comunidade Luterana do Badenfurt

     No dia 04 de setembro Sr. Ademir (que realiza assistência as capelas) e Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida realizaram a doação de uma Cafeteira e uma Chaleira Elétrica para a Capela Mortuária da Comunidade Luterana do Badenfurt.



Na foto, Sra.Elaine (Presidente da Comunidade) e Patrícia (Psicóloga do Boa Vida):



Suicídio: por que cada vez mais jovens tiram a própria vida?

O mês de setembro se foi, mas trouxe uma reflexão bem importante sobre o tema suicídio. Engana-se a pessoa que evita falar sobre o tema, achando que possa induzir outras pessoas a cometerem tal ato. Obter informação, entender que quem fala não quer simplesmente chamar a atenção muitas vezes pode salvar uma vida.

         Esse é o Brunno.” A empresária Ana Paula Narcizo mostra no porta-retrato a foto do filho, um rapaz loiro de 20 e poucos anos. Todos os dias, Brunno comprava balinhas em um farol perto da rua onde morava com a mãe, o padrasto e o irmão na zona sul de São Paulo. Até hoje, quando vê Ana Paula, o vendedor pergunta: “Cadê o alemão?”. “Não tive coragem de lhe contar o que aconteceu. Digo que o alemão está longe, viajando.”

Brunno gostava de ouvir a banda britânica Coldplay e adorava assistir a O Poderoso Chefão e a outros “filmes cabeça”, segundo Ana Paula. Estava estudando Direito, mas por um breve período no meio do caminho quis ser fotógrafo e fez vários registros de detalhes da capital paulista. Em outubro de 2012, aos 23 anos, Brunno se suicidou.

Um mês antes, ele acordou a mãe durante a madrugada e disse que sentia “um aperto, uma coisa estranha”. Brunno já tinha um histórico que sugeria indícios de depressão, e Ana Paula pediu que ele procurasse ajuda médica. “Marquei o psiquiatra várias vezes e ele não foi. Ele tinha vergonha de falar o que estava sentindo”, lembra a mãe. “Só depois que você passa por isso é que vê que é bem pior do que imagina. O suicídio é totalmente um tabu.”

A estreia da série 13 Reasons Why na Netflix no final de março representou de certa forma uma tentativa de quebrar esse tabu. Baseado no livro Os 13 Porquês (Editora Ática), de Jay Asher, o seriado conta a história de Hannah Baker, uma adolescente norte-americana que planeja seu suicídio e deixa fitas cassete nas quais relata os motivos que a levaram a acabar com sua vida. Bullying, exclusão e estupro, combinados com a falta de empatia de colegas, pais e professores, são alguns deles. As opiniões de especialistas sobre a qualidade do produto final divergem (veja box na página 33). Ainda assim, nenhum deles questiona que 13 Reasons Why trouxe algo que faltava ao tema: visibilidade.






O momento é certeiro. Na internet, uma notícia falsa russa sobre o Baleia Azul, um perigoso desafio cujo último passo é o suicídio, foi levada a sério ao ser traduzida para outros idiomas. As autoridades já investigam mortes de adolescentes ligadas ao jogo em Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, além de uma série de tentativas de suicídio no Paraná.

“Cerca de 90% dos suicídios são evitáveis. Temos um problema de saúde pública e podemos nos prevenir quanto a ele”, afirma Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida (CVV). “Quanto mais falarmos sobre o assunto, mais pessoas conseguiremos ajudar”, completa Karen Scavacini, psicóloga do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção ao Suicídio.

A abordagem da série já mostra resultados: desde a estreia, o CVV registrou um aumento de 445% nas buscas de ajuda por e-mail e 170% mais acessos ao site. “É uma oportunidade de conversarmos abertamente sobre o suicídio”, resume Paris.

Este é um trecho da reportagem da edição de maio da GALILEU, que já está nas bancas. Para ler o texto completo, baixe o app para ler a edição no seu celular, ou assine a revista a partir de R$ 4,90.

Acesso em 25/09/2017:


Colaborou Tássia Hostin de Deus.
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Boa Vida - Muito mais do que um Plano de Assistência ao Funeral

       


  O Boa Vida é um plano familiar com cobertura ao funeral. Além desse que é o objetivo principal do plano, o cliente recebe uma carteirinha que acessa a rede de parceiros e pode utilizar durante 3 meses de forma gratuita materiais de recuperação como:


  • Cadeira de rodas e de banho;
  • Muleta axilar e canadense e
  • Andador.


Em Blumenau além do escritório do Boa Vida na Rua São Paulo, 561, Victor Konder (em frente a Renault Liberte), desde o início de junho o Boa Vida está com escritório novo no bairro Garcia.
O escritório fica na rua Amâncio Costa, 38 (defronte ao Terminal da Fonte).
Telefone: 3222 9999

Em Indaial o Boa Vida está na Rua Lauro Müller, 104, no Centro (ao lado da Funerária Haas Indaial).
Telefone: 3333 0300

Em Pomerode fica na Rua Frederico Weege, 35, sala 03 no Centro também.
Telefone: 3395 0481.

E em Timbó o escritório fica na Rua General Osório, 381, Centro.
Telefone: 3382 0303.

Não espere passar pela dor da perda e pela grande parte burocrática que terá que enfrentar para pensar em ter um plano de assistência ao funeral completo! 

Você pode adquirir o plano através do site: http://www.boavida.com.br/compre-agora/
Telefones: 3222 9999 Blumenau  / 3333 0300 Indaial /  3395 0481 Pomerode e  3382 0303 Timbó.
Ou ainda ir em um dos escritórios do Boa Vida, conforme endereços acima.


Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida

E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

terça-feira, 19 de setembro de 2017

"A Arte de atender enlutados"



“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”. (Carl Rogers)

Algumas semanas atrás nós comemoramos o dia do psicólogo e então, por um instante, parei para refletir exatamente o que é exercer esta profissão. Para mim, ser psicólogo é uma arte. Sim, a arte de escutar e ressignificar!

Simbolicamente é a arte de escutar a alma do outro, mesmo que este outro esteja com a vida literalmente de cabeça para baixo. Cabe a nós escutá-lo e compreendê-lo. Nós que trabalhamos com pessoas que estão vivenciando perdas e/ou luto precisamos estar disponíveis para “escutar” a tristeza, as angústias, o choro, a dor que dói na alma.

Eu tenho uma amiga psicóloga, Teresa Gouvea, que escreve sobre “coisas”. Ela escreve sobre dor, perdas, tristeza, etc. Enfim, uma série de “sobres”, como ela mesma denomina em seu blog (http://lacoselutos.com.br/index.php) . Eu pedi a ela que escrevesse “sobre a arte de atender enlutados”. Abaixo eu compartilho a escrita de Teresa, que soube colocar em palavras o fazer desta difícil arte.

“Sobre a Arte de Atender Enlutados

Te recebo, certa de não saber a dimensão de suas dores, aprendi que a vida é esse lugar onde cultivamos flores das mesmas espécies, mas que brotam de maneiras diferentes, únicas e ímpares nos quintais da alma. Você chega com medo, mas sinalizando uma coragem que talvez nem você mesma perceba ou compreenda, se atreve a conversar com sua dor.

Senta, chora, se desespera, me fala de vazios que doem, espaços que sobram no quarto, cadeira esquecida, poltrona chorosa, xícaras e talheres que repousam esperando mãos. Conta da vida esquecida pela casa nos sapatos, roupas, perfumes, nessas miudezas que nos dizem quem somos.

Você fala de medos, seu coração parece mudar de lugar, a cabeça flutua fora do corpo, perdeu o paladar, brigou com o sono. Sente medo, ouve vozes e passos, espera chegadas que não acontecem, se confunde sobre as despedidas, momentos em que não sabe mais o que é real. Sente medo da desorganização que os desencontros trazem.

Dentro do seu pesadelo abro espaço para sua dor, como se entregasse folhas onde você pudesse escrever suas histórias de hoje e de ontem, abro espaço para o amanhã que não aconteceu, te ajudo a mudar de sonhos, dou legendas para o que você não nomeia, vagarosas, sem pressa, permissões para encontrar o tempo da sua própria dor.

Você me diz que o mundo lá fora tem pressa, pede que você acelere e acalme sua saudade. Eu te conto que o mundo lá fora, às vezes, tem ruas estreitas para dor. Caminhamos, descobrindo que o tempo é um senhor que não usa as mesmas roupas em todas as despedidas, caminhamos acreditando que essa perda é sua e somente você sabe das coisas das quais se despediu.

Caminhamos, assim, vagarosamente, como se fossemos donas dos relógios do mundo. Passearemos por ruas onde residem memórias da sua saudade, vasculharemos quartos e prateleiras da sua vida. Não, você não será mais a mesma, mas após tantos mergulhos descobrirá lugares para sua saudade. Levantará, esticará os lençóis da cama, fará um café, sentará na varanda e, sorrindo, lembrará de um amor que partiu. Despertará arrumando um outro jeito de amar, negar esse amor e essa história seria outra morte”. (Teresa Gouvea)

Esta é a Arte dos psicólogos que, como eu, trabalham com enlutados.






Nazaré Jacobucci
Psicóloga Especialista em Luto
Psychotherapist Member of British Psychological Society

Referência:
https://perdaseluto.com/2015/09/03/a-arte-de-atender-enlutados/

Acesso em 31/08/2017



Colaborou Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida - CRP 12/10686
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Para ser feliz, pense na morte !


“As pessoas na maior parte das vezes tomam decisões que não são baseadas no melhor para elas, mas no que os outros acham que é melhor. O grande dilema do ser humano é ser amado. E quando ele toma essas decisões, se baseia na possibilidade de receber mais amor. O que as pessoas não entendem é que não é um ato de egoísmo você pensar no que é melhor para você. Você escolher algo que vai te fazer mais feliz não é maldade – pelo contrário. Imediatamente você também vai deixar mais felizes as pessoas à sua volta.”





A Dra. Ana Cláudia Arantes tem uma profissão que, aposto, você não queria ter: ela é médica especializada em cuidados paliativos do hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ou seja, ela só cuida de pessoas que não têm chance de cura. Entrevistei-a para uma reportagem que fiz para a Superinteressante (que quero retomar aqui no Glück algum dia), numa conversa que não consegui esquecer até hoje. Só algumas frases acabaram entrando na revista, mas aqui você pode ler a entrevista inteira. Ao final de tudo, aposto o oposto: depois de ler, você bem que queria ter o trabalho dela – uma aula de felicidade e um manual prático de como viver bem.

Qual é o seu trabalho exatamente?

A minha formação é geriatria. Desde que me formei, sempre me dediquei a uma área do conhecimento médico que se chama medicina paliativa. Isso quer dizer que dou assistência para as pessoas que não têm possibilidade de cura ou tratamento que prolongue as suas vidas. É câncer, demência, doença cardíaca e pulmonar na fase final. Quando a pessoa chega nesse ponto, olhamos para o seu sofrimento. Eu trato todas as dimensões dele, não só a biológica: o sofrimento físico (dor, falta de ar, fadiga, alterações gastrointestinais) e os sintomas emocionais relacionados ao fim da vida (depressão tristeza, culpa, sensação de abandono, tudo que aparece quando você se despede da vida). Você também tem de cuidar da família da pessoa, porque ninguém fica doente sozinho – mesmo depois que morre, você continua existindo na família. E tem também a dimensão espiritual, que é o grande mistério do ser humano. A gente dá condições para que essa dimensão se manifeste. Nesse momento da vida, ela costuma ser a mais expressiva – e não é necessariamente a religião. É a hora que a pessoa pensa no sentido da vida. Ninguém para para pensar no sentido da vida quando ganha na loteria, ou quando está namorando o cara mais lindo do mundo. Você não diz: “ah, agora que está dando tudo certo, qual é o sentido da vida?” A gente só pensa nisso quando o tapete sai do seu pé. É isso que eu faço.

Você conheceu alguém que chegou ao fim da vida sem arrependimentos?

Sim. São pessoas que fizeram o melhor que puderam. Me lembro de um paciente, um homem que era ateu. A gente teve essa conversa sobre arrependimentos durante um pôr-do-sol. Eu perguntei a ele: “Você se arrepende de alguma coisa? Você faria alguma coisa diferente?” E ele disse que não. Disse: “Se eu tivesse escolhido outros caminhos, teria encontrado outros abismos, outras curvas. As decisões que eu tomei foram as melhores que podia tomar naquele momento. Eu fiz o melhor que pude. Então eu estou em paz.” E ele nunca fez terapia! Ele já nasceu pronto! Ele era ateu, então sua dimensão espiritual era em relação com a natureza e o universo. A pessoa pode ser relacionar consigo mesmo, com os próximos, com o universo ou com Deus. Cada um trabalha em uma dessas dimensões. Esse paciente se relacionava com o universo. Então ele falava para mim: “Ana Paula, olha o sol. O sol está morrendo. Por que eu tenho que viver para sempre, se tudo no universo nasce, tem seu desenvolvimento e morre?” E esse homem morreu no pôr-do-sol, exatamente.



Mas isso é a minoria dos casos…
É mais raro, porque as pessoas na maior parte das vezes tomam decisões que não são baseadas no melhor para elas, mas no que os outros acham que é melhor. O grande dilema do ser humano é ser amado. E quando ele toma essas decisões, se baseia na possibilidade de receber mais amor. O que as pessoas não entendem é que não é um ato de egoísmo você pensar no que é melhor para você. Você escolher algo que vai te fazer mais feliz não é maldade – pelo contrário. Imediatamente você também vai deixar mais felizes as pessoas à sua volta. E você também vai ser amado.

Por que você acha que tanta gente se arrepende de ter trabalhado tanto?

O trabalho tem a ver com o tempo dedicado. Se você pensar, quanto tempo você passa no trabalho por dia?

Nove horas.

Então, nove horas no trabalho, mais oito para dormir, sobram sete horas para viver. E nessas sete você também pensa no trabalho. No fim da vida, você olha para trás e vê tudo o que se dedicou ao trabalho – talvez você tenha sido demitida aos 40 anos, ou você não gostava da profissão, ou escolheu a carreira para agradar seu pai ou sua mãe, ou ficou trabalhando para juntar patrimônio para seus filhos. No fim, você não leva nada disso. Agora, se você faz um trabalho que realiza você, que a deixe satisfeita consigo mesmo, e que traz resultados bons pra sua vida pessoal, ninguém se arrepende.


Os seus pacientes sofrem alguma mudança quando estão morrendo?

Totalmente. É maravilhoso. Quem trabalha com cuidado paliativo vê uma coisa muito clara: ao longo da doença o paciente vai se aprimorando. O paciente consegue evoluir de tal forma e para um sentido da sua existência – já que vai ter que transcender a existência física -, em que o bem que existe dentro dele se manifesta com muita clareza. Quando estamos falando de alguém que já era bom, é um processo natural. Agora, as pessoas que eram muito ruins mudam muito – você sabe que tem, né, gente muito ruim por aí, gente que a família sempre soube que era ruim. Esses mudam muito. Acontece com todo mundo: por exemplo, aquele cara que foi alcoólatra a vida toda, batia na mulher, não levava dinheiro pra casa. No final da vida ele se transforma. Ele se arrepende, ele pede perdão, ele agradece, ele diz que ama. E sai da vida pela porta da frente. Tem um negócio muito misterioso entre os seres humanos. Todo mundo sempre fala que a primeira impressão é a que fica, mas não é. É a última. Quando você sai bem daqui, você para sempre vai ficar bem. Parece que tudo que você aprontou na vida fica menor. “Mas no final ele foi maravilhoso”, lembram.

E todo mundo passa por isso?

Todo mundo. É muito raro não acontecer. Quando você dá essa assistência, esse cuidado paliativo, você dá chance a ela de se expressar completamente. Ninguém vai ser uma boa pessoa, se estiver com dor. Mas quando você cuida do sofrimento, a pessoa consegue manifestar o que de melhor há dentro dela, a essência de verdade. É muito raro alguém chegar no fim amargurado. Geralmente, são pessoas que, ao longo da doença, não tiveram muita chance de ponderar sobre o fim da vida. A grande dificuldade que a gente tem no Brasil é que não se fala sobre a doença para o paciente. Os familiares pedem: “Ó, não conta nada, hein”. Como assim não conta nada pra ela? A doença está dentro da pessoa, não no exame que você pode esconder na gaveta. A doença está nela!

Para alguém que vê tão de perto o fim da vida, quais seriam suas dicas para viver bem? Seria não se preocupar?

Não tem essa de não se preocupar. Isso seria muito hedonista, né? “Ah, então vou levar a vida na flauta”, mas a vida não é uma flauta, ninguém veio a passeio. A dica não é levar nada a sério, é levar tudo a sério. Mas de maneira que, ao final, você possa dizer que fez escolhas conscientes. Não pode ficar se martirizando. Você faz uma escolha com trinta anos e aí aos cinquenta fica se lamentando: “Ai, como pude fazer aquilo”. Isso é roubar no jogo: você é uma criatura de cinquenta anos julgando uma de trinta, que não tinha noção do que podia acontecer. Isso é errado, não é honesto. Honesto é olhar para o momento em que você tomou aquela decisão e ver se você seguiu seu coração.

O problema é lembrar disso tudo na vida imediatista…

O problema é que a gente não pensa na morte. A morte é uma excelente conselheira. O dia  em que você precisar de um conselho bem bacana, bem verdadeiro, procure alguém que está morrendo e marca um horário (risos).



Por que você escolheu essa carreira?

Veio do sofrimento. As pessoas para quem eu dou aula hoje vêm porque acham bonito, uma área humana da medicina. No tempo em que eu estudei, eu fiz isso porque a medicina era desumana. Lembro que ainda estava na faculdade quando um professor me disse sobre um paciente: “Não tem mais nada que a gente possa fazer”. E eu: “Como assim, mais nada? Quando o cara mais precisa de médico, não tem mais nada pra gente fazer?” “Ah, tem pouco tempo de vida, não vale a pena.” E eu penso, meu, se tiver duas semanas de vida, eu não tenho tempo a perder! Alguém tem de dar atenção pra essa pessoa, tem que dar importância para isso. Então escolhi por causa disso: eu valorizo meu tempo.

E você já tirou algum aprendizado para você dessa profissão?
Você não faz ideia do que é isso. É demais, demais. Eu estou na primeira fila vendo o que vai acontecer comigo – o que já aconteceu comigo, aliás, porque eu já tive perdas. Isso faz com que eu tenha chance de ponderar sobre essas perguntas antes que a morte venha me convidar pra passear. Isso é uma benção.

Seria bom se todo mundo tivesse essa oportunidade.
Seria ótimo. Acho que passar um dia comigo é um negócio que realmente muda a vida das pessoas. Todo mundo que passa lá diz que muda todas as perspectivas. Não adianta nada ver as tragédias que acontecem no mundo pelo jornal. Tem tragédia acontecendo todo dia, isso distrai. Acaba não trazendo sentido pra sua vida. Agora, quando você acompanha uma pessoa todo dia, no dia-a-dia, à medida que ela se aproxima da morte, o que ela faz com isso é magnífico. É um negócio encantador o que as pessoas fazem com a própria vida quando elas sabem que está acabando.

Sinto que as pessoas se perdem tentando seguir todas as regras que existem para viver mais e melhor…
Você já fez a conta de quanto tempo se perderia se você mastigar 25 vezes, se você meditar uma hora, se você fizer atividade física? Cai na real. Que horas isso vai acontecer? Acho que a medicina é uma forma das pessoas se distraírem um pouco daquilo que realmente importa, que é viver. Mas a gente deveria usar a medicina como uma ferramenta para viver melhor. E isso não é uma receita de bolo, porque o meu “viver melhor” não é o seu. Não adianta seguir todos os conselhos. Uma coisa que eu aprendi, vendo a morte sempre por perto é que as pessoas nessa situação começam a ter um discernimento que nunca tiveram na vida. Elas sabem. Se ela estiver com uma doença grave e eu tentar enrolar, ela percebe. Não adianta tentar enganá-las com regras.

O que é importante para se despedir bem?

Eu acho que o que é mais difícil é ter pessoas ao teu lado que vão dar conta de cuidar de você nesse momento. Essa área que eu faço precisa de profissionais qualificados. Humanidade é um negócio que você desenvolve ao longo da vida. E para você estar do lado das pessoas que estão no fim da vida, você tem de ter formação e conhecimento. Porque é como estar no front. O front da morte. Se você não estiver preparado para estar ali junto com os pacientes, melhor não estar.

Então como amigos e familiares vão saber como lidar com isso? É quase tão difícil pra eles.
O mais difícil é sempre para o paciente. Se meu pai morreu, ele se despediu da vida. Eu perdi meu pai, mas ele perdeu tudo. Então o luto do paciente é imenso perto do luto das pessoas que vão ficar. Mas, para que aqueles ao redor fiquem bem, o doente precisa passar por um processo de fim de vida que ajude esses amigos e a família a aceitar a morte. Não quer dizer que não vai doer e que não vai ter tristeza. Isso é legítimo e tem de ter. Eu sei que fiz um bom trabalho quando chego para fazer um atestado e constatar a morte de alguém e todo mundo no quarto está com os olhos vermelhos e sorrindo. Porque a tristeza existe, mas existe uma paz de que tudo foi feito. A certeza de que o melhor estava disponível. Isso não quer dizer morrer no Einstein, a pessoa pode falecer bem na casa dela. Quando os familiares e os amigos têm essa paz, aí sim fica tudo bem. Você passa pelo período de luto, mas em paz.

Postado em 15 De Outubro De 2013
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por Karin Hueck


Referência:



Acesso em 31/08/2017


Colaborou Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida - CRP 12/10686


E-mail: patricia.santos@boavida.com.br