segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Porque trabalhar com famílias enlutadas?

         


                  Bom, na verdade durante toda a minha graduação em Psicologia, eu nunca havia sequer pensado em trabalhar na área do luto, e até então, não havia perdido ninguém próximo o bastante para que pudesse sentir a dor da perda por morte.

Mas em 2010, surgiu o convite através de uma colega que havia trabalhado comigo em uma loja de departamento da cidade de Blumenau, para uma entrevista com a atual Assistente Social do Plano Boa Vida - Tássia Hostin e posteriormente com a Coordenadora do Boa Vida na época.

Lembro como se fosse hoje, que durante minha entrevista, um dos pontos levantados foi a tristeza, o choro, a melancolia, e até a raiva que eu teria de “enfrentar” das pessoas que estaríam privadas do convívio com um de seus entes queridos através da  morte.

Lembro também que na época estava em pesquisa sobre temas para meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Posteriormente envolvida e apaixonada pelo que faço, fui levada a elaborar um TCC voltado para os profissionais que trabalham com o estágio último – a morte, sendo estes os agentes funerários.

            A motivação pelo desafio em atender as famílias, que precisam tratar de questões burocráticas em um momento tão difícil que é a morte de um dos seus, e estar de alguma maneira a disposição das pessoas que precisam compartilhar, se emocionar, chorar, e até mesmo questionar, foram  um dos principais motivos que me levaram a trabalhar no ramo funerário.

Venho aprendendo a cada dia com as famílias que atendo. Sem dúvida alguma, a percepção que hoje tenho de morte é diferente daquela que tinha antes de trabalhar nesse ramo.

No dia 21 de abril de 2011 (6 meses após entrar no Boa Vida), fui tocada pela dor da perda de minha querida avó materna. Vivenciei o que é ter de contratar um funeral, registrar o óbito, decidir onde será o velório entre tantas outras questões, e ainda assim, expressar a tristeza por não ter mais alguém que amo muito.

A paixão pela profissão, a empatia para com os nossos associados e ainda assim se perceber como ser humano, com seus medos e anseios é o que faz com que consiga me dedicar e a de fato ajudar, orientar, ouvir e acolher as famílias no momento mais doloroso, onde aqueles que amamos estarão apenas em nossas lembranças, em nossa história, mas o corpo já não poderá mais ser tocado.

           A cada dia tenho a confirmação de que as pessoas procuram ajuda por não terem o apoio, conforto e compreensão que precisam no seu meio social e familiar. É aí que entra nosso papel, ouvir sem julgar, sem querer que o outro seja forte, e sim podendo, orientar, ouvir, acolher e em alguns casos intervir.

Poder colaborar para que as pessoas tenham atenção e respeito nos momentos difíceis traz ganhos incalculáveis ao profissional e a empresa recebe o reconhecimento da sociedade pelo  atendimento humanizado.

Aprendemos a cada dia, a cada atendimento... 

O tempo, as pessoas, a família, o amor, os amigos passam a ter novos significados. Aprendemos a dar importância a coisas que antes não eram prioridades, o imutável passa então a ser visto como transitório.




Colaborou Patrícia dos Santos – Psicóloga do Boa Vida, Especialista em Gestão de Pessoas, Formação em Tanatologia, Formação em Terapia Cognitivo Comportamental.
E-mail: patricia.santos@boavida.com.br







terça-feira, 14 de novembro de 2017

O que é o Boa Vida ?


                    O Boa Vida é um plano de assistência familiar que no momento do falecimento do ente querido, ouve, acolhe e orienta quais os procedimentos a serem tomados.
Muito mais do que uma empresa, o Boa Vida é uma família pois em vida o cliente pode utilizar a rede de parcerias com descontos variados e pode utilizar durante 3 meses gratuitos os materiais de recuperação.

                  O Boa Vida chegou em Blumenau em novembro de 1998, com o propósito de levar direcionamento a família no momento do falecimento.
É complicado falar que queremos amenizar a dor da família, pois por mais que é oferecido o melhor atendimento, a melhor atenção e carinho para a família enlutada, a maioria dos clientes queriam mesmo é seu ente querido ali, inteiro, saudável. A dor da perda é singular, forte, avassaladora e é realmente enfrentando-a que será possível criar uma nova rotina sem a presença do ente querido.
Através da nossa equipe multidisciplinar composta por colaboradores que realizam assessoria no velório, por motoristas que levam a família no cartório e pela assistente social e psicóloga o Boa Vida se consolida cada vez mais no mercado de assistência familiar do Vale do Itajaí. E os colaboradores citados acima, fazem parte do Serviço Social, setor esse que é o coração do Boa Vida!



Foto dos colaboradores do Serviço Social:





Foto da fachada do Boa Vida
Rua São Paulo, N. 561, Bairro: Victor Konder, 
Blumenau - Santa Catarina - Cep: 89012-001
Telefone: (47) 3222 9999




Logomarca do Serviço Social Boa Vida:




Colaborou Tássia H. de Deus - 
Assistente Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Patrícia dos Santos- Psicóloga, concedeu entrevista no Programa da Rádio Clube de Blumenau

No dia 01/11/2017 Patrícia dos Santos - Psicóloga do Boa Vida foi ao Programa Show da Manhã na Rádio Clube Blumenau fornecer uma entrevista para a locutora Tamara.
Assuntos como finados, luto e o que fazer para ajudar uma pessoa enlutada foram abordados na entrevista.


Na foto abaixo:
 Locutora Tamara e Patrícia





Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

Finados 2017 - Boa Vida



Essa semana teremos o Dia de Finados e nós do Boa Vida preparamos uma conversa com Patrícia dos Santos, Psicóloga do plano.
Será uma série de 5 vídeos, nesse primeiro vídeo relata:
Qual é a importância do Dia de Finados?

Para ver o segundo, terceiro vídeo e acompanhar as notícias do Boa Vida, acesse o Facebook:



Acesse também www.arvorespelavida.org.br/finados2017 e faça a sua homenagem!
#finados2017


Colaborou Tássia Hostin de Deus - 
Coordenadora do Serviço Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br


Senhora dos destinos ...



A poltrona preta no fim do corredor está vazia. Há uma calmaria incomum pela casa e uma inquietação profunda dentro do peito. Não há copos de leite tampados sobre a mesa da copa. Nem de café. Nenhuma cinza de cigarro suja o chão. Ninguém está ali para reclamar de bobagens. Nem pra debater com o fervor que uma boa discussão merece. O frio, agora, vai parecer menos intenso para tantos cobertores dobrados no armário. O sol do quintal não será refúgio. A batida forte no portão não provocará qualquer corrida à janela. Da rua, o olhar direcionado à sacada da casa agora é triste. Ninguém mais acena de lá com as mãos. E as primeiras notícias da manhã, descritas nos jornais recém-jogados pelo entregador, já não virão do mesmo portador.
Assim vão passando os dias... Apesar de parecem lentos, suas horas seguem impiedosas e mostram que já faz um mês. Vão passar dois, três e sabe-se lá quantos meses mais. O tempo não para nem espera as dores cessarem. Em alguns momentos, ele não é gentil o bastante para aguardar a tristeza transformar-se em saudade, como dizem por aí. Tampouco paciente. O tempo é como as pessoas, sempre correndo. Com ele, na mesma batida, seguem, então, novos e velhos hábitos. Reinvenções. E se adapte quem quiser, quem puder. Ou quem for forte.
A morte, senhora dos destinos, é certeira e certeza. Leva quem tem que levar. Dia desses foi meu velho pai. Amanhã, quem vai saber... A quem fica, além da ruptura dolorosa, ela oferece a chance de pensar e repensar sobre a vida. A danada te dá um soco na cara, te derruba no chão, te reduz de forma devastadora. Depois, delicadamente, pergunta se você está bem, se está amando o suficiente e como pretende seguir. Antes de sumir, lembra que irá voltar sem data marcada. E sempre deixa o alerta de que tudo passa rapidamente.
E ainda ali, sob o impacto da saudade, olhamos para a frente. Refletimos. Sobre a fé que em algum momento faltou e precisa ser renovada. Sobre as palavras boas que gostaria de dizer a alguém, mas não falou. Sobre o abraço que desejou dar e ainda está ao seu alcance. Sobre passar mais tempo com quem você ama e ver que não há programação melhor. Sobre trabalhar com mais leveza, pois não vai mudar o mundo.
As reflexões não param. Pensamos. Sobre deixar as coisas pequenas pra lá, porque perdem muito os que a elas se apegam. Sobre como colocar a raiva pra fora sem ferir ninguém. Sobre pedir desculpas e como o ato de perdoar alivia os tormentos da alma. Sobre os amigos que escolhemos e a lealdade que esperamos dessas pessoas consideradas especiais. Sobre isso, sobre aquilo... Refletimos sobre nós mesmos.
E sobre o fato de não sermos imortais. Eu, por exemplo, nunca quis acreditar que meu pai fosse partir. Também não imaginava o quanto sua presença implicava segurança, ainda que diante de tantas fragilidades. Ele me imprimia coragem. Dificuldades trouxeram crescimento. Sento-me agora na poltrona preta que está vaga. Uma tentativa de preencher o vazio no meu coração. Pela frente, o corredor por onde devo seguir. Um breve sorriso, lembranças e o desejo simples de que as pessoas vivam bem cada minuto.

Escrito por Renata Nunes.


Colaborou Tássia H. de Deus - 
Assistente Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br