sexta-feira, 31 de março de 2017

Palestra: Comunicação não violenta no ambiente de trabalho!

No dia 16 de março os líderes Dirceu, Tássia, Taíse, Rafael e Leandro participaram da palestra com o tema:"Comunicação não violenta no ambiente de trabalho" realizada no Hotel Sesc.
A palestra foi ministrada pela psicóloga Caroline Brunning. 

Na foto abaixo da esquerda para direita, d.:  Dirceu, Tássia, Taíse, Rafael e Leandro.




Colaborou Tássia H. de Deus - Coordenadora do Serviço Social Boa Vida.
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2017

“Meu trabalho é de amor, é de cuidar”


Gisela Adissi, uma das fundadoras do ‘Vamos Falar sobre o Luto?’, já teve vergonha de ser dona de cemitério. Até que a morte de um primo em um acidente deu novo significado a essa história.


Imagem: Arto Marttinen / Unsplash


“Minha família é dona de dois cemitérios, um crematório, uma funerária, um plano de assistência funeral e uma floricultura dedicada aos serviços fúnebres. Como cresci vendo meus pais trabalharem nesse setor, sempre achei tudo muito normal. Foi só lá pelos 9 ou 10 anos de idade que eu comecei a ficar desconfortável diante dos outros – e isso aconteceu porque eles ficavam desconfortáveis diante de mim a cada vez que eu dizia que era filha de donos de cemitério. Eu via no rosto das pessoas uma expressão esquisita, constrangida, e daí comecei a ficar constrangida também. Me lembro até hoje da única vez na vida em que encontrei uma outra menina que vinha de uma família como a minha. Éramos adolescentes e quando a Maria Fernanda disse ‘meu pai é dono de cemitério’ eu comecei a gritar ‘o meu também!, o meu também!, o meu também’. A gente nem se conhecia e foi automático nos darmos um abraço apertado. Mesmo agora, na vida adulta, muita gente ainda me olha esquisito quando conto qual é a minha profissão. Na época em que fiz uma pós-graduacão eu precisava dizer em diferentes aulas qual era a minha área de negócios e via as pessoas sorrindo sem graça e se encolhendo na cadeira, como se precisassem se proteger de mim. Ninguém quer ficar perto de algo ou alguém que lembre a morte. Fazemos de tudo para nos esquecer de que ela existe. Eu achava compreensível a reação dos meus colegas: confesso que já considerei bizarro o meu trabalho! Mesmo tendo frequentado cemitérios desde criança, eu demorei a ganhar intimidade com a morte.

Foi só quando perdi de maneira trágica um primo muito próximo que eu realmente pude experimentar na pele o sofrimento de quem vê partir alguém muito querido. E ao experimentar esse sentimento o sentido do meu trabalho mudou completamente – se antes eu sentia vergonha, hoje sinto orgulho do que faço. Eu já havia perdido pessoas antes, mas até então tudo havia ocorrido na ordem natural das coisas. Minha avó, uma tia… Foi sofrido, mas foram mortes que aconteceram no tempo esperado. Nada se compara à morte do Leo… Como pode alguém desaparecer de repente num acidente de avião? Como é que se lida com a partida de uma pessoa tão jovem, tão no auge da vida, tão cheia de planos? A morte do meu primo bagunçou a minha vida (a vida interna, mais do que a externa) e, ouso dizer, a vida de muita gente da minha família, apesar de estarmos acostumados a conviver tão de perto com o luto. Não tem jeito: se essa experiência nos ensinou alguma coisa, é que o luto de cada um é o luto de cada um. Eu só posso falar do meu… E falo: para mim, nas semanas seguintes à morte do Leo, tudo ficou congelado e fora de lugar. O tempo parecia funcionar em slow motion, faltava chão e sobrava dor. Dor pesa. Talvez venha daí a palavra ‘pesar’ para expressar o sentimento de luto. Naqueles dias, fui vivendo meio que no automático, carregando comigo o meu pesar. Por onde eu ia o pacotinho (pacotão!) de dor ia comigo.

Dessa época me lembro apenas de fragmentos. Um deles é de uma palestra que fui assistir no SINCEP, o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil. Era uma palestra do Instituto Quatro Estações, que faz um trabalho muito efetivo e muito respeitado de suporte psicológico para situações de perdas e lutos. Como o acidente que matou o meu primo era o assunto daqueles dias, era natural que fosse mencionado pelas psicólogas. Mas bastou elas começarem a falar sobre o caso para as pessoas do sindicato se manifestarem, dizendo: ‘Por favor, não queremos tocar nesse assunto’. Eu queria tanto ouvir o que elas tinham a dizer… Fiquei sensibilizada por perceber que meus colegas queriam evitar que alguém mexesse na nossa ferida, mas de qualquer forma a ferida estava aberta, exposta, sangrando. Não havia nenhum problema que fizessem referência à morte do Leo porque naquele momento não havia nada no meu íntimo, no meu pensamento, que não fosse a morte do Leo. Achei curioso que num evento de pessoas que trabalham com a morte a dor fosse um tabu… A partir daí a ideia de humanizar o atendimento nas empresas fúnebres ganhou uma força gigantesca em mim. Esse já era um propósito profissional e virou algo maior, um projeto de vida – hoje tenho o sonho de transformar a relação que as pessoas têm com a morte. A criação do “Vamos Falar sobre o Luto?” tem tudo a ver com esse sonho. Sou uma das fundadoras do projeto ao lado de seis amigas da área de comunicação e psicologia – que, talvez por terem profissões em que se exercita a curiosidade e a empatia, sempre tiveram ouvidos muito atentos e interessados para as minhas histórias ‘cemiterianas’. (Obrigada, meninas!)

No meu trabalho, todos os colaboradores são constantemente lembrados que se para nós velórios e enterros são rotina, quem chega aos nossos cemitérios para ir a um enterro vive um momento único e difícil. Respeito, discrição e delicadeza são valores que fazemos questão de cultivar em relação aos nossos clientes e também ao nosso time, que precisa de suporte (não é fácil conviver com a morte diariamente e por isso nossos “cuidadores” também precisam de cuidados). Tento difundir entre eles a ideia de que somos uma empresa provedora de afetos e de que apenas trabalhando juntos poderemos criar caminhos para mudar a relação que as pessoas têm com a morte. Já entendemos que será preciso mudar a estética fúnebre, a “cara” da morte. Por que os caixões são sempre os mesmos, há tanto tempo? Por que tão pesados e escuros? Será que não podemos fazer algo diferente, ‘ligar’ a morte não ao peso, mas à leveza? Ainda bem que a minha querida tia-avó Mara, que fundou esse negócio 45 anos atrás, teve a ideia de colocar em nossos cemitérios um nome que evoca leveza: Primaveras. (Não quero ficar me alongando nesse assunto porque tenho medo de que vocês, leitores do VFSOL, pensem que cá estou para fazer propaganda. Não estou.)

Hoje já não utilizo mais subterfúgios do tipo “sou empresária” ou “sou administradora de empresas” para falar sobre o meu trabalho. Trabalho em um negócio que é de amor, é de cuidar. Cuidar das pessoas, cuidar da memória. Nossa, falar de memória rende um outro texto, mas fica para a próxima. Neste aqui o que eu queria dizer eu já disse: trabalho em cemitério, com orgulho!

 Por Gisela Adissi 06/10/2016

* Esse relato foi feito à jornalista Sandra Soares, amiga, irmã e escritora

Referência:  http://vamosfalarsobreoluto.com.br/2016/10/06/meu-trabalho-e-de-amor-e-de-cuidar/#comment-82

Acesso em 16/03/2017

Colaborou Tássia Hostin – Coordenadora do Serviço Social Boa Vida –
Especialista em Gerontologia – Formação em Tanatologia
E-mail:tassia.hostin@boavida.com.br

Você sabia que o Boa Vida conta com um setor específico para atender a família na hora do falecimento do ente querido ?



O setor é o Serviço Social e nele atuam: Patrícia que é a psicóloga e Tássia que é a Assistente Social. Estas profissionais possuem experiência e formação específica em como lidar com a família enlutada.

O objetivo principal desse setor é orientar a família sobre quais os procedimentos necessários diante do falecimento do ente querido.

Além disso, as profissionais fazem a análise do contrato do plano, e realizam a mediação entre a família e a funerária que prestará o serviço.

O setor conta ainda com o apoio do Sr. Ademir, Davi e Sr.João que realizam assistência ao velório. Cada colaborador realiza a assistência numa determinada área de cobertura. Durante a assistência, eles levam 3 cucas que complementam o kit café, em seguida analisam como está a assistência e marcam horário para que a família venha no pós-óbito conversar* com a assistente social ou a psicóloga para realizar o registro de óbito, verificar situações gerais do plano, e em alguns casos seguro de vida.

Algumas famílias chegam no pós óbito abaladas devido o falecimento do ente querido, neste momento é colocado a disposição pelas profissionais do setor, o serviço de acolhimento realizado pela Patrícia, psicóloga.

Toda esta estrutura do plano, foi criada e pensada com muito respeito e carinho ao cliente.

Lembre-se: No momento mais difícil da vida, conte com o Boa Vida .
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Maiores informações ligue para: 3222 9999 ou mande um e-mail para: servicosocial@boavida.com.br


Na foto da esquerda para direita: David, Sr.João e Sr.Ademir.
Sentadas: Patrícia e Tássia







Colaborou Tássia Hostin – Coordenadora do Serviço Social Boa Vida –
Especialista em Gerontologia – Formação em Tanatologia
E-mail:tassia.hostin@boavida.com.br

terça-feira, 7 de março de 2017

Viajei com minha mulher e voltei só com as crianças ...



Quando eu pedi ao Luciano que me contasse a sua história, ele abriu o coração e narrou com precisão os detalhes que parecem ficar gravados pra sempre no peito, o curto e intenso período desde a descoberta do câncer da mulher, Eduarda, então grávida do segundo filho, Teo, até sua morte, dois anos depois

O casal de atores de teatro, Luciano Braga Silva e Eduarda Lourenço de Vasconcellos, juntos há 10 anos, já tinha a filha Amora, então com 4 anos, quando começou a viver a angustiante montanha-russa de emoções que envolvem um câncer grave: a certeza da cura, a esperança, o medo da morte, a celebração da vitória, a recaída e, no final, o apego ao curto tempo que restava. No caso deles, com o parto (que teve que ser antecipado) do filho no meio.

O luto de Luciano, como costumamos dizer aqui, é uma história de amor, cuidado e coragem. No caso dele, de um homem que expõe abertamente seus sentimentos mas admite que toda a rede de proteção recebida nesse processo veio das amigas e familiares mulheres, muito mais acolhedoras da dor alheia do que os homens.

“Quando o tratamento do câncer de mama terminou, viajamos para passar as férias em Minas, com a família da Duda. Acreditávamos que seria o início de uma nova vida, o nosso recomeço depois do sufoco”, conta. Duda nunca voltaria para sua casa, no Rio de Janeiro. Em janeiro de 2014, sentiu-se, novamente, muito fraca. No início, a fadiga foi confundida com depressão, considerada comum ao final de um tratamento pesado como a quimioterapia. Não era. O câncer voltara e já se espalhara pelo fígado, ossos, cérebro.

Luciano e a família optaram por tratá-la na cidade vizinha, Pato de Minas, e contar uma meia verdade para Eduarda: havia um novo tumor no fígado. Ninguém quis tirar dela todas as esperanças. Ele sabia que não tinham muito tempo mas queria prolongá-lo. “Eu precisava dela”. Os últimos dias no hospital mostraram que o apego já não fazia mais sentido. Em coma por dois dias, foi cercada pelo carinho do marido e das amigas, que liam seus livros favoritos e tocavam as músicas de que gostava que Eduarda faleceu, aos 38 anos.

A volta para o apartamento no Rio foi um baque: “Viajei com a minha mulher e estou voltando com as crianças e um pedaço de papel no bolso”, lembra-se de ter pensado. Tinha que segurar a barra e a dor pelas crianças. No dia da morte, contou pessoalmente para os filhos, que não quis levar ao velório. Mesmo para o pequeno Teo, então com um aninho, ele fez questão de falar que a mamãe nao estaria mais com eles.


Nos primeiros tempos, Luciano engoliu o choro e só cuidou das crianças. “Não tinha tempo para cair em depressão”, diz. Sua forma de manter Eduarda por perto foi ficar no mesmo apartamento, conservar tudo igualzinho, não tirar as fotos, nem mesmo as roupas dela do armário. Seu espaço de choro? Eram momentos solitários nos lugares da cidade em que mantinham a maior conexão, como o Parque Lage, onde foram tantas vezes juntos e onde Duda contou que estava grávida novamente. “Eu chorava ali, livremente, nunca tive vergonha de chorar”. Luciano lembra do dia em que, ao passar pela banca de verduras orgânicas onde costumava comprar a couve que batia diariamente no suco verde que preparava para a mulher durante sua convalescência, ele irrompeu em lágrimas. “Ali estava eu, com um maço de couve na mão, chorando convulsivamente. As pessoas vieram me amparar, me trazer um copo de água.”

Durante todo o processo sua rede de proteção foram a família e as amigas da Duda. “Sempre mulheres”, conta,”homens não são bons para essa conversa”. “Durante muito tempo, falei muito da morte da minha mulher. Uma hora parei de falar porque comecei a achar que as pessoas não iam mais agüentar que eu só tivesse esse assunto. Mas por mim, eu continuaria falando”, diz.

No trabalho, onde foi muito bem acolhido, passou por constrangimentos comuns da vida dos enlutados: ‘Quando eu esquecia a tristeza por alguns minutos e dava risada com a turma, logo batia uma culpa. Eu achava que as pessoas me condenariam se eu risse“. Não teve ajuda de qualquer terapeuta ou grupo de apoio mas revela que hoje, ao ler as histórias que publicamos aqui no site, está com vontade de procurar suporte psicológico.

Hoje, três anos depois, olha para trás e vê que tem tido muitos bons momentos e conseguido manter a vida em família feliz. Continua a visitar o Parque Lage, mas pela alegria de estar naquele lugar. Amora, aos 7 anos, fala normalmente da morte da mãe e as pessoas parecem mais incomodadas do que ela quando toca no assunto. “As pessoas ficam paralisadas e depois a olham como coitadinha. A Amora não é uma coitadinha, perdeu a mãe, mas é como todas as crianças do mundo“. Teo não teve tempo de ter memórias sólidas de Eduarda, mas gosta de fantasiá-las e de ver fotos e vídeos.

E você, Luciano? “Estou conseguindo pensar mais em mim, querendo mudar as coisas em casa, de tirar as roupas dos armários e abrir espaço no coração. Sinto que esta é a minha hora de deixar, de fato, a Duda partir”.

Por Cynthia de Almeida 20/02/2017

Referência: 



Acesso em 15/02/2017.

Colaborou Tássia H. de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br