sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

2017 está se despedindo de nós ...

Escrever para algumas pessoas é terapia, é libertador… Nós do Serviço Social do Boa Vida já escrevemos vários textos sobre o nosso trabalho, sobre o luto (segue links aqui: sobre planejamento - sobre pessoas que enxergam pessoas - sobre suicídio) entre outros tantos textos.
Para algumas pessoas colocar em forma de texto o sentimento, o que aprendeu faz com que a pessoa aprenda algo novo.
É disso que iremos falar neste final do ano sobre aprender.
Quem diria que trabalharíamos com famílias enlutadas? Que atenderíamos pessoas num ápice da pior dor do mundo?
Embora muitos atendimentos nos deixem fragilizados, às vezes tristes devido a situação do falecimento, poder ser “luz” para quem nos procura nos dá força para continuar a trabalhar nesse ramo.
Orientamos, resolvemos situações burocráticas para as famílias  e ouvimos muitas histórias de clientes. Histórias essas íntimas, delicadas, de amor, de alegria, algumas histórias tristes.
Como algumas famílias já nos falaram ‘levamos acalento, foco, direcionamento” para elas. Mas mal sabem elas o quanto aprendemos nesses 10 anos do Serviço Social do Boa Vida.
Todos os dias recebemos alguma lição de vida, da importância de dizer “eu te amo” enquanto nossos familiares estão vivos. Importância de ser feliz hoje. De realizar os nossos desejos hoje, de perdoar quem nos machucou hoje. De visitar uma amiga antiga hoje…
É uma reflexão diária trabalhar com a família enlutada...nós até podemos ser pessoas que orientam, mostra o caminho, mas cada família, cada história que ouvimos nos ensina o quanto a vida passa rápido e em segundos os planos mudam de direção e a vida vira de cabeça para baixo.
Nos ronda diariamente um sentimento de gratidão e carinho por todas as famílias que nós atendemos nesse ano de 2017.
Em suma, vai a dica: não deixe que a dor da perda chegue a você para aprender a ter atitude de mudar, para resolver situações, para dizer que ama alguém, para fazer o que gosta…
Reflita e veja se precisa resolver algo, e não deixe esse desejo somente no pensamento: TENHA ATITUDE.
Nós do Serviço Social desejamos um Natal repleto de  atitude, palavras intensas, abraços, beijos e união.
Que seu 2018 seja de paciência, otimismo e muito saúde.
Com carinho, gratidão e muito amor.
Tássia Hostin de Deus e demais integrantes do Serviço Social Boa Vida.



Integrantes do Serviço Social Boa Vida
João, Tássia, Davi, Patrícia e Ademir







Colaborou Tássia Hostin de Deus
Coordenadora do Serviço Social do Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br

 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Como lidar com saudades, perdas e luto nessa época do ano ?

Psicanalista faz alerta contra a “obrigatoriedade” de ser feliz: “vivemos numa era na qual rejeitamos a qualquer custo o sofrimento”, diz Eloisa Adler.
Com o ambiente maciçamente festivo de dezembro, é quase obrigatório estar esbanjando alegria. No entanto, as festas de fim de ano também podem significar tristeza e luto: um ente querido que se foi há pouco tempo, um casamento desfeito, a perda de um grande amor. A data pode até coincidir com o aniversário de um evento especialmente triste. Ou provocar um sentimento negativo por remeter a uma época mais feliz, de família reunida – sem divórcios, brigas ou mortes. Os motivos variam, assim como o gatilho para a sensação de dor ou desconforto: montar a árvore de Natal, a decoração e as músicas natalinas, um prato de rabanadas…
É quase como andar num campo minado, reconhece a psicóloga, psicanalista e especialista em gerontologia Eloisa Adler, membro do conselho consultivo pleno da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia seção RJ: “quando há uma perda, que pode ser uma separação, ou uma morte, não há como negar que as primeiras datas são muito duras, porque a pessoa ainda está tateando em busca de ressignificações na nova configuração da sua vida”. Entretanto, ela ensina que esse luto, que não precisa necessariamente estar ligado à morte física, e sim a qualquer tipo de perda, não pode ser negado: “a gente acompanha a cicatrização de um ferimento no corpo e sabe que ela não se dá de um dia para o outro. O mesmo se aplica a uma ferida na alma. Décadas atrás, as pessoas se vestiam de preto e se recolhiam para demonstrar que estavam vivendo o processo de luto, mas parece que roubamos esse direito dos indivíduos na sociedade contemporânea”.




Eloisa propõe o que chama de um “acordo com o tempo”: “não devemos pensar tanto no tempo do calendário, o chamado cronos. Temos que aprender a viver também o kairós, que não é a dimensão do relógio, e sim o tempo subjetivo de cada um, do inconsciente. Dessa forma, os sentimentos encontram um ambiente mais fluido e palatável de apaziguamento, de acordo com o ritmo de cada um”. E faz um alerta contra a “obrigatoriedade” de ser feliz, ainda mais nesta época do ano: “essa ditadura da felicidade é nociva. Vivemos numa era na qual rejeitamos a qualquer custo o sofrimento. Quem não se encaixa no padrão acaba apelando para a farmacologia para estar ‘adequado’. É preciso repensar isso o quanto antes”.

Texto escrito por Mariza Tavares e publicado em G1  – 17 de dezembro de 2017.


Referência:

http://caminhosdapsicanalise.com.br/como-lidar-com-saudades-perdas-e-luto-nessa-epoca-do-ano/

Acesso em 19/12/2017

Colaborou Tássia H. de Deus
Assistente Social Boa Vida
E-mail: tassia.hostin@boavida.com.br