terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Suicídio: há algo estranho em nós?


Não é fácil assumir o papel de protagonista quando vemos um assunto como tabu. Nesse caso, no entanto, é urgente romper o silêncio, conversar e aceitar o fato de que sabemos muito pouco.



O país foi surpreendido com um suicídio transmitido ao vivo pelas mídias sociais há duas semanas. Não foi o primeiro caso em que um suicídio se tornou espetáculo e, com o avanço das tecnologias de comunicação, situações como essa podem virar rotina.



O suicídio é um problema mundial que não escolhe cultura, classe social, gênero ou idade. É uma das questões universais do ser humano que mata pelo menos uma pessoa a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos.



Sim. A maioria das pessoas se espanta na primeira vez que toma conhecimento desses índices, pois é muito mais gente do que imaginávamos; mas o lado positivo é que, segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos. Muitos são portadores de doenças mentais e não têm condições de acesso a profissionais especializados; outros tantos têm uma crise e ninguém com quem contar. Com ajuda a maioria estaria viva.



Um estudo da Universidade de Campinas aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. Transformado em algo mais tangível pode-se dizer que são sete alunos em uma sala de aula, 35 passageiros em um avião e quase 12.000 torcedores num estádio da Copa do Mundo.



O Brasil ocupa o triste oitavo lugar no mundo em números absolutos de mortes por suicídio.



Existem algumas iniciativas públicas para tentar reduzir essa estatística, como o recente debate na Câmara dos Deputados para a formação de um grupo de trabalho para revisão das políticas públicas de prevenção do suicídio e a criação pelo Ministério da Saúde de um número para ligação gratuita, o“188”, com a finalidade de oferecer apoio emocional de emergência para prevenção do suicídio. Atualmente em operação exclusivamente no Rio Grande do Sul como fase piloto, o 188 deve ser expandido futuramente às demais regiões do país.








Ainda é pouco. Quando o assunto é prevenção de suicídio, ainda engatinhamos, pois o problema requer o envolvimento de todos.



Sim, isso diz respeito à toda a sociedade, e não somente às autoridades, pois é comum que se fuja ou se mude de assunto quando algum amigo nos procura para desabafar ou mesmo quando nossos filhos comentam em casa sobre um colega que tentou tirar a própria vida. Essas são oportunidades de melhorar a eficácia do círculo de relacionamento dos que precisam.



Não é fácil assumir nossos papéis de protagonistas quando vemos o assunto como um tabu. É urgente romper o silêncio em torno do suicídio, conversar sobre o assunto, aceitar o fato de que sabemos muito pouco a respeito, de que todos estamos suscetíveis e que existe prevenção. Estimular as faculdades de saúde a tratarem do tema em sala de aula, implantar programas confiáveis de desenvolvimento de habilidades sócioemocionais desde a infância, incluindo capacitar os professores a prestarem atenção aos sinais de seus alunos e oferecerem ajuda. Estimular as empresas a inserirem o tema em SIPATs e os pais a não se furtarem de conversar abertamente sobre a questão.


"Ao menos uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos em todo o mundo e um brasileiro a cada 45 minutos"


A cada novo fato “espetacular”, surgem novos culpados. As mídias sociais e a crise econômica são os mais recentes, mas podemos realmente colocar esses dois fatores no banco dos réus?



Dizer que sim seria simplificar a questão e lavar nossas mãos diante dos fatos.



As mídias sociais digitais são ferramentas disponíveis a quase todas as pessoas e podem ser bem ou mal utilizadas. Não são elas as responsáveis pela espetacularização do fato, mas sim as pessoas que se utilizam desse meio dando um “compartilhar” em um vídeo desses e transformando o sofrimento e a perda de uma vida em show.



Utilizar as redes para divulgar um ato de suicídio, ainda mais com detalhes e imagens, é o oposto da prevenção; é esquecer a pessoa que sofre e satisfazer alguma necessidade pouco nobre. Por outro lado, utilizar as redes para identificar sinais de alerta em conhecidos e oferecer ajuda, é fazer bom uso da tecnologia. Um exemplo interessante foi o Facebook ter criado, no ano passado, um recurso pelo qual um usuário pode alertar o administrador que um conhecido seu dá sinais de ideação suicida. E, nesses casos, o Facebook alerta essa pessoa que alguém está preocupado com ela e oferece opções de ajuda, inclusive com os contatos do CVV.



Esse pode ser o início de um processo para evitar o suicídio. A ajuda emergencial pode ser obtida por meio de um atendimento do CVV, que em seus 55 anos de atuação gratuita na prevenção do suicídio entendeu que as pessoas precisam ser acolhidas e aceitas nos momentos de crise, de sensação de solidão ou forte angústia, e não criticadas, cobradas ou julgadas.



Também a crise econômica não pode ser considerada totalmente culpada. Pode-se dizer que são raríssimos os casos, para não afirmar que são inexistentes, em que a tentativa de suicídio possui uma única motivação.



A pessoa é levada ao suicídio pelo acúmulo de situações com seus sentimentos por vezes insuportáveis. É usual que haja um fator desencadeante, como se fosse a gota d’água em um copo cheio, que a leva à sensação de total impotência e desespero.



Dificuldades financeiras, assim como guerras, ditaduras e outros cenários críticos podem ser fatores de pressão externa e “adicionar água ao copo” de muitas pessoas. Cada pessoa tem um limite próprio e reage de maneira diferente aos mesmos estímulos, o que leva à necessidade comum a todos nós de encontrarmos maneiras de “esvaziar o copo” antes que chegue na borda. Para isso, cada um que se importa com a vida pode ser um recurso.



Ilustração por AlphaDog



Por Robert Gellert Paris Junior*




* Robert Gellert Paris Junior é presidente do CVV – Centro de Valorização da Vida (cvv.org.br), entidade sem fins lucrativos que presta serviço gratuito e voluntário a todos que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail, chat e pessoalmente.


Referência em: 

http://veja.abril.com.br/complemento/pagina-aberta/suicidio-ha-algo-estranho-em-nos.html


Acesso em 13/02/2017.


Colaborou Tássia H. de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

11 atitudes que NÃO ajudam a diminuir a dor de quem perdeu alguém !





A intenção pode ser boa, mas grande parte do que se faz para tentar conter a dor do luto alheio tem o efeito contrário de piorar seu sofrimento. Na dúvida, não faça nada além de oferecer um ombro amigo e deixar que ele ou ela chore à vontade.

Desde que nosso site está no ar, há um ano, temos falado com muitas pessoas, ouvido centenas de histórias de luto e recebido milhares de mensagens lindas e comoventes (que tentamos responder, com a brevidade possível, uma a uma). Nosso aprendizado até aqui é o de que estamos no caminho certo. Abrir este canal e permitir que mais gente converse, se expresse livremente e abra seu coração sobre a dor de perder alguém querido, comprovou-se uma forma simples e bem-vinda de promover empatia e conforto. Ao longo deste trabalho, constatamos o que os estudiosos e terapeutas do assunto já nos haviam alertado: todo luto é singular, pessoal e intransferível. A dor, no entanto, é comum à maioria dos enlutados. Se queremos ajudar podemos, sim, evitar que ela seja amplificada pela prática, muitas vezes inconsciente, de gestos e atitudes “convencionais” em direção ao enlutado. A intenção pode ser boa, o resultado é muito ruim. Já sugerimos por aqui o que deveria ou não ser dito a quem perdeu uma pessoa amada. À essa lista, acrescentamos esta relação de ações que NÃO AJUDAM, colhida através dos depoimentos recebidos aqui.


1- Reprimir as lágrimas alheias. É difícil ver alguém de quem gostamos muito se debulhar em lágrimas. Mas o choro que nos incomoda pode fazer muito bem a quem está chorando. Quanto quiser, por quanto tempo quiser. Se for no seu ombro, melhor.

2- Impor um limite de tempo ao sofrimento pelo luto. Ninguém pode delimitar por quanto tempo aquela dor vai doer no outro. Mesmo que a gente queira que passe logo e que aquela pessoa em sofrimento volte a ser o que era antes, não adianta marcar uma data no calendário. Se o luto prolongado for do tipo complicado (o termo luto patológico foi substituído por esse porque, de fato, luto não é doença, mas pode ser gatilho para uma depressão) deve-se indicar ajuda terapêutica. Enquanto for tristeza, falta de vontade de voltar a freqüentar festas, se divertir e retomar a vida antes do luto, o melhor a fazer é companhia, conversar e deixar que a pessoa decida quando está pronta para voltar. Em tempo: não há um tempo certo para estar pronto para voltar.

3- Fazer qualquer comparação (para melhor ou pior) da reação da pessoa ao luto com o luto de outra. Mesmo que duas pessoas tenham perdido o mesmo parente, filho, amigo, marido, mulher, é cruel dizer que ela está se comportando de forma mais ou menos “adequada”do que a outra. Mesmo quando a intenção é parabenizar a “força”de uma em detrimento da “fraqueza”de outra diante da morte de um ente querido, o efeito é o de banalizar o sofrimento de ambas. O aparentemente “forte”pode estar em frangalhos por dentro. E vai se obrigar a manter essa aparência para não perder a admiração de pessoas como você.

4- Tentar confortar o enlutado dizendo que a pessoa que partiu estava, afinal, sofrendo muito. Nesse caso, o efeito é fazer com que, além de muito triste pela perda, o enlutado se sinta culpado pelo “egoísmo”de estar pensando mais em si do que naquela pessoa amada que partiu.

5- Impor uma “hierarquia do luto”. Perder um filho é uma dor sem fim, mas não serve de parâmetro para quem está dilacerado pela morte do pai, da mãe, ou dos avós velhinhos. Comparar dores para minimizar a de quem está sofrendo é uma atitude inútil e muitas vezes cruel.

6- Esperar que a pessoa decida do que precisa neste momento difícil. Ela está tão desorientada que dificilmente vai saber dizer do que está realmente precisando. Mas saiba, ela precisa de conforto e solidariedade: comida caseira, carona pra casa, dividir um chá ou uma taça de vinho. Bolo, sopa e brigadeiro nunca são demais. Melhor oferecer algo concreto e positivo do que dizer a frase protocolar: conte comigo para o que precisar.

7- Evitar falar sobre a morte ou sobre a pessoa que faleceu. O assunto pode ser difícil para quem está de fora, mas falar, contar histórias, mostrar fotos e reviver a memória do ser amado é, para a maioria das pessoas, uma forma de trazê-lo para perto e preservar a vida de quem partiu.

8- Obrigar a pessoa enlutada a falar sobre quem perdeu se não estiver disposto. Da mesma forma que deixar que se expresse faz bem ao coração, impor a prática a quem não está a fim não ajuda em nada.

9- Excluir o enlutado de convites para situações sociais festivas. A vida continua e quem deve decidir se quer ou não participar de festas e reuniões é a pessoa que está de luto. Tomar essa decisão por ela reforçará sua sensação de ter se tornado um incômodo social.

10- Pretender saber o que o enlutado está sentindo. Ninguém sabe. Todo luto é singular, lembra? Mesmo que tenhamos perdido o mesmo parente, a empatia consiste em admitir a dor do outro, e não achar que porque vivemos a mesma situação, sabemos o que é e como o outro deveria reagir.

11- Julgar. Ninguém pode dizer o que está certo e o que está errado no comportamento de alguém que está sofrendo. Impor um julgamento moral ou social sobre quando se deve chorar ou não, quando e como voltar a sair e se divertir, retomar a vida de antes, apenas torna mais difícil o percurso. Não há uma etiqueta ou um código de boa conduta para o luto. Não julgue.


 Por Cynthia de Almeida  em 15/01/2017

Referência:

http://vamosfalarsobreoluto.com.br/post_helping_others/11-atitudes-que-nao-ajudam-a-diminuir-a-dor/

Acesso em 15/02/2017.

Colaborou Tássia H. de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Luto - Sobrevivendo as perdas ...

        Perder alguém significativo nos tira o chão, nos abre um enorme buraco, nos esvazia a alma. Por vezes até nossas crenças nos deixam sem amparo, ficamos órfãos. A dura realidade da morte se impõe, percebemos que tudo tem um fim, que por mais que tenhamos buscado negar ou  distanciar, somos tocados pela dor arrebatadora da perda. E o tamanho da dor vai depender do quanto investimos nessa relação, do que essa perda significa em todas as dimensões (psicológica, social,  existencial, espiritual, etc.). O tempo, que inicialmente mais parece um inimigo, é essencial para que ocorram as mudanças, as transformações de dentro e de fora na vida de quem fica. Eis o processo do luto; que essencialmente demanda de tempo.



          Cronologicamente passam-se os dias, meses,  ano; no entanto, o tempo emocional e interno, não acompanha o do relógio e do calendário. Cada pessoa passa pelo processo do luto de maneira diferente e o tempo para a elaboração também é diferente. A possibilidade de expressar as emoções e os sentimentos evocados pela morte de alguém querido é de extrema importância. 


           Não seja duro consigo mesmo, não tente negar a ferida que se abriu e a dor que esteja sentindo, a ferida precisa ser limpa, assim como as coisas que se deixou de dizer e de fazer a quem se foi, devem ser substituídas pela certeza de que nenhum de nós é 100% perfeito nas nossas relações. Assim como a ferida que se fecha e deixa suas marcas, a morte de alguém que amamos se transforma durante o processo do luto numa cicatriz, que está lá, mas agora já não causa dor, - damos a ela o nome de memórias, de saudade.




In Memoriam a minha querida avó materna Maria Angelina de Simas. 

Colaborou:  Patrícia dos Santos – Psicóloga -  CRP/SC 12/10686 
Formação em Terapia Cognitivo Comportamental (Instituto Sensus de Psicologia) 
Formação em Tanatologia (Perdas e Luto) pelo CTAN  
Especialista em Gestão de Pessoas (MBA)
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

30 de Janeiro - Dia da Saudade - Psicóloga do Boa Vida concedeu entrevista

30 de Janeiro foi celebrado o dia da Saudade!



Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida falou sobre o tema em 3 meios de comunicação:



Patrícia dos Santos – Psicóloga -  CRP/SC 12/10686 
Formação em Terapia Cognitivo Comportamental (Instituto Sensus de Psicologia) 
Formação em Tanatologia (Perdas e Luto) pelo CTAN  
Especialista em Gestão de Pessoas (MBA)
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br


1º Concedeu uma entrevista a Rádio Guararema FM através do jornalista José Carlos Goes.


 Depois participou do Programa Show da Manhã com Rose Leite na Rádio Clube Blumenau.





3º E por fim concedeu entrevista ao vivo do Programa Ver Mais da Ric Tv.







Link da entrevista:

http://ricmais.com.br/sc/rictv-blumenau/videos/S0lX3FiVK5k/dia-da-saudade-como-lidar-com-a-falta-dos-que-ja-se-foram/



Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br